Redações do Enem 2025 tiveram critérios de correção diferentes de anos anteriores
Embora o Inep tenha feito um comunicado afirmando que as regras de correção não mudaram documentos oficiais e sigilosos mostraram diferenças significativas
Após 16 de janeiro, quando as notas do Enem 2025 foram oficialmente divulgadas, vários internautas foram às redes sociais desconfiados que as “regras” de correção das redações haviam mudado. Muitos candidatos que participam do Exame Nacional do Ensino Médio anualmente, perceberam uma queda significativa na nota de redação do último Enem comparado aos últimos anos.
O Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), órgão responsável pelo exame, negou qualquer alteração, mas acessos do Portal G1 a documentos oficiais mostraram três importantes diferenças que alteram a forma que os textos foram corrigidos.
Parâmetros mudaram
Na regra da competência 4, sobre o uso de elementos coesivos (“dessa forma” ou “consequentemente”), antes, a correção era feita matematicamente, com a contagem desses termos determinando parte da nota do aluno, porém no Enem 2025, houve uma substituição para noções mais subjetivas, onde expressões coesivas deveriam ser classificadas como “pontual”, “regular”, “constante” ou “expressiva”.
Já na competência 5, os candidatos que não escrevessem o elemento “ação” perderiam 120 pontos durante a correção. Durante a redação, é necessária uma ideia de solução para o problema apresentado no texto e a alternativa contém 5 itens: ação (o que deverá ser feito?); agente (por quem?); finalidade (com que objetivo); meio (de que forma) e claro, detalhes sobre a solução. Anteriormente, caso algum dos itens ficasse de fora, a perda era de 40 pontos.
Entenda questão de matemática que viralizou no Enem 2025 (Vídeo: reprodução/YouTube/CNN Brasil)
Repertório sociocultural
Em setembro no ano passado, no Manual do Candidato divulgado dois meses antes do Enem, as regras para citações não haviam mudado, referências a autores, livros ou filmes para embasar seus argumentos eram permitidas, mas citações genéricas sem contextualização (chamadas de “repertórios de bolso”) não deveriam ser consideradas válidas. Mas em um documento interligando a competência 2 com a 3, a diretriz mudou plenamente.
Agora, os repertórios socioculturais avaliados de maneira negativa pela banca não foram punidos em apenas uma competência, mas em duas, o que segundo alguns corretores, foi a principal explicação para a queda inesperada nas notas.
Problemática
Em um comunicado, o Inep reforçou que não houve nenhuma mudança no critério de correção. “São os mesmos corretores e a mesma instituição aplicadora [Cebraspe]”, disse Manuel Palacios, presidente do Inep.
Alterações não comunicadas acabaram causando um alvoroço maior entre os candidatos que decidiram entrar no Sistema de Seleção Unificada (Sisu) este ano pela primeira vez. Em 2026, o Sisu passou a aceitar as notas das últimas três edições do Enem, criando uma sensação de injustiça para os novatos ao concorrerem a vagas ao lado dos veteranos, avaliados, aparentemente, com menos rigidez.
Outro ponto que causa um afastamento da mão de obra qualificada é as condições de trabalho dos corretores, já que eles ganham cerca de R$ 3 por cada dissertação corrigida entre mais de 200 textos em um mesmo dia, instabilidades no sistema e dificuldades de comunicação com seus supervisores, criando uma sobrecarga prejudicial no âmbito avaliativo.
