Dólar fecha a R$ 5,12 e registra maior queda em quase dois anos; Ibovespa recua

Em declínio de 0,60%, moeda americana é cotada a R$ 5,1246, menor valor desde maio de 2024; índice da bolsa brasileira recuou 0,13%, com 191.247 pontos

25 fev, 2026
Dólar registra maior queda em quase dois anos| 
Reprodução/Instagram/@jdksaaaoc
Dólar registra maior queda em quase dois anos| Reprodução/Instagram/@jdksaaaoc

O dólar caiu 0,60% nesta quarta-feira (25) e a cotação fechou em R$ 5,1246 – menor valor desde 21 de maio de 2024. O Ibovespa, índice destaque da bolsa brasileira, recuou 0,13%, aos 191.247 pontos. Os números são reflexo da reação de investidores às declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e ao cenário político no Brasil. A queda da bolsa ocorre em meio à pressão pelas ações de grandes bancos, como o Itaú (0,79%), apesar da alta de 2,55% da Vale. 

Mercado Brasileiro 

Segundo o Tesouro Nacional, o Governo Central registrou superávit primário de R$ 86,9 bilhões em janeiro, resultado que superou as expectativas de superávit de R$ 88,8 bilhões. Na comparação com o mesmo período em 2024, uma leve piora: na época, o superávit foi de R$ 88,84 bilhões, em valores corrigidos pela inflação. Resultado tem influência da marca recorde da Receita Federal – a arrecadação federal atingiu o maior nível mensal desde o início da série história da Receita Federal, em 1995.

A alta está relacionada ao crescimento da economia e aumento de impostos. Para 2026, a previsão é que o governo registre um déficit de R$ 23,3 bilhões. Se o cenário se confirmar, as contas públicas devem seguir no vermelho por todo o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

No contexto político, os impactos vêm da recente pesquisa da AtlasIntel, que mostrou empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno, com 46,2% e 46,3%, respectivamente. Parte dos investidores vê o resultado como um sinal de possível alternância de poder em 2026.

A avaliação é de que uma mudança de governo poderia abrir espaço para uma política mais rigorosa de controle dos gastos públicos. O destaque empresarial, por sua vez, ficou para as ações do Grupo Pão de Açúcar, que caíram quase 9% após balanço apontar incertezas sobre continuidade operacional. 


 

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Pesquisa apontando empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro tem reações no mercado de investimentos (Foto: reprodução/Instagram/@infomoney)


EUA 

O tradicional discurso do Estado da União, feito nesta terça-feira (24) pelo presidente Donald Trump, também agitou o mercado norte-americano. As políticas externas tiveram destaque no discurso de cerca de 1 hora e 48 minutos — o mais longo já registrado nesse formato. O republicano usou parte do tempo para ameaçar o Irã e falar da prisão do venezuelano Nicolás Maduro. A maior proporção do discurso, contudo, foi dedicada à economia americana.

Exaltando os resultados de seu mandato, Trump afirmou que a inflação está em queda e que a produção de energia atingiu níveis recordes. Especialistas, no entanto, contestam tais indicadores. O presidente também atacou a decisão da Suprema Corte em derrubar o ‘tarifaço’ imposto a vários países, incluindo o Brasil.

Para Trump, a decisão é “frustrante” e o estadista usou do momento para anunciar uma nova tarifa global de 15% em importações.  O discurso de Trump no Congresso ocorreu em meio à queda na aprovação do presidente. Aliados temem que os índices influenciem as eleições de meio de mandato. De acordo com uma pesquisa da Associated Press, apenas 39% dos entrevistados aprovam a condução econômica do mandato.  

Mundo 

Os mercados em Wall Street encerraram em alta, em meio às constantes avaliações de investidores sobre os riscos em torno das big techs e seus investimentos bilionários em inteligência artificial.  As altas ficaram com o Dow Jones (0,63%, aos 49.482,27 pontos);  S&P 500 (0,81%, aos 6.946,14 pontos) e Nasdaq (1,26%, aos 23.152,08 pontos).

Na Europa, a recuperação das ações de tecnologia em várias bolsas globais deixou o clima leve e melhorou o humor dos investidores, que esqueceram um pouco as preocupações com possíveis tarifas dos EUA. No fechamento europeu, também foram registradas altas: O índice STOXX 600 subiu 0,7%, com 633,47 pontos. O FTSE 100, no Reino Unido, aumentou 1,18%, aos 10.806,41 pontos. Na França, o CAC 40 alavancou 0,47%, aos 8.559,07 pontos, e na Alemanha, o DAX avançou 0,76%, marcando 25.175,94 pontos. 

As bolsas asiáticas também fecharam majoritariamente em alta, com os destaques sendo China e Hong Kong. As notícias de que o governo Trump pretende usar um sistema de inteligência artificial do Pentágono para definir preços de referência de metais e minerais raros aumentaram o interesse dos investidores por empresas ligadas aos insumos estratégicos.

Pela Ásia, as principais altas registradas foram: O índice CSI300, da China; (1,2%); Hang Seng, de Hong Kong (0,8%) e 0 Nikkei, no Japão –  com disparada de 2,2%, chegando a 58.583 pontos. Na Coreia do Sul, o KOSPI subiu 1,91%, aos 6.083 pontos, e, em Taiwan, o TAIEX avançou 2,05%, para 35.413 pontos. 

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