Fraude na Caixa desviou R$45 milhões das vítimas, revela investigação da PF

Esquema de fraude na Caixa Econômica Federal desviava valores das contas de beneficiários de programas de assistência social do governo

04 ago, 2026
Caixa Econômica Federal é alvo de investigação | Reprodução/Pexels/Matheus Natan
Caixa Econômica Federal é alvo de investigação | Reprodução/Pexels/Matheus Natan

A Polícia Federal revelou um esquema de fraudes contra clientes da Caixa Econômica Federal operado por uma quadrilha especializada em crimes bancários. O grupo acessava as contas das vítimas e desviava recursos destinados a programas sociais.

Segundo a investigação, o esquema causou um prejuízo de, no mínimo, R$ 45 milhões ao governo federal. Entre as vítimas estavam beneficiários do auxílio emergencial e do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

Quadrilha atuava em São Paulo e no Rio de Janeiro

Durante a apuração, a PF identificou dois núcleos responsáveis pela operação criminosa. Um deles funcionava em São Paulo, onde o casal Matheus Casado e Isabely Alves de Sousa coordenava as fraudes e obtinha acesso às contas das vítimas.

A outra frente da quadrilha atuava no Rio de Janeiro. No estado, Jader Henrique Areas de Almeida definia as datas dos golpes e distribuía os dados das vítimas aos demais integrantes. Já Enzo Grillo Filho era responsável pela movimentação financeira, fazendo o dinheiro circular entre Rio de Janeiro e São Paulo.

Para dificultar a recuperação dos valores pelas autoridades brasileiras, Matheus e Isabely criaram uma empresa nas Ilhas Virgens Britânicas, considerada um paraíso fiscal. O casal também mantinha parte dos recursos desviados em criptomoedas para tornar o rastreamento ainda mais difícil.


Bitcoin é um tipo de criptomoeda (Foto: reprodução/NurPhoto/Getty Images Embed)


De acordo com a Polícia Federal, o dinheiro obtido com os golpes era utilizado para sustentar o alto padrão de vida dos integrantes da organização criminosa. Enquanto isso, as vítimas, beneficiárias de programas de assistência do governo, ficaram sem recursos para despesas básicas, como alimentação e medicamentos.

Investigação foi comprometida por vazamento de operação

A investigação teve início em 2025. No entanto, neste ano, cerca de um mês antes de a Polícia Federal cumprir os mandados contra os investigados, os criminosos tiveram acesso à decisão judicial que autorizava a operação. Assim, antes mesmo de serem indiciados, passaram a apagar provas e esconder rastros das atividades criminosas.

O documento estava protegido por segredo de Justiça e só poderia ser acessado por juízes, investigadores e servidores da Justiça Federal. A PF descobriu que o grupo obteve o material antecipadamente após um deslize de Jader Henrique Areas de Almeida.

Embora tenha apagado a mensagem que continha o documento, Jader esqueceu uma cópia salva no bloco de notas do celular, encontrada pela polícia durante a investigação. Também foi encontrada uma conversa em que ele compartilhava o conteúdo sigiloso com outro integrante da quadrilha.


 Fachada da Polícia Federal (Foto: reprodução/AFP/Evaristo Sa/Getty Images Embed)


Servidor é suspeito de repassar documento sigiloso

Após confirmar o vazamento, a Polícia Federal concentrou esforços para descobrir como os investigados tiveram acesso à decisão judicial, e para isso, refizeram todo o percurso do documento.

O rastreamento revelou que o servidor Jackson Cozendey foi o primeiro a acessar o arquivo, embora, segundo a investigação, não houvesse justificativa funcional para isso. Por esse motivo, ele passou a ser apontado como o principal suspeito do repasse de informações sigilosas ao grupo criminoso.

Durante a apuração, os investigadores também analisaram a movimentação financeira da esposa de Jackson, a advogada Gabrielle Cozendey. Apesar de ter declarado renda mensal de R$5.200 à Receita Federal, ela movimentou cerca de R$1,74 milhão em apenas seis meses.

Os advogados do casal Cozendey afirmaram que os clientes não têm relação com o caso. Procuradas pelo Fantástico, as defesas dos integrantes da quadrilha não responderam aos contatos. A Polícia Federal e o Ministério Público Federal também não concederam entrevista.

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