Braskem anuncia pedido de recuperação extrajudicial para reestruturar dívida de R$ 56 bilhões
Conselho autoriza negociação com credores para reestruturar compromissos financeiros sem afetar fornecedores e clientes; subsidiária no México também busca proteção nos EUA
A Braskem, uma das maiores petroquímicas do Brasil, anunciou nesta segunda-feira (24) que seu Conselho de Administração aprovou pedido de recuperação extrajudicial para reestruturar US$ 10,9 bilhões em dívidas financeiras, equivalente a aproximadamente R$ 56 bilhões. O pedido ainda não foi protocolado na Justiça, mas a empresa garante que o processo não afetará seus compromissos com fornecedores e clientes.
O que é recuperação extrajudicial
Na recuperação extrajudicial, a empresa negocia diretamente com seus credores uma forma de reorganizar as dívidas e depois leva o acordo à Justiça para homologação. É diferente da recuperação judicial, que envolve um processo mais amplo na Justiça desde o início. O acordo pode prever prazos estendidos para pagar as dívidas, períodos sem pagamentos ou outras condições negociadas. O objetivo é evitar a falência e manter a empresa funcionando.
Boa parte da dívida da Braskem está em títulos emitidos no exterior, recursos tomados emprestados de investidores que precisam ser pagos conforme as condições estabelecidas na emissão. A recuperação extrajudicial funciona reorganizando esses prazos e termos.
Segundo a Braskem, em comunicado:
“A Recuperação Extrajudicial possui escopo limitado, estritamente financeiro, e não abrange quaisquer obrigações da Companhia com seus fornecedores, clientes e demais stakeholders, as quais permanecem vigentes e seguem sendo cumpridas normalmente, nos termos dos respectivos contratos”
A empresa informou que as conversas com credores já vinham se intensificando. A decisão do Conselho não era surpresa para o mercado: na última sexta-feira (21), a Braskem havia comunicado ter mais de US$ 10 bilhões em dívidas incluídas na reestruturação.
Braskem pede recuperação extrajudicial na Justiça de São Paulo. A empresa teria R$54 bilhões em dívidas.
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— GloboNews (@GloboNews) August 24, 2026
Braskem pede recuperação extrajudicial na Justiça de São Paulo (Vídeo: reprodução/X/@GloboNews)
Subsidiária no México também busca proteção
A Braskem também acionou um mecanismo de proteção para sua subsidiária no México, a Braskem Idesa. A empresa entrou com pedido de recuperação judicial nos Estados Unidos pelo Chapter 11, procedimento que permite às companhias continuarem operando enquanto renegociam dívidas sob supervisão da Justiça americana. De acordo com o G1, a Braskem planeja aportar US$ 476 milhões para manter o controle da subsidiária.
A Braskem foi criada em 2002 a partir da integração de ativos da antiga Odebrecht e do Grupo Mariani. Produz resinas plásticas como polietileno, polipropileno e PVC, além de insumos químicos como eteno e propeno. Esses produtos são usados na fabricação de embalagens, peças, tubos e diversos produtos do dia a dia. A empresa opera nos Estados Unidos, Alemanha, México e Brasil.
A Petrobras é uma das principais acionistas da Braskem. A IG4 Capital adquiriu recentemente a participação da Novonor (ex-Odebrecht) na petroquímica.
A companhia enfrenta uma longa fase de dificuldades no setor. Além dos preços baixos na petroquímica, o caixa foi pressionado pelos custos relacionados ao desastre causado pela exploração de minas de sal em Alagoas. O caso provocou afundamento do solo em bairros de Maceió e levou à remoção de milhares de moradores, gerando despesas significativas para a empresa.
Ao protocolar oficialmente o pedido de recuperação extrajudicial, a Braskem firmará um acordo com os credores que reorganizará as dívidas com novos prazos e condições de pagamento. A empresa pode levar anos para superar os desafios herdados da gestão anterior.
