Arábia Saudita incentiva os Estados Unidos a manter a ofensiva militar contra o Irã
Autoridades sauditas negam incentivo a ataques; Ataques do Irã a vizinhos durante o Ramadã aprofundam isolamento religioso e político no Oriente Médio
Segundo o jornal “The New York Times”, nos últimos dias, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, vem recebendo o suporte do príncipe da Arábia Saudita, Sheik Mohammed bin Salman, para continuar a guerra contra o Irã.
De acordo com fontes ouvidas pelo jornal, em uma conversa telefônica, Salman afirmou considerar o atual conflito uma “oportunidade histórica” para depor o regime político atual do Irã, que, segundo o príncipe, representa uma ameaça aos países do Golfo Pérsico.
Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos podem entrar no conflito
Os dois países são os principais vizinhos do Irã e podem se juntar ao conflito caso Teerã continue atacando sua infraestrutura crítica. Os ataques do Irã aos países vizinhos já destruíram portos, aeroportos e instalações de energia.
Apesar dos constantes ataques, fontes internas afirmaram que Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos (EAU) só entrarão em conflito com o Irã caso ele ataque alvos de infraestrutura vital de energia ou água do Golfo Pérsico. Segundo fontes, a grande maioria dos países que fazem parte do Golfo está considerando entrar em conflito com Teerã, por conta de seus incessantes ataques, com exceção de Omã, que tenta se manter como uma força mediadora do conflito.

Casas atingidas por um bombardeio no Irã (Foto: reprodução/Instagram/@LilliunAzules)
O Irã justifica esses ataques como legítimos e afirma que os Estados Unidos se utilizam do espaço aéreo desses países para atacar seu território. Os países do Golfo Pérsico negam essa alegação e, nas últimas 24 horas, quatro países interceptaram mísseis iranianos.
A divisão religiosa e o isolamento do Irã no Oriente Médio
O Irã enfrenta um isolamento crescente entre os países de maioria islâmica desde o início do conflito. O principal motivo é a divisão religiosa, a maioria da população islâmica mundial é sunita, enquanto no Irã a sua população é majoritariamente xiita. Desde 1979, com a Revolução Islâmica, o país é visto com desconfiança por seus vizinhos, principalmente por conta das tentativas de exportar seu modelo teocrático de governo.

Fumaça sobe após ataques áereos em Teerã (Foto: reprodução/X/@bielferrigno)
Com os ataques do Irã a países islâmicos vizinhos, durante o mês sagrado do Ramadã, a situação ficou ainda mais grave. Especialistas afirmam que os ataques foram um erro estratégico de Teerã. Além da religião, interesses econômicos têm uma grande influência nos atritos entre Irã e seus vizinhos. Países como a Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos mantêm relações políticas e econômicas próximas com os Estados Unidos e seus planos de desenvolvimento dependem da estabilidade da região, quebrada pelo conflito entre Irã, Israel e Estados Unidos.
Autoridades sauditas e administração do governo Trump negaram que o príncipe tenha incentivado ataques ao Irã e afirmaram que ele sempre demonstrou apoio a uma resolução pacífica do conflito. Entretanto, essas falas refletem o ambiente político atual do Oriente Médio e deixam explícito que as tensões políticas e militares na região têm aumentado significativamente desde o início dos ataques e que a possibilidade de um conflito generalizado na região não pode ser descartada.
