Anvisa aprova injeção com 100% de eficácia na prevenção do HIV

Injeção semestral apresenta eficácia próxima de 100% na prevenção do vírus e oferece opções para pacientes portadores resistentes a outros tratamentos

13 jan, 2026
Seringa | Reprodução/Unsplash/@tengyart
Seringa | Reprodução/Unsplash/@tengyart

O primeiro medicamento injetável apresenta quase 100% de prevenção contra a infecção do vírus do HIV foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) nesta segunda-feira (12). A injeção será comercializada sob o nome de Sunlenca e foi desenvolvida pelo laboratório Gilead Sciences e já foi aprovada nos Estados Unidos e em países da Europa.

A aprovação concedida pela agência brasileira é válida para duas indicações do fármaco: a primeira é como profilaxia pré-exposição (PrEP), que previne a infecção em pessoas não portadoras do vírus; e a segunda é para o tratamento de pessoas portadoras do vírus que tenham apresentado resistência a outros medicamentos.

O lenacapavir é visto como uma novidade por requerer apenas duas aplicações por ano, uma a cada seis meses, para garantir uma eficácia de 100%. Atualmente existe a estratégia de prevenção PrEP, mas esse método envolve a administração diária do medicamento.

É uma injeção mas não é vacina

Apesar de ser um medicamento antiviral injetável, o lenacapavir não pode ser considerado uma vacina, porque a medicação não cauda a produção de anticorpos e células de defesa pelo sistema imunológico, ele age apenas como um antiviral e precisa estar presente no organismo para impedir a contaminação pelo vírus do HIV.


Ilustração de partíclas vírais (Foto: reprodução/fotograzia/Getty Images Embed)


Mais especificamente, uma vacina é feita com o material genético de um vírus ou bactéria, que ao entrar em contato com o sistema imunológico o condiciona a produzir células de defesa contra o material genético ao que foi exposto, no caso do lenacapavir o material genético do HIV não está presente na injeção, portanto em caso de contaminação com o vírus o medicamento precisa estar presente no organismo para prevenir uma possível contaminação.

Custo e disponibilidade no SUS

Uma questão preocupante em relação ao medicamento é o seu custo. Nos Estados Unidos, o tratamento pode custar até 28 mil dólares por ano, esse preço elevado fez com que nenhum sistema de saúde americano tenha implementado o lenacapavir até o momento.

No Brasil ainda não há previsão para o lançamento de valores pois a Câmara de Regulamentação do Mercado de Medicamentos (CMEP) ainda não definiu um preço máximo para o medicamento. Já a disponibilização das injeções de forma gratuita pelo SUS é uma questão mais complexa.

A distribuição de forma gratuita ainda precisa ser aprovada pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) e da análise pelo Ministério d a Saúde. Mas o custo não é o único desafio, há também a questão operacional, pois o tratamento exigirá uma organização do serviço de saúde voltada para aplicações regulares, o que demanda um acompanhamento clínico específico e um sistema de agendamento eficiente.


O símbolo universal de prevenção e solidariedade contra a AIDS (Foto: reprodução/sellyhutapea/Getty Images Embed)


Além do preço a falta de acesso a informações sobre o medicamento também é um obstáculo, já que as pessoas que mais se beneficiariam do tratamento fazem parte das camadas sociais que não conseguem acessar os serviços de saúde de forma eficiente, como pessoas trans, profissionais do sexo e usuários de drogas.

Além da prevenção, o lenacapavir se mostrou eficaz como uma alternativa de tratamento para pacientes com HIV que são resistentes a outras formas de tratamento. No estudo CAPELLA, 88% dos pacientes que receberam a injeção atingiram supressão viral após 26 semanas.

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