Vorcaro admite a Mendonça que mandou agredir opositores e tenta justificar atitude extrema

Procurador-geral da República pediu arquivamento do caso, considerando que não há prova de crime informado pelo banqueiro

03 set, 2026
Daniel Vorcaro e André Mendonça | Reprodução/Instagram/Carlos Moura/SCO/STF
Daniel Vorcaro e André Mendonça | Reprodução/Instagram/Carlos Moura/SCO/STF

O banqueiro Daniel Vorcaro depôs ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, negando comando de milícia armada na investigação. Vorcaro admitiu ter solicitado informações sigilosas de órgãos de investigação, mas classificou como erro e justificou ameaças alegando que estava nervoso. O depoimento foi registrado na semana anterior a 3 de setembro, prestado a auxiliares do ministro Mendonça, segundo informações exclusivas do jornal Estadão.

Investigações da Polícia Federal indicaram que Vorcaro comandava grupo liderado por Luiz Phillipi Mourão, conhecido como Sicário. O grupo, composto inclusive por policiais, realizava ameaças contra desafetos e obtinha informações sigilosas de órgãos de investigação. Essas apurações fazem parte da Operação Compliance Zero e envolvem investigações sobre o Banco Master. O relatório foi elaborado a partir da análise do celular de Vorcaro.

O que a PF investigou

Funcionários do barco de Vorcaro relataram terem sofrido ameaças, conforme depoimentos colhidos pela Polícia Federal. O ex-comandante e um ex-chef da embarcação depuseram sobre os episódios. Segundo relatos, homens se apresentaram como intermediários de Vorcaro para fazer as ameaças. O comandante de embarcação contou à PF: “O pessoal da marina me avisou que tinham ido lá um pessoal estranho”.


André Mendonça admite encontro com Vorcaro (Vídeo: reprodução/YouTube/Veja+)


Os depoimentos recolhidos ajudaram a sustentar a investigação que apontava atividades coordenadas por Vorcaro. A Polícia Federal documentou mensagens e conversas que indicavam a estrutura do grupo e suas ações contra pessoas ligadas aos interesses do banqueiro.

A defesa de Vorcaro

Durante o depoimento ao gabinete de André Mendonça, Vorcaro negou ter ameaçado alguém e afirmou nunca ter se envolvido em atividades criminosas. Em sua fala, o banqueiro declarou:

“Nunca me envolvi no meio do crime, eu nunca tirei uma arma. Eu nunca fiz nada contra ninguém. A polícia pegou no meio… Em centenas de milhares de mensagens, eles pegam mensagens que eu mandei esbravejando ali…”

Vorcaro argumentou que a Polícia Federal criou uma narrativa de pessoa violenta para prendê-lo. Segundo ele, em centenas de milhares de mensagens, a PF selecionou apenas quatro ou cinco em que esbravejava. Afirmou ainda que logo depois dessas mensagens dizia “esquece isso aí”. Descreveu-se como pessoa menos violenta e pacificadora.

O que Vorcaro admitiu

O banqueiro reconheceu ter cometido erros durante o depoimento, especificamente sobre a obtenção de informações sigilosas. Vorcaro afirmou:

“Eu cometi erros, eu chamei pessoas para poder me ajudar a levantar informações, isso tudo eu fiz. Eu fiz no ambiente que eu estava sendo atacado. Mas fazer algo contra alguém, eu não fiz contra ninguém.”

Essa admissão marcou o reconhecimento de Vorcaro sobre solicitar aos subordinados a obtenção de informações protegidas. Ele contextualizou suas ações como resposta ao ambiente em que dizia estar sendo atacado, mas negou qualquer ação criminosa direta. Vorcaro disse ter cometido erros de julgamento, mas não crimes.

Os contratos com a mulher de Moraes também foram tema do depoimento. Diálogos apreendidos pela Polícia Federal detectaram a existência de dois contratos: o primeiro no valor de R$ 50 milhões para que Viviane Barci de Moraes se tornasse sócia de aeronaves de Vorcaro, e um segundo contrato que envolvia o escritório dela.

Posição da PGR

O Procurador-geral da República, Paulo Gonet, enviou parecer ao ministro André Mendonça na noite de 2 de setembro solicitando o arquivamento do relato. Gonet considerou que não há prova de crime informado pelo banqueiro, questionando assim os fundamentos da acusação.

Esse parecer representa uma posição institucional relevante sobre o caso. A manifestação da PGR questiona a viabilidade das acusações contra Vorcaro, sugerindo que os elementos não sustentam as imputações de crimes graves. O parecer foi enviado após análise dos mesmos documentos que fundamentaram a investigação.

O ministro André Mendonça retirou o sigilo do relatório da PF sobre Vorcaro e Moraes. Novos elementos serão analisados pelo plenário do Supremo Tribunal Federal. O caso gerou tensão interna na Corte e segue em avaliação quanto aos próximos desdobramentos.

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