União Europeia barra carne brasileira e pressiona agronegócio por regras sanitárias

União Europeia exclui Brasil da lista de países autorizados a exportar carnes por falta de garantias sanitárias sobre uso de antimicrobianos na pecuária

12 maio, 2026
Bandeiras da UE e do Mercosul erguidas no Distrito Federal|Reprodução/Instagram/@uenobrasil
Bandeiras da UE e do Mercosul erguidas no Distrito Federal|Reprodução/Instagram/@uenobrasil

A União Europeia decidiu excluir o Brasil da lista de países autorizados a exportar carnes e outros produtos de origem animal ao bloco europeu. A medida, divulgada nesta terça-feira (12), pode afetar diretamente o agronegócio brasileiro e aumentar a tensão comercial entre Mercosul e União Europeia.

Segundo autoridades europeias, o Brasil não apresentou garantias suficientes sobre o controle do uso de antimicrobianos na pecuária, exigência sanitária considerada essencial pelas novas regras da União Europeia. Com isso, o país ficará impedido de exportar determinados produtos ao bloco a partir de setembro de 2026. Outros países do Mercosul, como Uruguai, Paraguai e Argentina, permanecem autorizados.

Como foi a decisão

A nova regulamentação europeia endurece o controle sobre o uso de antibióticos e outros antimicrobianos na produção animal. Pelas regras da UE, é proibida a utilização dessas substâncias para acelerar crescimento ou aumentar produtividade dos rebanhos.

Além disso, a legislação europeia veta o uso, em animais, de medicamentos considerados essenciais para tratamentos humanos, como forma de combater a resistência bacteriana.

Na nova lista divulgada pela Comissão Europeia, países como Argentina, Colômbia e México aparecem autorizados a exportar carnes ao bloco, enquanto o Brasil ficou de fora.

Impacto no agronegócio brasileiro

A decisão preocupa o setor agropecuário brasileiro, já que a União Europeia representa um dos principais mercados para a carne bovina nacional. O bloco europeu é atualmente um dos maiores compradores de produtos agropecuários brasileiros em valor agregado.

Especialistas avaliam que a restrição pode gerar impactos econômicos importantes em frigoríficos e produtores voltados à exportação, principalmente em estados com forte participação da pecuária no mercado externo.

Além da carne bovina, a medida também pode atingir exportações de aves, ovos, mel, peixes de cultivo e animais vivos destinados à produção de alimentos.


 Agropecuária brasileira (Foto: reprodução/Getty Images Embed/Nelson Almeida)


Pressão política e acordo Mercosul-UE

A decisão acontece poucos dias após a entrada em vigor provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, tema que enfrenta resistência de agricultores europeus, especialmente na França.

Setores agrícolas do continente criticam o acordo e alegam que produtores sul-americanos operariam sob regras sanitárias menos rígidas do que as exigidas na Europa.

O comissário europeu para Agricultura, Christophe Hansen, afirmou que a medida busca garantir que produtos importados sigam os mesmos padrões impostos aos produtores europeus.

Governo brasileiro tenta reverter cenário

Apesar da exclusão da lista, a própria Comissão Europeia indicou que a situação ainda pode ser revertida caso o Brasil apresente as garantias sanitárias exigidas pelo bloco.

Recentemente, o governo brasileiro anunciou restrições ao uso de determinados antibióticos como promotores de crescimento animal, em uma tentativa de alinhar a produção nacional às práticas internacionais de segurança sanitária.

Nos bastidores, integrantes do setor agropecuário defendem uma resposta rápida do governo federal para evitar prejuízos maiores às exportações brasileiras e impedir desgaste nas relações comerciais com a Europa.

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