Dólar chega ao menor valor em dois anos com a tensão no Oriente Médio
Indicadores de inflação superam expectativas de economistas em março, reforçando cenário mais positivo e influenciando decisões do mercado financeiro
Nessa sexta-feira (10), o dólar opera em queda, se aproximando de R$ 5,00, o menor valor em dois anos. Ao mesmo tempo, o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, bate máximas históricas e supera os 197 mil pontos.
O movimento acontece devido à combinação de fatores internos e externos, como a divulgação de dados de inflação no Brasil e nos Estados Unidos, enquanto há a possibilidade de cessar-fogo na guerra do Oriente Médio.
Mercado reage a cenário externo e inflação
Durante o dia, o dólar à vista chegou a ser negociado próximo de R$ 5,02, com queda em cerca de 0,7%. Enquanto isso, a bolsa brasileira avançou perto de 1%, ultrapassando pela primeira vez a marca de 197 mil pontos, impulsionada pelo fluxo de investidores estrangeiros.
Segundo a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), feito pelo IBGE, o indicador da inflação subiu 0,88% em março e acumula alta de 4,14% em 12 meses. Para o mercado, a expectativa era de avanço de 0,7% no mês e de 4% no acumulado anual.
O resultado de março é o primeiro que conta com os efeitos da guerra do Irã. Nesse sentido, o IPCA foi pressionado pelo aumento dos preços de energia e combustíveis, que são consequência do fechamento do Estreito de Ormuz pelo país.
Já nos Estados Unidos, os investidores acompanharam novas informações sobre os preços e confiança do consumidor em março. No país, o índice de precificação para o consumidor subiu 0,9% ao mês, após alta de 0,3% em fevereiro, e avançou 3,3% em 12 meses, o que está alinhado com a expectativa dos economistas.
Donald Trump (Foto: reprodução/Brendan Smialowski/Getty Images Embed)
Guerra no Oriente Médio pode ter capítulo final
Na terça-feira (7), foi anunciado um cessar-fogo entre Estados Unidos, Israel e Irã. Nesse contexto, ainda há a expectativa de negociações de paz acontecerem entre estadunidenses e iranianos.
O acordo prevê uma pausa de duas semanas nos ataques de EUA e Israel, enquanto o Irã aceita reabrir o Estreito de Ormuz. No entanto, o compromisso já mostra fragilidades, com violações e manutenção de um fechamento da rota marítima, que passa cerca de 20% do petróleo mundial. Assim, os preços da commodity seguem elevados.
