Preço do café dispara e se torna um dos itens mais caros da cesta básica

Bebida foi item que mais encareceu em 2025 e deve seguir caro em 2026; causaa envolvem estoques baixos, clima adverso e aumento de custos

30 jan, 2026
Xícara de café | Reprodução/ Pinterest/ggmgastro
Xícara de café | Reprodução/ Pinterest/ggmgastro

O café foi o item da cesta básica que mais registrou aumento de preço em 2025, segundo levantamento divulgado pela Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic). Mesmo com a expectativa de uma boa safra, a bebida deve continuar cara ao longo de 2026.

Motivos do café ficar caro

De acordo com o presidente da Abic, Pavel Cardoso, os estoques mundiais de café estão em níveis muito baixos após anos consecutivos de problemas climáticos. Por isso, a produção de 2026 deve ser usada principalmente para recompor essas reservas, o que impede uma queda significativa nos preços neste momento. Segundo ele, seriam necessárias ao menos duas boas safras consecutivas para que o consumidor sentisse uma redução real no valor do produto.


Encarecimento do café e projeções para esse ano (Foto: reprodução/Instagram/@radiobandnewsfm)


Em 2025, o faturamento da indústria de café torrado cresceu 25,6% em comparação com 2024, chegando a R$ 46,24 bilhões. Esse crescimento foi impulsionado pelo aumento do preço do café nos supermercados. Entre 2021 e 2025, o valor pago pelo consumidor subiu 116%. Já o café arábica, variedade mais consumida no Brasil, teve alta ainda maior, de 212%, no preço pago aos produtores.

O encarecimento do café é resultado de uma combinação de fatores. Entre eles estão os problemas climáticos que afetaram as lavouras nos últimos anos, como secas prolongadas, geadas e temperaturas elevadas, que reduziram a produção. Além disso, os estoques globais ficaram baixos após quatro anos seguidos de safras comprometidas nos principais países produtores.

Outro fator que contribuiu para a alta foi o tarifaço imposto pelos Estados Unidos sobre o café brasileiro, que elevou os preços do grão na bolsa de Nova York. Somado a isso, houve o repasse gradual dos custos da indústria para o consumidor final.

Queda nos preços

Mesmo com os preços altos, o consumo de café no Brasil caiu apenas 2,31% em 2025. Segundo a Abic, o consumo é considerado resiliente, já que o café faz parte do hábito diário do brasileiro. Cardoso afirma que qualquer pequena redução no preço já estimula o consumidor a comprar mais e formar estoques em casa.

No fim de 2025, alguns produtos apresentaram leve queda nos preços. O café tradicional extraforte ficou 7,1% mais barato em dezembro, enquanto o café em cápsulas teve redução de 13,2%. A expectativa da indústria é que, em 2026, os preços se mantenham elevados, porém com menor volatilidade e possibilidade de promoções pontuais nos supermercados.

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