Zanin e Gilmar Mendes analisam conteúdo do celular de Daniel Vorcaro

Ministros do STF pediram acesso irrestrito ao material antes do julgamento desta terça-feira (15), que analisa pedido de Mendonça sobre mensagens a Moraes

14 set, 2026
Os ministros Gilmar Mendes Cristiano Zanin | Reprodução: Instagram/ @brasildefato

Os gabinetes dos ministros Cristiano Zanin e Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), confirmaram que os magistrados receberam nesta segunda-feira (14) a íntegra do conteúdo do celular de Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master.

A decisão de Zanin veio um dia antes da entrega do conteúdo aos ministros. No domingo (13), o magistrado determinou que Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal (PF), fornecesse uma cópia do material. O celular de Daniel Vorcaro foi apreendido em novembro, durante a Operação Compliance Zero, e contém as mensagens mencionadas pela PF em um relatório que embasou o pedido de André Mendonça para investigar Alexandre de Moraes.

Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes também solicitaram acesso ao conteúdo do aparelho. O material será analisado pelos ministros antes do julgamento marcado para terça-feira (15), quando o STF avaliará o relatório da PF que identificou 52 mensagens enviadas por Vorcaro a Moraes.

Acesso ao material

O pedido de acesso ao celular partiu de Cristiano Zanin na sexta-feira (11). O ministro recorreu ao presidente do STF, Edson Fachin, para consultar integralmente os dados armazenados no aparelho de Daniel Vorcaro.

Fachin encaminhou a solicitação a André Mendonça, relator do caso. O ministro, porém, informou que não estava de posse do telefone, que permanecia sob custódia da Polícia Federal (PF). Segundo Mendonça, trata-se de um iPhone 17 Pro apreendido pela PF e mantido nas instalações da corporação por determinação de uma decisão de 19 de fevereiro de 2026.

O gabinete do ministro informou ainda que dispõe apenas de uma cópia de segurança dos dados que foram extraídos do aparelho.

O conteúdo está armazenado em um HD criptografado, entregue voluntariamente pela PF em março de 2026 e mantido dentro de um envelope fechado. Segundo Mendonça, o dispositivo permanece intacto e lacrado desde então, sem ter sido violado ou manuseado.

No domingo, horas antes, o ministro havia encaminhado um ofício para se posicionar contra a abertura e o compartilhamento integral dos dados. Para Mendonça, a medida “somente contribuiria para tumultuar o julgamento” e poderia colocar “em risco todo o seguimento e êxito das investigações“.

A cobrança por acesso integral ao conteúdo do celular também partiu de Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin. Os ministros defendiam que a análise completa do material era necessária para compreender o contexto dos fatos antes da decisão do plenário.

Moraes chegou a questionar a possibilidade de o relator definir quais documentos poderiam ser consultados pelos demais integrantes da Corte. “Não cabe ao relator escolher quais os documentos acessíveis ao Colegiado para realizar seu julgamento”, afirmou.


Entenda a entrega do celular de Daniel Vorcaro aos ministros do STF (Vídeo: reprodução/Youtube/UOL)


Em manifestação enviada no domingo, Mendonça contestou os argumentos e afirmou que os ministros já têm acesso ao mesmo conjunto de informações utilizado por ele na análise do caso.

Reitero que todo o material utilizado para o julgamento da próxima terça-feira encontra-se disponível, na íntegra, a todos os ministros deste tribunal. Para tal fim, este ministro dispõe exatamente do mesmo conjunto de elementos de informação franqueado aos demais pares que irão participar da referida sessão”, escreveu.

A PGR também se posicionou a favor do acesso integral aos dados extraídos do celular. Em manifestação enviada a Fachin, o órgão defendeu que todos os ministros do STF pudessem consultar o material.

Após Mendonça informar que o aparelho estava sob custódia da PF, Zanin voltou a solicitar os dados. O ministro determinou que Andrei Rodrigues, diretor-geral da corporação, compartilhasse o conteúdo com seu gabinete no prazo de 24 horas. A determinação foi cumprida nesta segunda-feira (14), conforme confirmaram os gabinetes dos ministros.

Julgamento no Supremo

O plenário do STF se reúne nesta terça-feira (15) para analisar o relatório elaborado pela Polícia Federal a pedido de André Mendonça. A sessão foi convocada pelo presidente da Corte, Edson Fachin, e terá como foco os elementos que apontam para uma suposta relação entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro.

Entre os pontos que serão discutidos está a validade da investigação conduzida a partir da solicitação de Mendonça. Ministros do STF questionaram a iniciativa por entenderem que o relator teria determinado a apuração envolvendo um integrante da própria Corte sem prévia autorização do plenário.

A análise do caso pelo plenário é considerada inédita no STF e movimentou os bastidores da Corte. A decisão de Edson Fachin de submeter o relatório da PF aos demais ministros abriu espaço para discussões sobre a possibilidade de avanço de uma investigação envolvendo Alexandre de Moraes.

Até o momento, seis ministros são apontados como mais próximos de posições já definidas. Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin aparecem alinhados a Moraes, enquanto Luiz Fux e Kassio Nunes Marques são considerados favoráveis à posição de André Mendonça. O sexto voto seria o do próprio relator.

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