Sessão sobre Moraes expõe crise no STF
Sessão de julgamento do caso de Moraes foi marcada por discussões acaloradas, antes de Flávio Dino pedir vista e interromper a análise
O presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, marcou sessão plenária na última terça-feira, 15, para julgamento da ação contra o ministro Alexandre de Moraes, por suposta relação com Daniel Vorcaro, do Caso Master. No entanto, o tema sequer chegou a ser debatido.
A primeira parte da sessão foi marcada por discussões acaloradas. Os ministros Dias Toffoli e Nunes Marques optaram por não participar da sessão, enquanto os demais se dedicaram a trocar acusações e comentários irônicos entre si.
Na segunda e última parte da sessão, Fachin colocou sob votação a questão de ordem de Gilmar Mendes, que propunha unir a análise do caso de Moraes aos questionamentos sobre a condução de Mendonça no Caso Master.
Os ministros Zanin, Mendes e Moraes votaram a favor, enquanto Cármen Lúcia, Fachin, Mendonça e Fux votaram contra. Já o ministro Flávio Dino, que havia votado à favor da unificação, retirou seu voto e pediu vista, interrompendo a sessão e colocando o tema em suspenso, sem previsão de retorno.
Julgamento é suspenso por até 90 dias
Sob a justificativa de que o “clima” na sessão estava piorando a cada minuto, o ministro Flávio Dino pediu vista na sessão extraordinária da última terça, 15. “Nós não temos condições de deliberar. […] A sociedade está assistindo a algo diferente do rito que a lei manda”, declarou na ocasião.
Ministro Flávio Dino (Foto: reprodução/Getty Images Embed/AFP/Sérgio Lima)
O pedido de Dino interrompe o julgamento por até 90 dias corridos para que o caso seja estudado de forma mais detalhada. Essa solicitação, porém, não significa que o ministro seja contra ou a favor da decisão em pauta, apenas que ele considera necessário realizar uma análise mais aprofundada para, então, apresentar seu voto definitivo.
Com 4 votos contrários, 3 a favor e com a declaração de Dino pendente, o STF suspendeu a sessão sem definir se os casos envolvendo Mendonça e Moraes seriam julgados de forma separada ou em conjunto.
Cármen Lúcia lamenta crise na Corte
A ministra Cármen Lúcia pediu desculpas aos brasileiros durante o julgamento do caso. Em sua fala ela disse estar em “profunda consternação e tristeza” diante da crise vivida dentro do Supremo.
Juízas enviam flores e carta a Cármen Lúcia por crise no STF: ‘A senhora não está sozinha’https://t.co/TQmsco2ote
— Folha de S.Paulo (@folha) September 16, 2026
Ministra Cármen Lúcia (Foto: reprodução/X/@folha)
Lúcia declarou não estar triste somente pelo tema que os levou à sessão, mas especialmente porque o STF “provocou um mal estar cívico em todas as cidadãs e cidadãos brasileiros nesses últimos dias”.
O momento de crise na Corte começou em setembro deste ano, quando o ministro André Mendonça levantou o sigilo dos relatórios da Polícia Federal sobre as fraudes financeiras do caso Master.
Supostas mensagens entre Vorcaro e Moraes são alvo de investigação
Com a quebra vieram a público uma série de mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro, fundador do Master, e um contato nomeado como “Alexandre de Moraes BRASILIA”. No total, a PF identificou 52 mensagens entre os dois, enviadas de dezembro de 2023 à data em que o ex-empresário foi preso, em novembro de 2025.
Os documentos levantados por Mendonça revelaram ainda um contrato de R$130 milhões entre o Banco Master e o escritório da Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes, além de registros de encontros presenciais entre o ministro e Vorcaro.
Após a divulgação dos documentos, Moraes questionou a atuação de Mendonça no caso Master e as fraudes do INSS, acusando o colega de improbidade e de interferência nas investigações sob sua responsabilidade de relatoria.
Enquanto o caso de Moraes permanece suspenso por 90 dias corridos até o retorno de Flávio Dino, o caso de Mendonça está previsto para ser julgado pelo STF em 23 de setembro. O pedido de vista do ministro pode, no entanto, adiar a sessão da próxima quarta-feira, 23.
