Sessão extraordinária do STF julga caso de Alexandre de Moraes
Ministros se reúnem para julgar se caso envolvendo Alexandre de Moraes e a relação com Daniel Vorcaro do Banco Master é passível de investigação
Nesta terça-feira (15), o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) se reuniu em uma sessão extraordinária, convocada pelo presidente Edson Fachin, com o objetivo de analisar o relatório da Polícia Federal (PF) sobre as mensagens encontradas no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro envolvendo o ministro Alexandre de Moraes. A ideia é averiguar se o caso tem elementos suficientes para abrir uma investigação contra o ministro. Moraes trouxe sua defesa de forma oficial pela primeira vez no caso.
Relatórios da Polícia Federal
São três pontos específicos citados no relatório da PF que levantaram questionamentos a respeito do ministro. O primeiro são os contratos milionários que envolvem o Banco Master, que pertencia a Daniel Vorcaro, e Viviane Barci, esposa do ministro Alexandre de Moraes. Primeiro, com um contrato que valia cerca de R$ 130 milhões, ligado ao escritório da esposa, e posteriormente um novo contrato que envolvia uma outra empresa de Vorcaro, nos valores de R$ 50 milhões.
Alexandre de Moraes durante uma sessão do Supremo Tribunal Federal (Foto: reprodução/Getty Images Embed/@Evaristo Sa)
O segundo ponto seria uma suposta troca de informações a respeito de operações policiais momentos antes da prisão do banqueiro. Neste caso, apenas as mensagens unilaterais, por parte de Daniel Vorcaro, foram citadas, não havendo resposta por parte do ministro. Mas, ainda assim, houve questionamentos do empresário a respeito de sua prisão, dois dias antes do fato ocorrer, perguntando se deveria sair e fugir do país. A prisão acabou ocorrendo de forma natural pela Polícia Federal, antes que ele pudesse escapar.
Por fim, um dos destaques é a relação de proximidade que os dois pareciam ter, com vários encontros entre 2024 e 2025, segundo os dados da PF. Além disso, em 2025, dias antes da operação que realizou a captura do banqueiro, aparece Vorcaro agradecendo Moraes “por tudo” e dizendo ter uma dívida de vida com o ministro.
Defesa de Alexandre de Moraes
Alexandre de Moraes, por sua vez, se defendeu das acusações levantadas, dando argumentos para contrariar o que está sendo especulado. A respeito das mensagens, Moraes afirmou ser um “diálogo fantasioso”, no qual aparecem apenas as mensagens do empresário e não há qualquer comprovação de resposta por parte do ministro em nenhum momento, argumentando que se trataria de uma conversa hipotética, sem algo concreto.
Na sequência, Moraes afirmou que nunca houve nenhum tipo de consultoria para o Banco Master ou para o próprio Vorcaro, nem nada relacionado a favorecimentos ou vazamentos de informações privilegiadas. Sobre a Operação Compliance Zero, responsável por descobrir todo o esquema do Banco Master e acabar prendendo o empresário, Moraes disse sequer saber que estava ocorrendo a investigação por parte da PF. Concluiu ainda dizendo que, caso tivesse havido qualquer tipo de vazamento, Vorcaro teria fugido e até destruído possíveis provas, e não teria sido pego com todas as informações no celular e com o seu passaporte original.
Por fim, Alexandre de Moraes, assim como a Procuradoria-Geral da República (PGR), alegam que a investigação aberta pelo ministro André Mendonça é ilegal, por ter sido instaurada sem pedido prévio do Ministério Público Federal ou autorização prévia do plenário do Supremo Tribunal Federal, e afirmam que todo esse movimento foi feito por motivos político-eleitorais devido à sua atuação como ministro do Supremo Tribunal Federal.
A sessão extraordinária desta terça-feira (15), que havia sido convocada pelo presidente da Corte, Edson Fachin, acabou sendo suspensa sem uma decisão final após um pedido feito pelo ministro Flávio Dino. Uma nova data para a conclusão deste caso ainda não foi definida.
