Vacinas contra dengue possuem critérios distintos para aplicação

Anvisa estabelece regras específicas para cada um dos imunizantes; vacinação será definida a partir do histórico da doença e condições de saúde

11 jun, 2026
Vacinas contra dengue | Reprodução/Agência Brasil/ Paulo Pinto
Vacinas contra dengue | Reprodução/Agência Brasil/ Paulo Pinto

As vacinas contra a dengue que estão em distribuição no Brasil possuem regras diferentes para serem indicadas e utilizadas. Atualmente, três imunizantes foram autorizados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa): Qdenga, Dengvaxia e Butantan-DV. Cada produto foi avaliado em públicos específicos nas fases de estudo clínico, resultando em critérios próprios de idade, histórico da doença e saúde dos pacientes.

As pesquisas sobre essas vacinas aumentou depois que o Ministério da Saúde bloqueou temporariamente a aplicação da Butantan-DV, após relatos de reações graves registrados com a vacinação. Os especialistas dizem que os imunizantes não podem ser usados de forma igualitária, pois as recomendações mudam de acordo com o perfil da pessoa.

Qdenga atende públicos

A Qdenga foi aprovada pela Anvisa em março de 2023. A vacina é produzida pela farmacêutica japonesa Takeda e usa vírus vivos menos intensos para proteger contra os sorotipos da dengue. Pessoas entre 4 e 59 anos participaram dos testes clínicos, mesma faixa etária autorizada para aplicação.

Tanto pessoas que já tiveram dengue quando as que não tiveram podem tomar o imunizante. No entanto, a vacinação que o SUS (Sistema Único de Saúde) oferece está focada em crianças e adolescentes de 10 a 14 anos. A vacina não é recomendada para gestantes, lactantes, pessoas com o sistema imunológico enfraquecido e indivíduos que tem alergia aos componentes da fórmula. Os dados divulgados mostram que a proteção teve resultados positivos contra casos da doença e internações.


Diferenças nas vacinas contra Dengue (Foto: reprodução/X/@Estadao)


Já a Dengvaxia, fabricada pela empresa francesa Sanofi, tem um público diferente. O produto foi avaliado em voluntários de 9 a 45 anos e só pode ser utilizado por quem já teve contato com o vírus. Essa exigência foi estabelecida graças as análises que mostraram aumento do risco de formas graves da doença em indivíduos sem infecção prévia que receberam a vacina.

Butantan amplia proteção

A Butantan-DV se tornou a primeira vacina brasileira contra a dengue e a primeira aplicada em dose única. O imunizante foi preparado para proteger contra os quatro sorotipos do vírus e passou por testes feitos com cerca de 16 mil participantes em diversos centros de pesquisa do país. Mesmo com os testes incluindo pessoas entre 2 a 59 anos, a Anvisa autoriza que apenas indivíduos entre 12 e 59 anos sejam imunizados. A vacina pode ser utilizada tanto por pessoas que já tiveram dengue quanto por aquelas que não tiveram.

A vacinação começou neste ano com foco nos profissionais da saúde. Depois, algumas doses também foram destinadas a moradores de municípios de São Paulo, Ceará, Minas Gerais e Tocantins. A suspensão temporária da Butantan-DV aconteceu após o registro de 42 notificações classificadas como graves entre aproximadamente 500 mil aplicações realizadas.

O Ministério da Saúde afirmou que vai prosseguir com as investigações e ressaltou que até o momento, não foi detectada uma relação direta entre a vacina e os casos graves analisados. Os resultados de acompanhamento indicaram proteção considerável contra formas da dengue com sintomas e também contra quadros considerados graves, reforçando a importância do imunizante dentro do combate à doença no país.

Mais notícias