Flávio Bolsonaro promete manter fim da escala 6×1, diz que pretende ter apenas um mandato e comenta prisão de aliados no RJ

Candidato do PL também defendeu impeachment de Alexandre de Moraes e se disse surpreso com prisão de aliados no Rio de Janeiro

17 out, 2026
Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência da República | Reprodução/Globo/Manoella Mello
Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência da República | Reprodução/Globo/Manoella Mello

O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) participou, na sexta-feira (16), de uma entrevista com a jornalista Renata Lo Prete, da TV Globo, como parte da cobertura do segundo turno das Eleições 2026. Durante a conversa, o senador abordou propostas para a economia e a segurança pública, confirmou que pretende manter o fim da escala de trabalho 6×1 e afirmou que não disputará a reeleição caso vença o pleito.

Flávio também negou a possibilidade de nomear o pai, Jair Bolsonaro, ou o irmão, Eduardo Bolsonaro, para cargos em um eventual governo. Outros assuntos discutidos foram o financiamento do filme Dark Horse, que motivou uma investigação da Polícia Federal, a atuação de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), os ataques de 8 de janeiro de 2023 e o combate ao narcotráfico. <Cite refs={[“turn794228news7″,”turn794228search0”]}/>

Flávio Bolsonaro muda de posição sobre escala 6×1

Um dos principais temas da entrevista foi o fim da escala 6×1. Flávio afirmou que, se eleito, não tentará reverter a medida aprovada pelo Congresso. A declaração representa uma mudança em relação a posicionamentos anteriores, quando o senador criticava a proposta e a classificava como eleitoreira e oportunista.

Segundo o candidato, a mudança ocorreu após conversas com trabalhadores durante viagens pelo país. “Eu rodei o Brasil inteiro, ouvi muitos trabalhadores e votei conforme o que vi nas ruas. Como ouvi da grande maioria dos trabalhadores que eles estavam a favor do fim da escala 6×1, resolvi seguir a vontade da maioria dos trabalhadores brasileiros”, afirmou.

Flávio relacionou a redução da jornada de trabalho à necessidade de melhorar a segurança pública e o poder de compra da população. Para ele, a ampliação do tempo de descanso precisa ser acompanhada de medidas que permitam aos brasileiros circular com mais segurança e chegar ao fim do mês com o salário suficiente para cobrir as despesas.

O senador também prometeu manter o aumento real do salário mínimo, acima da inflação, e afirmou que não pretende desvincular os reajustes das aposentadorias dessa política.


Flávio Bolsonaro promete manter fim da escala 6×1 (Vídeo: reprodução/YouTube/g1)


Candidato promete ajuste fiscal sem cortes em saúde e educação

Na área econômica, Flávio apresentou uma proposta de ajuste fiscal de R$ 200 bilhões e negou que pretenda reduzir os investimentos mínimos obrigatórios em saúde e educação. O candidato também afirmou que não pretende alterar a Constituição para eliminar os pisos de gastos dessas áreas.

Entre as medidas mencionadas para alcançar a economia prevista estão a redução de pelo menos dez ministérios, o combate à corrupção e à má gestão em empresas estatais, a venda de imóveis pertencentes à União e a securitização de dívidas que o governo tem a receber. Ele também defendeu a exploração de petróleo na Margem Equatorial.

Sobre a securitização, Flávio afirmou que os cerca de R$ 3 trilhões em dívidas a receber pela União poderiam ser convertidos em receita para os cofres públicos. Segundo ele, a estratégia poderia gerar mais de R$ 200 bilhões anuais para o orçamento. A entrevista, porém, não representa por si só uma comprovação de que esse valor seria arrecadado: a estimativa foi apresentada pelo próprio candidato.

O senador também declarou que pretende exercer apenas um mandato presidencial. Ele disse que abriria mão de tentar a reeleição mesmo que o Congresso não aprovasse mudanças constitucionais. Além disso, rejeitou apoiar alterações nas regras que permitissem a parentes concorrer à sua sucessão.

Flávio descarta Jair Bolsonaro e Eduardo em eventual governo

Questionado sobre a participação de familiares em uma possível administração, Flávio afirmou que não planeja oferecer um cargo ao pai. Segundo ele, o assunto nunca foi discutido entre os dois e Jair Bolsonaro não teria manifestado interesse em integrar a estrutura do governo.

“Não está no radar”, declarou o candidato ao comentar a possibilidade de nomear o ex-presidente. Flávio também foi direto ao responder sobre o irmão Eduardo Bolsonaro e a hipótese de ele assumir o Ministério das Relações Exteriores: “Não, ele não vai ser meu chanceler”.

Apesar de descartar a nomeação, o senador defendeu o irmão, a quem classificou como perseguido político, e afirmou que ele denuncia o que considera arbitrariedades no Brasil. <Cite refs={[“turn794228news15″,”turn794228search1”]}/>

Candidato comenta investigação sobre o filme Dark Horse

Outro tema abordado foi o financiamento de Dark Horse, produção cinematográfica sobre Jair Bolsonaro. Flávio afirmou ter solicitado R$ 134 milhões a Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master, e alegou que o contrato não foi cumprido integralmente.

O candidato declarou que conversou com outros investidores antes de procurar Vorcaro e sustentou que a produtora brasileira prestou contas sobre os gastos do filme. Segundo sua versão, as despesas dependiam de autorização do fundo responsável pelo financiamento, administrado por um advogado amigo de Eduardo Bolsonaro. Ele negou ter oferecido contrapartidas em razão do cargo público que ocupava.

Flávio é investigado em um inquérito da Polícia Federal que apura suspeitas de lavagem de dinheiro, corrupção e evasão de divisas relacionadas ao financiamento da produção. A existência da investigação não significa, por si só, que as suspeitas tenham sido comprovadas. O senador apresentou sua versão durante a entrevista, mas as explicações dadas por ele não encerram a apuração. <Cite refs={[“turn794228news12″,”turn794228search0”]}/>

Flávio critica STF e defende impeachment de Alexandre de Moraes

Durante a sabatina, o candidato defendeu o impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Flávio acusou o magistrado de perseguir adversários políticos e de interferir em diferentes assuntos.

“Do jeito que está hoje, de fato, nós temos que proteger a instituição Supremo Tribunal Federal. Não dá para um juiz como Alexandre de Moraes continuar dando canetada, interferindo em um monte de coisa, perseguindo adversários políticos do atual governo”, afirmou.

O senador também criticou a atuação do Judiciário e alegou que aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no STF se protegeriam para impedir o avanço de investigações. Ao comentar o ministro Kassio Nunes Marques, defendeu que ele também fosse investigado e mencionou supostos vínculos com Daniel Vorcaro. As declarações foram apresentadas pelo candidato, sem que isso estabeleça a comprovação das acusações.

Ataques de 8 de janeiro, segurança pública e resultado das urnas

Ao falar sobre os ataques de 8 de janeiro de 2023, quando manifestantes invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes, Flávio defendeu punições proporcionais aos crimes cometidos. Ele afirmou que a destruição de patrimônio público e as agressões a policiais são inaceitáveis, mas questionou a caracterização dos atos como tentativa de golpe de Estado.

O candidato também criticou Lula, acusando o presidente de prejudicar a gestão do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), por divergências políticas. Em outro momento, ao ser questionado sobre a responsabilização de quem depredou patrimônio, afirmou que o presidente estaria “depredando o Brasil”.

Sobre o processo eleitoral, Flávio declarou que disputará a eleição conforme as regras vigentes e respeitará o resultado, independentemente de vitória ou derrota.

Na segurança pública, defendeu ampliar o acesso da população a armas, criticou o Estatuto do Desarmamento e prometeu mobilizar as Forças Armadas e as polícias estaduais para combater o narcotráfico.

A entrevista integrou a série de conversas com os candidatos que disputam o segundo turno das Eleições 2026. Lula participou da sabatina na quinta-feira (15), um dia antes de Flávio, e a ordem das entrevistas foi definida por sorteio com representantes das campanhas. <Cite refs={[“turn794228news7″,”turn794228news13”]}/>

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