Jovens ampliam mobilização para conquistar votos para Lula e Flávio Bolsonaro no segundo turno

Estratégias vão de banquinhas presenciais a campanhas digitais, enquanto dados mostram redução de eleitores nessa faixa etária

17 out, 2026
Lula e Flávio Bolsonaro | Reprodução/X/@Schneid3n/@republiqueBRA
Lula e Flávio Bolsonaro | Reprodução/X/@Schneid3n/@republiqueBRA

Jovens mobilizam votos segundo estratégia de apoiadores de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) para o segundo turno presidencial em Brasília e outras cidades. O objetivo é conquistar novos votos e diminuir a abstenção após resultado apertado no primeiro turno.

Estratégias nas ruas e nas redes

Estudantes usam grupos de mensagens, perfis abertos em redes sociais, banquinhas presenciais e debates em escolas para divulgar propostas e conquistar votos de indecisos. A mobilização combina espaços digitais com ocupação física, levando a campanha além do horário eleitoral.

Isadora de Oliveira, 24 anos, apoiadora de Lula, ajudou a organizar ato em Brasília no dia 13 de outubro que reuniu cerca de 60 mil pessoas. Ela defende a ocupação de espaços públicos e conversas diretas como caminho para convencer eleitores.

“A gente quer ocupar faculdades, ônibus, metrô e conversar com as pessoas para mostrar que o futuro que a gente precisa não cabe no projeto da extrema-direita nem no de Flávio Bolsonaro, mas que será construído por nós, a partir da luta dos estudantes”

João Pedro Porto, 18 anos, coordena grupo universitário de apoio ao presidente Flávio Bolsonaro. Desde o fim do primeiro turno, organizou adesivaços e mobilizou atos em frente à faculdade onde estuda.

“Quando o estudante vê outras pessoas que pensam como ele, percebe que não está sozinho e se sente mais confortável para expressar suas ideias”, afirmou João Pedro Porto.

Alexandra Carvalho, 22 anos, apoiadora de Flávio Bolsonaro, criou canal de mensagens para divulgar materiais de campanha. Ela organiza reuniões e protestos na faculdade e defende que a mobilização ultrapasse espaços virtuais.

“A nossa força não pode ficar apenas nas telas. Precisamos levar essa mobilização para as faculdades, para as ruas e para os espaços de debate, porque a direita não quer apenas ocupar as redes sociais”


Campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro no segundo turno (Vídeo: reprodução/YouTube/Itatiaia)


O papel dos jovens como multiplicadores

Ela busca furar a bolha digital e converter votos, aumentando o nível de postagem e interação com pessoas de outros estados.

“É importante ir para a rua, mas também fazer a mobilização nas redes sociais. Eu aumentei o nível de postagem e de relação com pessoas de outros estados. A gente tem que também saber falar com as pessoas de fora”, afirmou Daniella Dutra.

Bruna Lima, 20 anos, usa banquinhas vira-voto em paradas de ônibus e universidades para conversar diretamente com eleitores. Ela ouve dúvidas e apresenta argumentos, buscando entender por que pessoas votaram diferente ou não compareceram.

“A gente está indo sempre para olhar olho no olho do trabalhador e falar: por que você votou no Flávio Bolsonaro? Ou então por que você não saiu de casa para votar? E dar argumentos, debater, trazer fatos, trazer a história para que a gente consiga, de fato, fazer essa virada”, disse Bruna Lima.

Maria Clara Lobão, 16 anos, iniciou debates na escola com o objetivo de mobilizar colegas. Ela observa mudanças de posicionamento entre amigos que antes reproduziam opiniões dos pais.

“Com os debates entre os jovens do meu ciclo, vejo mais gente mudando de postura. Amigos que na eleição passada se posicionavam de um jeito, muitas vezes apenas reproduzindo a opinião dos pais, hoje pensam diferente, estão mais velhos e pesquisam por conta própria”, contou Maria Clara Lobão.

Segundo Marcela Machado, cientista política da Universidade de Brasília, o segundo turno engaja mais o público jovem que a primeira fase. Na etapa final, o eleitor sente necessidade de se posicionar, e a juventude atua como filtro e atalho cognitivo dentro de seus círculos sociais. Quando jovens produzem conteúdo e debatem política, levam mensagem a quem não assiste ao horário eleitoral.

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