Trump ironiza boicote de redes de TV: “nunca me boicotam”

Após o presidente banir três canais de TV da Casa Branca, cinco veículos criaram boicote contra o governo, que ja surtiu efeito ao gerar uma gafe

21 set, 2026
Presidente Trump na Casa Branca | Reprodução/Instagram/@realdonaldtrump

Nesta segunda-feira (21), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ironizou e minimizou o boicote que sofreu de 5 canais de TV dos EUA. O boicote ocorreu em decorrência de o presidente americano ter banido alguns jornalistas da Casa Branca. Trump disse que “eles dizem que me boicotam, mas nunca me boicotam. Olhe toda essa imprensa aqui.” A fala ocorreu após um encontro com o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani.

Boicote das principais redes americanas

Na última sexta-feira (18), o presidente dos EUA anunciou que baniu três veículos de jornalismo de entrarem na Casa Branca: CNN, MS NOW e Politico. O CNN é um dos principais canais de TV dos EUA, o MS NOW é um canal jornalístico liberal e o Politico é um site especializado em cobrir a política americana. Os três criticam o governo Trump. O presidente baniu os veículos, afirmando, sem provas, que eles teriam publicado notícias falsas. O presidente também acusou o governo Biden de corrupção por pagar US$ 8 milhões para o Politico quando, na verdade, tal dinheiro veio de assinaturas de diversos órgãos do governo para ter acesso às matérias do veículo. Por fim, ainda ameaçou banir quaisquer outros jornalistas que publiquem o que ele considera serem fake news.

“Os veículos de comunicação não deveriam poder escrever ou noticiar constantemente FICÇÃO e MENTIRAS quando estão cobrindo o presidente dos Estados Unidos, o governo Trump ou os Estados Unidos da América”, afirmou Donald Trump.


 

 

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Presidente anunciou medida na Truth Social (Vídeo: Reprodução/Instagram/@portalg1)


Após isso, cinco canais de TV americanos se juntaram para realizar um boicote ao presidente. Esses canais participavam do chamado “pool” da imprensa, sendo a cobertura de eventos ou pronunciamentos do governo. Os cinco canais são: ABC, CBS, CNN, Fox News e NBC. Estes são cinco dos principais canais de TV dos Estados Unidos. No pool, cada veículo fica encarregado de registrar atos e pronunciamentos em determinados dias. A CNN e a NBC (parte do grupo MS NOW) faziam parte desse pool antes do banimento. Portanto, poderá haver um desfalque na cobertura da Casa Branca, já que as cinco emissoras afirmaram que não irão cobrir os dias que seriam referentes à CNN e NBC. Isso pode causar um desfalque na Assembleia Geral da ONU, que será realizada na Casa Branca, com participação de Trump.

“Informamos que, a partir de hoje, o pool de emissoras de TV não fará a cobertura de eventos designados como cobertura em ‘pool’ do Presidente”, escreveu o chefe da Fox News em Washington. O canal é conhecido por apoiar o atual governo americano.

Proibição e acusações de censura

Diversos veículos criticaram a ação de Trump, acusando o político de censurar o jornalismo e a liberdade de expressão. O presidente, no entanto, acusa os veículos banidos de terem criado fake news. O magnata e presidente dos EUA usou sua rede social, a Truth, para dizer que não mira atacar a imprensa livre:

“A Casa Branca não está promovendo um ataque à imprensa livre, algo que eu valorizo. Ela está promovendo um ataque às FAKE NEWS, algo que cresceu como um câncer em nossos amados Estados Unidos da América. Elas são corruptas, intencionais, disseminadas, totalmente coordenadas e completamente fora de controle. São uma ameaça à nossa segurança nacional e precisam ser detidas, AGORA!”


 

 

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A ausência do pool gerou gafe ao impossibilitar gravação de áudio de Trump (Vídeo: Reprodução/Instagram/@jacobyork)


As acusações de Trump não são acompanhadas de nenhuma prova. No sábado (19), jornalistas tiveram seus crachás apreendidos e foram impedidas de adentrar a Casa Branca. Por conta disso, CNN, MS NOW e o Politico entram com um processo contra o governo na justiça americana, exigindo a derrubada da proibição e que os crachás das jornalistas sejam devolvidos. No ano passado, Trump restringiu o acesso à Casa Branca da agência de notícias Associated Press (AP).

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