Polícia Federal faz vistoria em residência de Jair Bolsonaro em Brasília
Operação autorizada pelo Supremo Tribunal Federal busca armamentos e registros na casa do ex-presidente; investigadores confirmam que nada foi localizado
Policiais federais cumpriram um mandado de busca e apreensão na residência do ex-presidente da República, Jair Bolsonaro, localizada no Jardim Botânico, em Brasília, na manhã desta quarta-feira (08). O objetivo era localizar e apreender armas de fogo, munições, acessórios e documentos de registro.
O mandado foi em cumprimento a uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), motivada por divergências no número de armas registradas e efetivamente entregues pelo político à Justiça.
Origem da determinação judicial
O estopim para a decisão do ministro Alexandre de Moraes ocorreu após episódios recentes envolvendo o arsenal do ex-presidente. No mês de junho de 2026, uma pistola registrada em nome de Jair Bolsonaro foi apreendida pelas autoridades do Distrito Federal durante uma fiscalização de trânsito em uma blitz de rotina. O fato acendeu um alerta no Poder Judiciário sobre o paradeiro e o controle dos armamentos vinculados ao antigo chefe do Executivo Federal.
Diante do ocorrido na blitz, o magistrado do STF determinou a suspensão imediata do registro de Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador (CAC) do ex-presidente. A medida provisória exigia o recolhimento integral de todos os dispositivos bélicos ligados ao nome dele. Houve uma ordem expressa para que o Exército Brasileiro realizasse a transferência da custódia de oito armamentos sob a guarda dos militares diretamente para a responsabilidade da Polícia Federal.
PF faz buscas na casa de Bolsonaro à procura de armas
➡️Ação foi determinada após apreensão de uma arma durante uma blitz no Distrito Federal, em junhohttps://t.co/5F3WtHuByj
— Correio do Povo (@correio_dopovo) July 8, 2026
Ação foi determinada após apreensão de uma arma durante uma blitz (Vídeo: reprodução/X/@correio_dopovo)
A decisão de efetuar as buscas na moradia de Brasília se consolidou quando o Comando do Batalhão de Polícia do Exército informou formalmente ao STF que duas das oito armas listadas pela defesa de Bolsonaro não foram encontradas em seus depósitos. Essa inconsistência nos números levou o ministro a considerar imprescindível uma vistoria presencial para afastar dúvidas sobre possíveis ocultações de materiais bélicos por parte do investigado.
Detalhes do cumprimento do mandado
Os agentes da Polícia Federal chegaram ao endereço residencial nas primeiras horas da manhã desta quarta-feira (08). Conforme os relatórios oficiais protocolados na Suprema Corte, os investigadores permaneceram no imóvel por um período aproximado de uma hora e meia, iniciando os trabalhos por volta das 7h e estendendo a varredura minuciosa até as 8h30. O escopo das buscas incluía não apenas os revólveres e pistolas em si, mas quaisquer peças, insumos ou papéis de regularização.
PF faz buscas por armas na casa de Bolsonaro, segundo advogados de defesahttps://t.co/sJ5fCBfLU1
— GZH (@gzhdigital) July 8, 2026
De acordo com advogados do ex-presidente, nada foi encontrado (Vídeo: reprodução/X/@gzhdigital)
Após o encerramento dos procedimentos operacionais no Distrito Federal, tanto a corporação quanto a equipe jurídica que representa o ex-presidente emitiram comunicados públicos confirmando o resultado da inspeção. Os advogados informaram que os policiais saíram do local de mãos vazias, uma vez que nenhum tipo de armamento ou munição ilegal foi detectado nos cômodos inspecionados. Pouco tempo depois, a própria PF chancelou o fato de que absolutamente nada foi apreendido na ação.
Atualmente, Jair Bolsonaro cumpre uma pena unificada de 27 anos e 3 meses de reclusão, encontrando-se sob o regime de prisão domiciliar humanitária temporária desde o final de março deste ano para tratamento de saúde decorrente de um quadro de broncopneumonia. No texto de sua decisão, Alexandre de Moraes enfatizou que a manutenção ou posse de artefatos de fogo na residência do apenado configura uma situação totalmente intolerável e incompatível com os termos estabelecidos para o cumprimento da respectiva ordem judicial de restrição de liberdade.
Posicionamento dos familiares envolvidos
O desdobramento da investida policial na residência gerou repercussões imediatas no núcleo familiar do ex-presidente. O senador Flávio Bolsonaro, que cumpria agenda de compromissos políticos no exterior, utilizou canais públicos para manifestar forte descontentamento com a realização da vistoria matinal. O parlamentar criticou duramente a necessidade da diligência patrocinada pela Suprema Corte no atual cenário nacional.
Flávio Bolsonaro criticou duramente a ação da PF (Vídeo: reprodução/YouTube/@bandjornalismo)
Em suas declarações, o filho mais velho do ex-presidente classificou o episódio como desnecessário e gerador de um constrangimento profundo para os parentes que coabitam ou acompanham a rotina do político. O congressista alegou que a ação causou sofrimento psicológico injustificado aos membros da família. Ele pontuou que o armamento retido anteriormente na fiscalização rodoviária possuía documentação totalmente regularizada junto aos órgãos oficiais.
Por fim, o parlamentar argumentou que o momento escolhido para a deflagração da operação possui contornos puramente políticos. Segundo a visão externada pelo senador, o episódio serviu como uma espécie de cortina de fumaça estruturada para desviar a atenção pública de outros debates relevantes em meio ao calendário eleitoral. A defesa jurídica, por sua vez, reiterou que continuará prestando as informações necessárias para esclarecer a localização dos itens restantes apontados no relatório militar.
