Malala aponta tecnologia como caminho para democratizar a educação

Na Rio Innovation Week, Malala afirmou que a tecnologia pode romper barreiras ao ensino em regiões onde a educação feminina é proibida

05 ago, 2026
Malala Yousafzai | reprodução/Instagram/@rioinnovationweek
Malala Yousafzai | reprodução/Instagram/@rioinnovationweek

Malala Yousafzai, ativista e vencedora do Prêmio Nobel da Paz em 2014, participou da 6ª edição da Rio Innovation Week, no Rio de Janeiro, na última terça-feira, 4. Durante a mesa com a jornalista Lilian Ribeiro, da TV Globo, a paquistanesa defendeu a tecnologia como uma grande aliada na democratização da educação.

Segundo a ativista, a tecnologia pode contribuir para que o ensino alcance regiões remotas e jovens mulheres em países onde a educação feminina ainda é proibida, como o Afeganistão e algumas regiões do Paquistão, seu país de origem.

Na entrevista, ela afirmou que o atual sistema educacional “não responde com a rapidez necessária às mudanças climáticas, tecnológicas e sociais” com as quais a sociedade precisa lidar no cotidiano. Para Malala, esse é um desafio comum a diversos países, “seja no Paquistão, no Brasil ou no Reino Unido.

Nesse contexto, a ativista aponta a tecnologia como uma solução capaz de oferecer “ferramentas para alcançar comunidades muito distantes” e permitir, assim, “que a educação chegue mais longe e se torne mais acessível.”

Educação feminina enfrenta barreiras impostas por grupos extremistas

Malala também manifestou preocupação com o avanço do grupo terrorista Talibã sobre o direito à educação feminina no Afeganistão, local onde segundo ela, a simples leitura de um livro é vista como “um ato de resistência.”


Malala Yousafzai na 6ª edição do Rio Innovation Week (Vídeo: reprodução/Instagram/@rioinnovationweek)


Essa realidade é compartilhada por milhões de mulheres e meninas ao redor do mundo. Atualmente, cerca de 120 milhões de meninas e adolescentes ainda não têm acesso à educação.

Durante sua participação no evento, a ativista declarou que deve sua liberdade à educação e afirmou que é justamente por esse poder de promover consciência e emancipação feminina que o ensino é proibido para mulheres em regiões controladas por grupos extremistas.

Segundo Malala, é justamente nesse cenário de privação do direito à educação que a tecnologia pode oferecer um caminho para ajudá-las a enfrentar as restrições que impedem seu desenvolvimento.

Do atentado do Talibã à criação de uma rede global pela educação

Sua trajetória em defesa da educação começou ainda na adolescência, quando foi atacada pelo Talibã dentro de um ônibus escolar por defender o direito das meninas de frequentarem a escola no Vale do Swat, no Paquistão.

Após um longo tratamento para se recuperar do atentado, Malala mudou-se para o Reino Unido para escapar da perseguição do grupo extremista. Em junho de 2020, formou-se em Filosofia, Política e Economia pela Universidade de Oxford.

Desde o atentado, a defesa da educação feminina tornou-se uma das principais bandeiras de seu ativismo. Com esse propósito, Malala e seu pai, o professor Ziauddin Yousafzai, criaram o Fundo Malala, em 2013, para defender o direito das meninas à educação de qualidade.

Segundo a ativista, a instituição apoia cerca de 140 organizações da sociedade civil em diferentes países, garantindo recursos para a educação e ajudando-as a desafiar sistemas, políticas e práticas que buscam impedir o acesso de meninas e adolescentes ao ensino.


 

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Escola de Meninas na Nigéria é apoiada pelo Malala Fund (Vídeo: reprodução/Instagram/@malalafund)


Malala, hoje com 29 anos, foi a pessoa mais jovem a receber o Prêmio Nobel da Paz, honraria conquistada aos 17 anos, em 2014. Atualmente, utiliza a visibilidade alcançada para apoiar outras jovens que vivem situações semelhantes à que enfrentou.

Mudança começa com pequenos passos e ação coletiva

Durante sua participação no evento, Malala também destacou a importância da atuação coletiva para promover mudanças efetivas. Em suas palavras, “uma pessoa pode iniciar um movimento de mudança, mas é o coletivo que transforma o mundo.”

Ao encerrar sua fala, a ativista aconselhou os jovens a continuarem sonhando grande, mas ressaltou a importância de agir para transformar esses sonhos em realidade, ainda que aos poucos. “Sonhe tão alto que seus objetivos pareçam impossíveis e tente. Pense no que você pode fazer hoje e amanhã.”

Ela concluiu afirmando que, por menor que um passo possa parecer, “ele representa o início de uma transformação” e que, em um coletivo, “somos mais eficazes do que quando agimos isoladamente.

Rio Innovation Week reúne nomes de destaque da inovação e do conhecimento

A 6ª edição da Rio Innovation Week (RIW) começou na última terça-feira, 4, e segue com programação até sexta-feira, 7. Com expectativa de receber mais de 180 mil pessoas, o evento é considerado um dos maiores encontros de negócios, tecnologia e inovação do mundo.

Entre os principais convidados desta edição estão a vencedora do Prêmio Nobel da Paz Malala Yousafzai, a ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), o vencedor do Nobel de Medicina Edvard Moser e artistas como Seu Jorge, Regina Casé e Zélia Duncan.

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