Lula e Flávio Bolsonaro vão a missas em Brasília no feriado de Nossa Senhora Aparecida

Enquanto o presidente defende respeito entre religiões, celebração ocorre em contexto de polêmicas envolvendo setores da direita e a Igreja

12 out, 2026
Lula e Flávio Bolsonaro vão a missas em Brasília | Reprodução/X/@delegadoyasser/@infopitaco
Lula e Flávio Bolsonaro vão a missas em Brasília | Reprodução/X/@delegadoyasser/@infopitaco

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro participaram, nesta segunda-feira (12), de celebrações religiosas em Brasília pelo Dia de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil. Lula acompanhou uma missa na capela do Palácio da Alvorada, enquanto Flávio esteve em uma cerimônia na Catedral Metropolitana de Brasília, acompanhado de Alfredo Gaspar, apresentado como candidato a vice.

Durante a celebração, Lula criticou pessoas que desrespeitam a fé alheia e afirmou que, em uma democracia, ninguém deve ser obrigado a seguir determinada religião. As manifestações ocorreram em meio a controvérsias envolvendo a imagem de Nossa Senhora Aparecida e declarações de representantes da direita sobre a relação entre religião e Estado.

O vice-presidente Geraldo Alckmin também se manifestou na data. De acordo com o Brasil de Fato, ele publicou um vídeo nas redes sociais em que afirmou que faria orações pela saúde do papa Leão XIV, que passaria por uma cirurgia para a retirada de um nódulo no pulmão.

Declaração de Flávio sobre religião gerou repercussão

A participação dos políticos nas celebrações ocorre após semanas de discussões sobre religião e política. Em agosto, Flávio Bolsonaro afirmou que, caso fosse eleito presidente, um de seus primeiros atos seria declarar que o “Brasil é do Senhor Jesus Cristo”. A fala gerou reações e preocupações entre setores católicos.

Em setembro, publicações nas redes sociais passaram a associar o senador a uma suposta intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. A informação, porém, foi classificada como falsa em apurações jornalísticas. O projeto que previa alterar a denominação da padroeira foi apresentado em 2007 pelo então deputado federal Professor Victório Galli e arquivado no ano seguinte. Flávio negou ter intenção de promover a mudança.

O Tribunal Superior Eleitoral também determinou a remoção de publicações que divulgavam a alegação falsa sobre a retirada do título da santa. A decisão ocorreu em meio à circulação de conteúdos que relacionavam a proposta antiga à campanha presidencial de 2026.


Flávio Bolsonaro vai à Missa de Nossa Senhora Aparecida em Brasília (Vídeo: reprodução/X/@centralreality)


Relatório reúne episódios de ataques à Igreja Católica

As controvérsias se somam a um histórico de tensões entre representantes da Igreja Católica e integrantes da direita brasileira. Um relatório da Comissão Brasileira de Justiça e Paz (CBJP), organismo ligado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), reuniu 58 episódios classificados pela entidade como ataques de grupos de extrema direita contra católicos. O levantamento abrange ocorrências registradas desde 2018.


Lula defendeu o respeito entre diferentes crenças (Vídeo: reprodução/X/@propriofernando)


Nesse contexto, Dom Geraldo Maia, bispo de Araçuaí, em Minas Gerais, defendeu o respeito às tradições religiosas e criticou a interferência do poder público em questões de fé. Para ele, a relação com a padroeira está ligada à história e à cultura da população, não a decisões políticas ou legislativas.

“Não precisa nenhum poder civil fazer esse tipo de declaração ou retirar alguma coisa da fé, da história, da cultura do nosso povo, porque a religião não está ligada à legislação de Estado; a religião está ligada à fé e às tradições”, afirmou.

O bispo também ressaltou a identificação de Nossa Senhora Aparecida com pessoas em situação de sofrimento e vulnerabilidade. “Ela tem um lado, que é o lado dos oprimidos; ela está do lado das pessoas sofredoras da história até os dias de hoje”, declarou.

Para Dom Geraldo, ataques à imagem da padroeira ultrapassam a dimensão religiosa e atingem também aspectos históricos e culturais do país. A discussão sobre a santa, portanto, permanece no centro do debate sobre os limites entre manifestações de fé, disputas políticas e respeito à diversidade religiosa.

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