Meta nega beneficiar Flávio Bolsonaro após queixas sobre alcance de Lula
Empresa nega interferência eleitoral, mas PT contesta falta de provas; levantamento petista aponta que página de Flávio tinha 2,96 vezes mais engajamento
A Meta atribuiu a problemas técnicos a redução do alcance de publicações da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e negou favorecer o senador Flávio Bolsonaro nas redes sociais. A resposta ocorre após a campanha petista acionar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) com suspeitas de interferência eleitoral. A empresa classificou as acusações como infundadas.
Posicionamento da Meta
Em comunicado oficial, a plataforma declarou que os problemas técnicos não ficaram restritos ao Brasil nem atingiram exclusivamente determinadas contas. Conforme a Meta, a empresa cumpre com a legislação eleitoral brasileira e está comprometida com a isonomia do uso de suas plataformas por todos os candidatos.
“As alegações são simplesmente falsas e não encontram respaldo nos fatos. Muitos dos problemas técnicos mencionados não afetaram exclusivamente o Brasil ou contas específicas nas nossas plataformas. Cumprimos com as normas eleitorais e estamos comprometidos com a isonomia do uso das nossas plataformas por todos.”
A Meta não apresentou detalhes técnicos específicos sobre quais falhas ocorreram, em que período exato ou se realmente afetaram outras plataformas e candidatos além de Lula.
Lula (Foto: reprodução/ Ricardo Moreira/ Getty Images Embed)
Dados e contestação do PT
A Secretaria Nacional de Comunicação do PT apresentou levantamento mostrando que a página de Flávio Bolsonaro tinha 2,96 vezes mais engajamento que a de Lula, apesar de possuir 17,2% menos seguidores. Com esses números, a campanha petista intensificou os questionamentos sobre as explicações oferecidas pela Meta.
A equipe de Lula afirmou que:
“A empresa alega que essa ‘falha’ afetou outros anunciantes e mercados, mas não trouxe qualquer evidência disso.”
O PT também reforçou suspeitas iniciais:
“Fortes suspeitas de tentativa de interferência no processo eleitoral brasileiro em benefício da candidatura de Flávio Bolsonaro.”
A campanha solicitou informações detalhadas ao TSE sobre a extensão das falhas alegadas pela Meta e sua comprovação em outros mercados. O TSE estabeleceu prazo de 48 horas para a Meta apresentar explicações sobre as acusações.
Contexto histórico e regulação
A disputa ocorre em momento de tensão maior entre plataformas e reguladores. Segundo a Times Brasil, em janeiro de 2025, Mark Zuckerberg anunciou que trabalharia com Donald Trump contra a regulação de redes sociais. O anúncio reascendeu o debate sobre a atuação política de plataformas digitais.
O histórico da Meta com questões de manipulação eleitoral é marcado por precedentes. A Cambridge Analytica coletou informações de dezenas de milhões de usuários do Facebook para direcionar conteúdos políticos durante a eleição presidencial de 2016 nos EUA e no referendo do Brexit. Em março de 2018, o Facebook reconheceu as falhas que permitiram a coleta. Em julho de 2019, a plataforma recebeu multa de US$ 5 bilhões da FTC (Comissão Federal de Comércio americana) por ter enganado usuários sobre privacidade.
