Apesar da guerra no Oriente Médio, Fed mantém taxa de juros nos EUA

Aumento do preço do petróleo no mundo tem gerado a grande preocupação no Banco Central dos EUA com juros na faixa de 3,50% a 3,75%

19 mar, 2026
Presidente do Fed faz pronunciamento após reunião do FOMC | Reprodução/X/@Metropoles
Presidente do Fed faz pronunciamento após reunião do FOMC | Reprodução/X/@Metropoles

Nesta quarta-feira (18), foi anunciado que o Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, está com seu menor nível desde setembro de 2022, mantendo a taxa de juros sem alterações na faixa de entre 3,50% a 3,75% ao ano. Essa reunião foi a segunda do ano em que o Banco Central decidiu manter o nível da taxa.

Na primeira reunião, em janeiro, teve como resultado a interrupção de um ciclo de três cortes, o que gerou incertezas nas perspectivas econômicas.

Taxa de juros sem alterações

O banco central americano tem como preocupação principal o impacto sobre a inflação no país norte-americano com a disparada do preço do petróleo com a guerra do Oriente Médio. As autoridades do Fed, mesmo com o cenário incerto, mantiveram a previsão de um corte de 0,25% em 2026. O Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) tem 19 membros e, nesse caso, 12 membros projetam pelo menos uma redução, enquanto os outros 7 afirmam a previsão de que a taxa se manterá igual à atual.

Essa decisão é a décima desde 20 de janeiro de 2025, quando Donald Trump assumiu a presidência dos EUA, e refere-se a três cortes de juros que ocorreram devido a conflitos geopolíticos e à guerra tarifária promovida pelo governo Trump. O Fomc informou, por meio de um comunicado, que as atividades econômicas dos EUA têm crescido solidamente, enquanto a criação de empregos e a taxa de desemprego continuaram baixas, tendo pouca mudança nos últimos meses.

A guerra entre EUA e Israel contra o Irã, que teve início em fevereiro, deixou claro que a inflação segue alta, gerando muitas incertezas relacionadas à economia. “A incerteza sobre a perspectiva econômica continua elevada. As implicações dos acontecimentos no Oriente Médio para a economia dos EUA são incertas”, dizia o texto. O comitê deixou claro que continuará com o monitoramento das implicações e das informações sobre a perspectiva econômica e que, caso apareçam riscos que dificultem, os objetivos da política monetária possam sofrer ajustes.

O presidente do Fed, Jerome Powell, afirmou que, apesar de existir a previsão de corte nos juros em 2026, alguns participantes que estiveram presentes na reunião desta semana sugeriram que o próximo passo seja a alta, que indica uma dura inclinação entre os dirigentes. “A possibilidade de que nosso próximo movimento possa ser uma alta foi mencionada na reunião, assim como ocorreu na reunião anterior”, afirmou.

Powell contou que a alta da energia pode pressionar a inflação em curto prazo. “Ainda é cedo, no entanto, para saber a dimensão e a duração dos possíveis efeitos sobre a economia”, revelou. Ele também falou que a política monetária está melhor posicionada para existir novos ajustes na taxa de juros, baseados nas perspectivas de evolução e balanços de riscos.

O valor do petróleo aumentou e chegou a atingir seu maior valor desde 2022, sendo US$120, mas logo depois o valor caiu, mas ainda continuou alto em US$100. O que fez com que Trump comece a buscar maneiras de reter o aumento da commodity e no impacto que isso terá no bolso dos americanos, já que as eleições legislativas estão marcadas para novembro.


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Jerome Powell, presidente do Federal Reserve (Foto: reprodução/Instagram/@cryptosrus)


Futuro do Federal Reserve

Trump continua pressionando o Fed para que os juros sejam cortados. Ainda nesta semana, ele falou que o banco central norte-americano deveria convocar uma nova reunião especial para que as taxas sejam reduzidas imediatamente. Essa declaração foi feita dias depois que um juiz federal americano bloqueou as intimações contra Jerome Powell e sua atuação no Fed. O mandato de Powell acaba em maio, então essa seria uma de suas últimas decisões. Trump é um grande crítico de Jerome e, por isso, indicou o economista Kevin Warsh para ser o substituto. Para que ele possa assumir o Fed em junho, a indicação precisa da aprovação do Senado.

Durante todo o segundo semestre de 2025, Trump não poupou as críticas ao Fed e deixou claro todos os nomes alinhados ao seu plano econômico para assumir a diretoria da instituição. A diretora Adriana Kugler antecipou a sua saída em agosto e, no mês seguinte, Trump indicou Stephen Miran para assumir o cargo.

Nas próximas semanas, a Suprema Corte vai anunciar o resultado da tentativa que o presidente norte-americano fez de demitir a diretora do Fed, Lisa Cook. Se essa decisão for a favor da demissão de Lisa, Trump terá pelo menos duas indicações suas na diretoria do Fed, sem contar a indicação para a presidência da instituição.

Os juros altos nos EUA fazem com que os rendimentos dos títulos públicos americanos, conhecidos como as Treasuries, estejam em níveis atraentes. Por esses investimentos serem considerados um dos mais seguros do mundo, a alta rentabilidade deles despertava o interesse dos investidores estrangeiros e, com isso, o dólar se fortalece.

Esse movimento faz com que os investimentos estrangeiros no Brasil caiam e assim o real fica desvalorizado em relação à moeda norte-americana. Esse nível alto causa o aumento da pressão sobre a inflação brasileira, com reflexos na manutenção de juros pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil.

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