Trump indica acordo com Cuba em meio a tensão com Irã

Presidente diz que acordo com Cuba pode ocorrer em breve enquanto EUA pressionam países a proteger o Estreito de Ormuz em meio à guerra e tensão com Irã

16 mar, 2026
Donald Trump | Reprodução/X/@rtnoticias_br
Donald Trump | Reprodução/X/@rtnoticias_br

No domingo (15), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que existe a possibilidade de um acordo próximo com Cuba. Paralelamente, o governo americano pressiona aliados a enviar navios de guerra para patrulhar o Estreito de Ormuz em meio à guerra com o Irã. O movimento ocorre enquanto crescem as tensões globais e a instabilidade no setor petrolífero.

Ao falar com jornalistas durante o voo no Air Force One, o presidente norte-americano afirmou que o governo de Havana demonstrou abertura para negociar com Washington e sugeriu que um acordo pode acontecer em pouco tempo. Ele, porém, deixou claro que as discussões envolvendo o Irã continuam sendo a principal prioridade.

Acordo entre Estados Unidos e Cuba

Dias antes, Miguel Díaz-Canel confirmou que Cuba iniciou negociações com os Estados Unidos. O presidente afirmou que o diálogo busca resolver diferenças históricas e diminuir a tensão entre os dois países. Ao mesmo tempo, a ilha enfrenta uma crise econômica severa, agravada pela escassez de petróleo importado, que tem provocado apagões frequentes e restrições em serviços públicos.


Trump diz que EUA  e Cuba estão negociando acordos (Vídeo: reprodução/Youtube/Uol)


Declarações recentes de Trump indicam que Cuba poderia estar à beira de um colapso econômico ou interessada em firmar um acordo com a Casa Branca. Em um comentário feito na semana passada, o presidente chegou a citar a hipótese de uma “tomada amigável” da ilha, fala que provocou reações.

Pressão internacional

Enquanto isso, os Estados Unidos tentam mobilizar parceiros para criar uma operação internacional voltada à segurança do transporte marítimo no Estreito de Ormuz. A via é considerada essencial para o comércio energético global, já que cerca de um quinto do petróleo vendido no planeta passa por ali.

Trump afirmou ter solicitado que cerca de sete países enviem embarcações militares para patrulhar a região, mas reconheceu que ainda não recebeu compromissos formais. O dono da Trump Tower argumentou que muitos desses países dependem fortemente do petróleo do Oriente Médio e deveriam participar da proteção da rota.

Ele também ressaltou que a China recebe grande parte de seu petróleo por meio do Estreito de Ormuz, enquanto os Estados Unidos dependem menos dessa rota. Ainda assim, Washington afirmou estar disposto a cooperar com outros países em uma possível operação de segurança marítima.

Reação cautelosa de governos aliados

A pressão de Washington tem sido recebida com prudência por diferentes governos. O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, conversou com Donald Trump sobre a importância de retomar o fluxo regular de navios na região. A Coreia do Sul declarou que está avaliando o cenário, enquanto representantes da China destacaram que manter estável o fornecimento global de energia depende da cooperação internacional.


Donald Trump pede garantia de rotas marítimas (Vídeo: reprodução/Youtube/Uol)


A França também mencionou a possibilidade de uma missão internacional de escolta para navios comerciais, mas indicou que qualquer operação dependerá de uma redução nas hostilidades. Já o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul, afirmou que Berlim não pretende entrar diretamente no conflito.

Escalada militar no Golfo

O conflito também intensificou ataques e ameaças em toda a região do Golfo. O Irã declarou que o Estreito de Ormuz permanece aberto ao tráfego internacional, mas não para os Estados Unidos e seus parceiros. Segundo o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, vários países já pediram autorização para que navios atravessem a área.

Recentemente, Arábia Saudita, Kuwait e Bahrein relataram novos ataques realizados com mísseis e drones. O governo iraniano também acusou os EUA de bombardear a Ilha de Kharg, local do principal terminal petrolífero iraniano, embora não tenha apresentado provas da acusação.

Diante da tensão crescente, a International Energy Agency informou que países membros devem liberar aproximadamente 412 milhões de barris de petróleo de suas reservas estratégicas para tentar conter a alta nos preços. Parte desse volume deve ser disponibilizada rapidamente ao mercado, enquanto o restante será liberado gradualmente a partir do final de março.

Mais notícias