Ex-ministro de Maduro se declara culpado por lavagem de dinheiro nos EUA
Empresário colombiano Alex Saab aceitou colaborar com investigações federais do governo americano sobre esquema de corrupção na Venezuela
O empresário colombiano Alex Saab, antigo ministro da Indústria da Venezuela e figura próxima do ex-presidente Nicolás Maduro, declarou-se culpado, na terça-feira (15), perante um tribunal nos Estados Unidos por um crime de lavagem de dinheiro. Como parte de um acordo com as autoridades americanas, ele comprometeu-se a devolver 195 milhões de dólares aos cofres públicos e a cooperar plenamente com as investigações federais sobre esquemas de corrupção e suborno no governo venezuelano.
Rede de subornos e extradição
Segundo a acusação dos promotores federais, Saab gerenciava uma vasta teia ilegal desenvolvida para quitar propinas e conseguir acordos públicos favoráveis na Venezuela. As autoridades americanas apuram suas transações financeiras há mais de uma década. O empresário foi entregue às autoridades dos EUA em maio pela mandatária interina da Venezuela, Delcy Rodríguez.
Ex-ministro da Venezuela aliado de Maduro se declara culpado por lavar dinheiro nos Estados Unidoshttps://t.co/pAPn5losqy
— Folha de S.Paulo (@folha) September 15, 2026
Alex Saab se declarou culpado nos EUA (Foto: Reprodução/X/@folha)
A denúncia formal apresentada contra o ex-ministro, referente ao delito de lavagem de dinheiro, prevê uma sanção máxima de duas décadas de cárcere. Todavia, em virtude do pacto de confissão, o Ministério Público acordou em sugerir uma penalidade que se aproxima do limite inferior estipulado pela legislação. Os procuradores frisaram que pedirão novas diminuições na sentença se os dados revelados por Saab se mostrarem cruciais para o progresso das investigações. A cooperação do antigo ministro tem potencial para auxiliar diretamente no andamento de ações contra outras quatro pessoas sob investigação, cujos nomes ainda não foram divulgados.
Histórico de prisões e indulto
O histórico judicial de Saab nos Estados Unidos começou em 2019, quando ele recebeu a primeira acusação formal durante a gestão do ex-presidente Donald Trump. Em 2020, o empresário acabou preso pelas autoridades de Cabo Verde enquanto o avião em que viajava fazia uma escala técnica para reabastecimento. Na ocasião, o regime venezuelano defendeu a inocência do aliado, alegando que ele cumpria uma missão de caráter humanitário a caminho do Irã.
Em 2023, o então presidente americano Joe Biden concedeu um indulto a Saab em uma troca diplomática pela libertação de cidadãos americanos mantidos presos na Venezuela. A negociação fez parte de uma estratégia política da Casa Branca para pressionar o governo Maduro a garantir a realização de eleições presidenciais livres.
Reabertura de investigações e cerco a Maduro
A concessão do perdão presidencial gerou fortes reações contrárias de parlamentares republicanos e de autoridades da área de segurança federal. Diante do descontentamento, investigadores americanos abriram novas frentes de apuração contra Saab por suspeita de crimes financeiros que não estavam contemplados no texto do acordo de indulto.
Apontado durante anos por órgãos de inteligência e pela Justiça americana como o principal “laranja” das operações de Maduro, Saab passa a desempenhar papel central no cenário judicial do país vizinho. Os investigadores federais buscam obter depoimentos detalhados sobre o ex-presidente venezuelano, capturado em janeiro durante uma operação militar dos Estados Unidos. Maduro encontra-se preso em Nova York, onde aguarda julgamento por acusações relacionadas ao narcotráfico internacional.
