Estreito de Ormuz: Europa e o Japão anunciam tomada de medidas para liberar canal

Um quinto de todo o petróleo consumido no mundo passa pelo Estreito de Ormuz, o bloqueio prolongado deve afetar principalmente economias asiáticas

19 mar, 2026
Navios no Estreito de Ormuz | Reprodução/X/@sputnik_brasil
Navios no Estreito de Ormuz | Reprodução/X/@sputnik_brasil

Em comunicado conjunto divulgado nesta quinta-feira (19), os governos do Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Holanda e Japão anunciaram que estão dispostos a juntar esforços para quebrar o bloqueio iraniano do Estreito de Ormuz. No comunicado, os países afirmaram que irão tomar medidas para estabilizar o mercado de energia, profundamente afetado após ataques iranianos a infraestruturas no Golfo Pérsico.

A declaração ocorre após os países terem rejeitado o pedido de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, de enviar navios militares para o Estreito de Ormuz. Trump criticou os países europeus e o secretário de Guerra americano, Pete Hegseth, chamando os países de “ingratos”.

Entenda a importância do Estreito de Ormuz

O Estreito de Ormuz fica localizado entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, possui 50 km de largura e aproximadamente 33 km em seu ponto mais estreito. Esse pequeno canal marítimo é a principal rota de escoamento do petróleo produzido pelos países membros da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), que inclui países como Arábia Saudita, Irã, Emirados Árabes, Kuwait e Iraque.

Cerca de um quinto do petróleo que é consumido globalmente passa pelo canal, cerca de 200 milhões de barris passam pelo Estreito de Ormuz diariamente com destino à região Ásia-Pacífico. Cerca de 82% de todo o carregamento de óleo que passa pelo canal é destinado a países como China, Índia, Japão e Coreia do Sul. No entanto, o petróleo produzido na região também tem grande impacto nos mercados norte-americanos e europeus.


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Mapa do Estreito de Ormuz (Foto: reprodução/X/@MarioBeteta)


Segundo um relatório publicado no ano passado pela Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos (EIA, sigla em inglês), o bloqueio do Estreito de Ormuz pode reter de 20% a 25% do petróleo exportado no mundo todo, causando alta nos preços de diversas commodities.

As consequências do bloqueio do Estreito de Ormuz

As consequências primárias da interrupção logística no Oriente Médio são a alta na cotação do barril de petróleo tipo Brent, usado como referência no mercado global. Especialistas calculam que o preço do barril poderá alcançar preços entre US$ 100 e US$ 130.

A disparada dos preços causa uma inflação energética que impacta as cadeias produtivas globais, causando o encarecimento da logística de distribuição e manufatura. Países asiáticos como China, Índia, Japão e Coreia do Sul, que consomem a maior parte do petróleo que passa pelo estreito, devem sofrer impactos imediatos em sua atividade industrial.

No Brasil, apesar da exportação do petróleo líquido, os custos dos derivados devem sofrer impactos. O setor agropecuário também deve ser impactado, o bloqueio pode causar o encarecimento de fertilizantes e agentes defensivos importados do Golfo Pérsico.


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Máquina de extração de petróleo (Foto: reprodução/X/@LeoKasura)


Com o conflito entre Irã, Estados Unidos e Israel sem um fim à vista e a manutenção do bloqueio iraniano ao Estreito de Ormuz, o risco de intervenções diretas por outros países aumenta. Adicionalmente, o prolongamento do bloqueio deve causar prejuízos comerciais ao Irã cuja economia é majoritariamente composta pela exportação marítima de hidrocarbonetos para países asiáticos.

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