EUA pedem redução de tarifa para carros durante negociação com Brasil

Representantes brasileiros pediram que os EUA explicassem de forma detalhada quais categorias de veículos pretendiam incluir na proposta

03 jul, 2026
Carros circulam em ponte | Reprodução/Agência Brasil/Fernando Frazão
Carros circulam em ponte | Reprodução/Agência Brasil/Fernando Frazão

Os acordos comerciais entre o Brasil e os Estados Unidos para tentar evitar a aplicação de uma tarifa adicional sobre produtos brasileiros tiveram um novo capítulo sem solução. Durante as reuniões entre representantes dos dois países, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) pediu a diminuição da tarifa brasileira aplicada à importação de veículos fabricados no país norte-americano. Mesmo com esse pedido, o governo brasileiro teve problemas técnicos e jurídicos que impediram o avanço das negociações.

Brasil contesta pedido

Os representantes do governo brasileiro explicaram que o grupo de veículos citado pelo governo norte-americano é grande e engloba diversos produtos, como automóveis elétricos, híbridos, movidos a combustão, além de veículos de passeio e utilitários. Por isso, pediram que os Estados Unidos verificassem um segmento mais específico dentro das regras do comércio internacional para permitir uma análise mais detalhada da proposta.

Os relatos das negociações indicam que esse grupo tarifário não foi definido. Em uma das reuniões, a equipe brasileira afirmou que uma redução geral da tarifa de importação poderia ser benéfica principalmente para veículos produzidos na China, que estariam presentes no mercado brasileiro com preços mais competitivos, sem aumentar as vendas de automóveis fabricados nos Estados Unidos.


EUA avalia tarifas para carros no Brasil (Foto: reprodução/X/@CNNEconomia)


Com essa questão, o governo norte-americano começou a defender a redução apenas para os veículos produzidos nos Estados Unidos, mantendo as tarifas para automóveis de outras origens.

Regras impedem acordo

O governo brasileiro não aceitou essa possibilidade, afirmando que a medida não está de acordo com as normas da Organização Mundial do Comércio (OMC). Os negociadores afirmam que a chamada cláusula da nação mais favorecida determina que qualquer benefício tarifário dado a um país deve ser estendido para os demais parceiros comerciais, impedindo que os Estados Unidos recebessem um tratamento exclusivo.

Além disso, integrantes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e do Itamaraty disseram que, mesmo que o governo aceitasse uma redução limitada aos produtos norte-americanos, a ação poderia ser contestada judicialmente por importadores de veículos de outros países. Se isso acontece, empresas poderiam entrar na Justiça para pedir que o mesmo benefício tarifário a automóveis de outras origens fosse estendido.

As negociações sobre esse ponto estão paradas, pois ainda não houve um acordo. Por enquanto, não houve avanço nas negociações para um acordo antes do prazo determinado pelo governo norte-americano para a possível aplicação das novas tarifas sobre produtos brasileiros.

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