Brasil responde críticas dos EUA sobre comércio e tenta evitar tarifa

Documento reúne argumentos que visam contestar as acusações feitas pelo governo norte-americano e defender as políticas adotadas pelo governo brasileiro

03 jul, 2026
Presidente Lula | Reprodução/Agência Brasil/Marcelo Camargo
Presidente Lula | Reprodução/Agência Brasil/Marcelo Camargo

O governo brasileiro enviou uma resposta oficial aos Estados Unidos para contestar as acusações de atividades comerciais consideradas desleais pelo Escritório do Representante de Comércio norte-americano. O documento foi assinado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e rebate os principais pontos trazidos pela investigação realizado pelo governo de Donald Trump, que pode resultar na aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros.

Segudo o Brasil, diversos temas mencionados pelos norte-americanos como o PIX e decisões do Supremo Tribunal Federal, não estão relacionados com comércio internacional e envolvem atividades de política interna.

Brasil rebate críticas

O governo brasileiro respondeu com argumentos que protestam contra as acusações relacionadas ao sistema de pagamento PIX, às decisões judiciais que envolvem plataformas digitais, aos acordos comerciais e às políticas de combate à corrupção. Sobre o PIX, o governo afirma que o sistema é uma infraestrutura pública aberta a empresas nacionais e estrangeiras que cumprem os requisitos de participação, destacando que companhias norte-americanas já operam normalmente dentro desse ambiente.

Sobre as decisões do Supremo Tribunal Federal envolvendo as redes sociais, o documento afirma que as determinações aconteceram em processos judiciais regulares, que envolvem proteção da integridade eleitoral, investigações criminais e garantia de direitos fundamentais. O governo também diz que o sigilo dessas decisões está dentro da legislação brasileira e não representa outro tipo de tratamento contra empresas dos Estados Unidos.


Brasil responde os Estados Unidos sobre práticas comerciais (Vídeo: reprodução/X/@g1)


O protesto também responde às críticas sobre acordos tarifários com México e Índia, defendendo que essas atividades seguem normas reconhecidas pela Organização Mundial do Comércio e são parte das regras aplicadas aos integrantes do Mercosul.

Documento apresenta argumentos

O governo brasileiro também protestou contra as críticas sobre o mercado de etanol, a proteção da propriedade intelectual, o combate à corrupção e o desmatamento ilegal. Sobre o etanol, o governo afirma que a tarifa aplicada pelo Brasil não discrimina produtos norte-americanos, sendo permitida para todos os países que não possuem acordos preferenciais.

Na questão da propriedade intelectual, o texto destaca que o próprio governo dos Estados Unidos reconheceu os avanços que o Brasil teve, como melhorias na análise de patentes e no combate a pirataria.

Em relação ao combate à corrupção, o governo argumenta que o país utiliza métodos baseados na legislação nacional e em convenções internacionais concentradas na prevenção desse tipo de crime.

O texto aborda como último ponto o desmatamento ilegal, informando que, desde 2023, o país se dedica em aumentar recursos para órgãos de fiscalização, ampliação das operações em campo, fortalecimento do monitoramento por satélite e crescimento dos investimentos públicos para proteção ambiental. O governo justifica que esses pontos evidenciam que as críticas dos Estados Unidos não justificam a adoção das tarifas propostas.

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