Governo articula votação para destravar novo teto do MEI

Palácio do Planalto tenta barrar alterações no Simples Nacional para evitar impacto de 40 bilhões de reais e garantir o avanço do projeto até 2028

02 jul, 2026
Logotipos Federais | Reprodução: Instagram/@folhaagora
Logotipos Federais | Reprodução: Instagram/@folhaagora

Líderes governistas intensificaram negociações com congressistas em Brasília para impedir que modificações no Simples Nacional entrem na proposta do novo limite do Microempreendedor Individual (MEI), visando aprovar a toque de caixa apenas a elevação do teto de faturamento anual de 81 mil para 140 mil reais até 2028, já que a equipe econômica identificou um risco fiscal bilionário caso os dois regimes sofram alterações simultâneas antes do recesso.

Rombo fiscal preocupa equipe econômica

A principal barreira para a unificação das propostas reside no cálculo técnico realizado pelo Ministério da Fazenda. Segundo os relatórios internos, permitir a flexibilização das faixas de transição para micro e pequenas empresas geraria uma perda de arrecadação imediata de até 40 bilhões de reais, comprometendo as metas de equilíbrio das contas públicas do governo federal.

Para mitigar esse risco, articuladores políticos decidiram focar exclusivamente nos trabalhadores autônomos, cuja renúncia fiscal é considerada administrável dentro do orçamento planejado. A estratégia consiste em blindar o texto original de emendas parlamentares que tentem estender o benefício para empresas de maior porte neste momento.

Acordo propõe fatiamento de propostas

Representantes do Executivo negociam a aprovação célere da matéria voltada ao MEI em troca do envio de um projeto de lei complementar exclusivo para tratar do Simples Nacional no segundo semestre. Essa promessa de debate posterior serve como moeda de troca para convencer os parlamentares da base e da oposição a retirarem os destaques que travam a pauta.


Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que apoia o aumento do limite dos MEIs (Vídeo: reprodução/YouTube/@CNNbrasil)


Com o faturamento máximo congelado há anos, a categoria dos microempreendedores sofre com os efeitos da inflação, o que torna a aprovação do texto uma prioridade política antes do período de férias do Legislativo. O desmembramento permite que o governo entregue um aceno positivo ao setor produtivo sem disparar um gatilho de despesa permanente.

Impacto real para os trabalhadores

Caso a articulação seja bem-sucedida, milhões de profissionais regularizados ao redor do país conseguirão expandir seus negócios e emitir mais notas fiscais sem o medo de serem excluídos sumariamente do regime simplificado. A transição gradual prevista até 2028 garante fôlego financeiro para quem atua na informalidade ou no limite das regras atuais.

Por outro lado, o segmento de microempresas precisará aguardar o desenrolar das conversas após as eleições municipais. Entidades setoriais continuam pressionando o Congresso, alegando que adiar a revisão tributária sufoca o crescimento econômico regional, transformando o Palácio do Planalto no centro de uma queda de braço que está longe de terminar.

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