Barcelona registra 128 detidos após tumultos com saques e incêndios
Tumultos no centro da cidade espanhola deixaram estabelecimentos comerciais depredados e policiais feridos; convocação circulou pelas redes sociais
Uma concentração no centro de Barcelona, na Espanha, terminou em episódios de violência, saques e incêndios na noite de sábado (24). Segundo as autoridades catalãs, 128 pessoas foram detidas após grupos de jovens provocarem danos a estabelecimentos comerciais e ao mobiliário urbano nas imediações da Praça da Catalunha.
O balanço divulgado no domingo (25) contabilizou 23 estabelecimentos vandalizados ou saqueados e 33 incêndios. Quinze policiais ficaram feridos, quatro deles com lesões graves. Entre os detidos, 72 eram menores de idade, de acordo com os Mossos d’Esquadra, a polícia da Catalunha.
A concentração reuniu centenas de pessoas e foi convocada por meio das redes sociais. Muitos dos envolvidos estavam vestidos de preto e usavam capuzes ou outras formas de cobrir o rosto. Durante os distúrbios, grupos quebraram vitrines, incendiaram contêineres e lixeiras e lançaram objetos contra agentes de segurança.
Convocação nas redes sociais antecedeu os tumultos
A mobilização foi divulgada na internet com referências ao lema “contra o sistema” e ao nome Instituts Indignats, inspirado no movimento estudantil francês Lycéens Indignés. A convocação circulou principalmente pelas redes sociais, e a concentração chegou a reunir cerca de 600 pessoas, segundo informações divulgadas pela imprensa espanhola.
Os episódios de violência começaram no início da noite, quando grupos passaram a danificar estruturas públicas e estabelecimentos comerciais na região central. Com a intervenção dos Mossos d’Esquadra, os participantes se dispersaram pelas ruas próximas à praça, onde os confrontos continuaram.
A polícia realizou detenções e atuou para dispersar os grupos e controlar os focos de incêndio. Os danos também atingiram motocicletas, bicicletas, pontos de ônibus e outros elementos do espaço público.
🚨 Aldarulls al centre de Barcelona en el marc d’una protesta convocada per suposats estudiants a través de les xarxes socials
🚔 Els Mossos han efectuat càrregues per dispersar els concentrats i alguns esvalotadors han fet destrosses a vehicles, comerços i mobiliari urbà https://t.co/W3jLbZRjoi
— RTVE Notícies (@rtvenoticies) October 24, 2026
Registros das ações ocorridas em Barcelona (Vídeo: reprodução/X/@rtvenoticies)
Saques obrigam lojas a fechar as portas
Os ataques a estabelecimentos comerciais levaram lojistas a fechar as portas para tentar proteger funcionários, clientes e mercadorias. Imagens divulgadas nas redes sociais mostraram vitrines quebradas, incêndios nas ruas e pessoas retidas dentro de lojas após o fechamento das entradas.
De acordo com os dados divulgados pelas autoridades, 23 estabelecimentos foram vandalizados ou saqueados. Os bombeiros também atenderam a dezenas de ocorrências relacionadas a incêndios em espaços públicos.
A Praça da Catalunha e as ruas próximas tiveram os acessos restringidos durante a operação policial. A movimentação afetou uma região de grande circulação de moradores, turistas e consumidores, especialmente movimentada aos fins de semana.
Autoridades condenam violência e prometem medidas legais
O prefeito de Barcelona, Jaume Collboni, condenou os atos de vandalismo e afirmou que o município buscará responsabilizar os envolvidos pelos prejuízos causados. O prefeito também mencionou possíveis consequências legais e financeiras para os responsáveis por menores de idade envolvidos nos episódios.
O presidente da Generalitat da Catalunha, Salvador Illa, também repudiou os ataques, mas ressaltou a diferença entre o direito de manifestação e a prática de atos violentos. A conselheira do Interior da região, Núria Parlon, classificou os acontecimentos como episódios de violência e vandalismo.
As autoridades catalãs também procuraram distinguir os distúrbios das manifestações pacíficas realizadas em outras cidades europeias. Embora a convocação em Barcelona tenha circulado com referências a mobilizações estudantis, Parlon afirmou que os envolvidos nos tumultos não estavam vinculados às reivindicações habituais desses protestos.
A investigação busca esclarecer as circunstâncias da mobilização e identificar os responsáveis pelos ataques. O caso ocorre em meio a outras manifestações na Europa relacionadas a questões sociais, mas as autoridades não trataram os episódios de Barcelona como uma extensão direta dessas mobilizações.
