Estudo sugere fenômeno inédito envolvendo duas estrelas
Uma “supernova” ocorre quando uma estrela morre e causa uma grande explosão, sendo poderosa ao ponto de ofuscar a luz de uma galáxia inteira
Um estudo publicado nesta terça-feira (20) na revista científica “Nature Communications” sugere que duas estrelas que viveram juntas por milhões de anos podem ter encerrado sua jornada se tornando supernovas. Esse evento nunca foi observado anteriormente. O estudo encontrou restos dessas explosões e sugere que ambas foram causadas pelas mortes de duas estrelas que faziam parte de um mesmo sistema.
Entendendo uma supernova
Uma supernova ocorre quando uma estrela chega ao fim de sua vida. O combustível que sustenta a estrela acaba, fazendo-a perder o equilíbrio que a sustentava e, por fim, a estrela desaba sobre si mesma. Esse evento, onde a estrela colapsa, pode ser tão forte que pode ofuscar momentaneamente o brilho de uma galáxia inteira.

Restos da supernova, com raios gama coletados ao longo de 16 anos (Foto: reprodução/NASA Goddard Space Flight Center and M. Michailidis et al. 2026)
A jornada até a descoberta sobre as duas estrelas
Para compreender o fenômeno, cientistas analisaram a região onde se localizam IC 443, também chamada de Nebulosa de Água-viva, e G189.6+3.3. Ambos estão localizados a 6 mil anos-luz de distância do planeta Terra. Os cientistas tinham dúvidas se as estruturas somente pareciam estar próximas ou se de fato havia uma ligação entre as duas.
A investigação reuniu 16 anos de observações do telescópio espacial Fermi, um observatório da NASA lançado em 2008, cruzando com dados de imagens feitas em tipos de luzes diferentes. Os resultados indicaram que ambas as estrelas se tornaram supernovas em momentos distintos. Miltiadis Michailidis, pesquisador de Stanford e autor do estudo, concedeu uma entrevista para o G1, onde falou sobre o estudo.
“Foi um momento realmente empolgante. No início, estávamos apenas tentando entender a natureza de uma estrutura muito tênue que permanecia escondida ao lado da muito mais brilhante IC 443.”
Um dos pontos mais relevantes desse estudo é que ele reforça que duas estrelas podem nascer juntas e formar um sistema binário, nome dado pelos astrônomos a pares de estrelas ligados pela gravidade. As explosões que resultaram nas supernovas ocorreram em momentos distintos. A estrela cuja explosão resultou em G189.6+3.3 pode ter explodido entre 20 a 100 mil anos antes de IC 443. Mesmo que nasçam juntas, duas estrelas podem evoluir de maneiras e velocidades diferentes. Uma pode “morrer”, enquanto a outra continua viva por até milhões de anos. No entanto, os pesquisadores queriam ter certeza de que esse caso realmente ocorreu.
Os pesquisadores fizeram simulações de 1 milhão de sistemas binários para chegar a uma conclusão. Segundo o autor da pesquisa, quanto mais as evidências iam se acumulando, mais era perceptível que ambos os objetos tinham uma ligação entre si. Os resultados das simulações mostram que estrelas binárias podem produzir supernovas separadas por milhares de anos e deixar restos próximos.
Mesmo com evidências tão fortes, os pesquisadores ainda tratam o sistema como candidato. Serão necessárias mais observações para definir se esses restos de supernova vieram de duas estrelas que viveram juntas. Caso tudo isso seja verificado, será uma descoberta que poderá ajudar a compreender como grandes estrelas se comportam ao viverem juntas.
