Super El Niño ganha força e acende alerta climático global

Aquecimento no Pacífico Equatorial acendeu o alerta global sobre a possibilidade de um El Niño com potencial de grandes impactos globais

23 maio, 2026
Imagem via satélite das alterações oceânicas captadas pela National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) | Reprodução/ Instagram/@noaa
Imagem via satélite das alterações oceânicas captadas pela National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) | Reprodução/ Instagram/@noaa

O avanço acelerado do aquecimento no Oceano Pacífico Equatorial aumentou significativamente os sinais de formação de um novo episódio de El Niño, fenômeno climático capaz de alterar regimes de chuva, temperatura e circulação atmosférica em diferentes partes do planeta. Os dados mais recentes da National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) reforçaram o cenário e levaram o órgão norte-americano a elevar o nível de atenção climática para “El Niño Watch”, estágio que indica condições favoráveis ao desenvolvimento do fenômeno nos próximos meses.

Segundo atualização divulgada pelo Centro de Previsão Climática (CPC) da NOAA em 18 de maio, os modelos meteorológicos passaram a demonstrar maior convergência sobre a formação do evento entre maio e julho de 2026. A probabilidade estimada atualmente chega a 82% para esse período.

O dado mais expressivo, porém, aparece nas projeções para o verão do Hemisfério Sul. Entre dezembro de 2026 e fevereiro de 2027, a chance de permanência do El Niño alcança 96%, ampliando preocupações sobre possíveis impactos climáticos globais e efeitos diretos na agricultura, nos recursos hídricos e na dinâmica econômica de diversos países.

Pacífico apresenta aquecimento consistente

A mudança no cenário climático global está diretamente ligada ao comportamento recente das águas do Pacífico Equatorial. Os relatórios da NOAA mostram avanço contínuo das anomalias positivas de temperatura em praticamente todas as regiões monitoradas.

Na região conhecida como Niño 3.4, principal indicador usado internacionalmente para caracterizar o fenômeno, o índice atingiu +0,5°C – patamar considerado referência para condições compatíveis com El Niño. O aquecimento também se intensificou em áreas centrais e orientais do oceano, comportamento típico observado nos estágios iniciais de eventos mais estruturados.

Os dados mais recentes apontam os seguintes desvios de temperatura:

  • Niño 4: +0,6°C
  • Niño 3.4: +0,5°C
  • Niño 1+2: +1,3°C

Embora os números pareçam pequenos, variações dessa magnitude possuem enorme capacidade de reorganizar padrões atmosféricos em escala planetária. O oceano funciona como uma engrenagem térmica da atmosfera terrestre. Quando o Pacífico aquece de forma persistente, altera a circulação dos ventos, interfere na formação de nuvens e redistribui áreas de seca e chuva intensa.

Calor abaixo da superfície preocupa meteorologistas

Especialistas consideram ainda mais relevante o comportamento das águas subsuperficiais do Pacífico. Segundo a NOAA, o conteúdo de calor abaixo da superfície aumentou pelo sexto mês consecutivo, indicando acúmulo expressivo de energia térmica no oceano.

Esse processo costuma anteceder episódios mais organizados de El Niño porque o calor armazenado em profundidade tende a subir gradualmente e alimentar o aquecimento superficial nas semanas seguintes.


Fenômeno El Niño acende alerta global da possibilidade de grandes desastres naturais (Vídeo:reprodução/YouTube/@jornaldarecord)


Outro fator monitorado é a atuação das chamadas ondas Kelvin – grandes pulsos oceânicos que transportam água mais quente em direção ao leste do Pacífico. Desde o fim de 2025, essas ondas vêm reforçando as anomalias positivas registradas na região.

A combinação entre aquecimento superficial e calor subsuperficial fortaleceu a percepção entre meteorologistas de que o fenômeno deixou de ser apenas uma possibilidade distante.

Brasil pode enfrentar mudanças no regime de chuvas

No Brasil, episódios de El Niño costumam produzir efeitos bastante conhecidos. Historicamente, o fenômeno favorece aumento das chuvas no Sul do país, enquanto partes do Norte e do Nordeste tendem a enfrentar períodos mais secos e temperaturas elevadas.

Além disso, eventos mais intensos podem influenciar diretamente o agronegócio, a geração hidrelétrica, o abastecimento de água e até o comportamento de preços ligados à produção agrícola.

O meteorologista Alexandre Nascimento, da Nottus, afirmou à CNN Brasil que o inverno de 2026 tende a ser menos rigoroso em comparação ao do ano anterior, justamente por causa da formação do El Niño. Segundo ele, massas de ar frio ainda devem avançar durante o fim do outono e o início do inverno, mas julho e agosto apresentam tendência de temperaturas acima da média.

A intensidade máxima do fenômeno ainda permanece indefinida. Mesmo assim, os modelos mais recentes já trabalham com aproximadamente dois terços de chance de um evento forte ou muito forte entre novembro de 2026 e janeiro de 2027. Na prática, o planeta entra novamente em estado de vigilância climática.

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