Eclipse solar total escurece céu no Hemisfério Norte
Fenômeno raro atravessou Ártico, Groenlândia, Islândia, Espanha e Portugal e transformou o dia em noite por até dois minutos em trechos da rota
Um eclipse solar total cruzou o Hemisfério Norte nesta quarta-feira (12), cobrindo partes do Ártico, da Groenlândia, da Islândia, do norte da Espanha e de um pequeno trecho de Portugal em escuridão repentina. O fenômeno aconteceu quando a Lua se posicionou exatamente entre a Terra e o Sol, encobrindo por completo o disco solar ao longo de uma faixa estreita da superfície terrestre, e despertou grande interesse porque não era observado na Europa continental havia mais de duas décadas.
Rota cruza regiões polares
A sombra da Lua percorreu cerca de 8,3 mil quilômetros, começando pela costa siberiana, próxima à Península de Taimyr, e seguindo em direção ao Polo Norte antes de descer rumo ao Atlântico. Dali, o trajeto avançou pela costa leste da Groenlândia, tocou a ponta noroeste da Islândia e cruzou o oceano até alcançar terras espanholas e portuguesas, encerrando o espetáculo nas Ilhas Baleares.
Por alguns instantes, o dia virou noite em algumas partes da Europa (Vídeo: Reprodução/YouTube/@@CNNbrasil)
A duração da totalidade variou bastante conforme o ponto de observação. Em regiões próximas ao centro da faixa, como áreas do Atlântico Norte perto da Islândia, o breu durou cerca de dois minutos e dezoito segundos. Já no norte da Espanha, onde o Sol já estava baixo no horizonte no fim da tarde, o intervalo de escuridão total não passou de vinte segundos, criando um efeito de anoitecer súbito pouco antes do pôr do sol.
Cientistas aproveitam o fenômeno
Além do espetáculo visual, o eclipse serviu como laboratório a céu aberto para pesquisadores. Equipes ligadas à Nasa acompanharam a sombra lunar a bordo de um avião de pesquisa de alta altitude, enquanto grupos de estudantes universitários lançaram balões estratosféricos na Islândia e na Espanha para registrar imagens da coroa solar, a camada mais externa e tênue da atmosfera do Sol, normalmente ofuscada pelo brilho intenso do astro.
Parte dessas iniciativas buscou reproduzir, de forma simbólica, um experimento realizado em 1919 durante outro eclipse total, quando astrônomos comprovaram que a gravidade do Sol é capaz de curvar a luz de estrelas distantes, uma confirmação histórica da teoria da relatividade geral formulada por Albert Einstein. Observadores amadores também foram incentivados a montar instrumentos simples para medir alterações de temperatura e luminosidade no momento em que o céu escureceu.
Quem ficou de fora também acompanhou
Moradores de boa parte da Europa, do norte da África e de regiões do Canadá e dos Estados Unidos, do Alasca até a Carolina do Norte, puderam ver ao menos um eclipse parcial, com a Lua cobrindo apenas uma fatia do Sol. Já o Brasil não teve nenhuma visibilidade do fenômeno, nem mesmo de forma parcial, já que o país ficou fora de toda a área de sombra projetada pela Lua sobre o planeta.
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Vídeo mostra o momento em que o eclipse solar atinge sua totalidade na Espanha (Vídeo: Reprodução/Instagram/@exame)
Para quem estava fora do alcance direto, a alternativa foi acompanhar transmissões ao vivo. Observatórios e emissoras internacionais, incluindo cobertura da própria Nasa, exibiram imagens em tempo real da trajetória da sombra lunar, com direito a entrevistas com astrônomos e explicações sobre cada etapa do fenômeno, do início da fase parcial até o encerramento total do espetáculo no fim da tarde europeia.
Próximo evento chega em 2027
Eclipses solares totais como o desta quarta-feira são considerados raros justamente porque exigem um alinhamento muito preciso entre Lua, Terra e Sol, visível apenas em faixas estreitas do planeta a cada ocorrência. O último evento desse tipo havia acontecido em abril de 2024, quando a totalidade cruzou México, Estados Unidos e Canadá, atraindo multidões de turistas e cientistas para as áreas de melhor visibilidade.
A próxima oportunidade de presenciar um eclipse solar total já tem data marcada: 2 de agosto de 2027. Dessa vez, a faixa de totalidade passará pelo sul da Espanha, pelo norte da África, pela Arábia Saudita e pelo Iêmen, reunindo condições que, segundo especialistas, devem facilitar a observação em regiões com clima historicamente mais seco e céu aberto na época do ano.
