Cidades podem sentir aquecimento muito acima da média global, alerta nova pesquisa
Estudo internacional aponta que áreas urbanas podem aquecer bem mais que regiões rurais, agravando ondas de calor e impactos à saúde mesmo com metas climáticas globais
Um estudo científico recente acende um novo alerta sobre os efeitos das mudanças climáticas nas áreas urbanas. Pesquisadores identificaram que, em grande parte das cidades analisadas, o aumento das temperaturas pode ocorrer de forma mais intensa do que o previsto pelas médias globais, ampliando os riscos para a população urbana. A análise avaliou mais de cem cidades localizadas em regiões tropicais e subtropicais e mostrou que fatores locais, como urbanização acelerada, pouca arborização e características climáticas regionais, influenciam diretamente o aquecimento nos centros urbanos.
Ilha de calor intensifica noites quentes
O fenômeno conhecido como ilha de calor urbana explica grande parte desse aquecimento acelerado. Materiais como concreto, vidro e asfalto absorvem grande quantidade de energia solar durante o dia e liberam esse calor lentamente à noite. Com menos vegetação e circulação de ar reduzida, as cidades acabam mantendo temperaturas elevadas por mais tempo, especialmente após o pôr do sol.
Esse cenário contribui para o aumento de noites abafadas, o que afeta o sono da população e eleva o consumo de energia elétrica com ventiladores e aparelhos de ar-condicionado. Além disso, períodos prolongados de calor extremo estão associados a problemas respiratórios, desidratação e agravamento de doenças cardiovasculares, pressionando os sistemas de saúde.

Calor excessivo (Foto: reprodução/X/@metsul)
Cidades brasileiras sentem efeitos menores
No Brasil, o estudo aponta que algumas cidades apresentam um aquecimento urbano menos intenso do que o registrado em regiões altamente urbanizadas da Ásia e do Oriente Médio. A maior presença de vegetação e a umidade típica de parte do território brasileiro ajudam a reduzir a intensidade do calor. Ainda assim, os pesquisadores alertam que isso não significa ausência de risco.
O aumento contínuo da temperatura média pode ampliar a frequência de ondas de calor e eventos extremos, principalmente se houver expansão urbana sem planejamento. A pesquisa também ressalta que o crescimento das cidades, não considerado nas projeções, pode intensificar ainda mais o aquecimento local nas próximas décadas. Diante desse cenário, especialistas defendem políticas públicas voltadas à adaptação climática, como ampliação de áreas verdes, incentivo a construções mais sustentáveis e planejamento urbano integrado. Medidas desse tipo podem reduzir os impactos do calor e melhorar a qualidade de vida da população urbana em um planeta cada vez mais quente.
