Cidades podem sentir aquecimento muito acima da média global, alerta nova pesquisa

Estudo internacional aponta que áreas urbanas podem aquecer bem mais que regiões rurais, agravando ondas de calor e impactos à saúde mesmo com metas climáticas globais

08 fev, 2026
Calor excessivo| Reprodução/@otempo
Calor excessivo| Reprodução/@otempo

Um estudo científico recente acende um novo alerta sobre os efeitos das mudanças climáticas nas áreas urbanas. Pesquisadores identificaram que, em grande parte das cidades analisadas, o aumento das temperaturas pode ocorrer de forma mais intensa do que o previsto pelas médias globais, ampliando os riscos para a população urbana. A análise avaliou mais de cem cidades localizadas em regiões tropicais e subtropicais e mostrou que fatores locais, como urbanização acelerada, pouca arborização e características climáticas regionais, influenciam diretamente o aquecimento nos centros urbanos.

Ilha de calor intensifica noites quentes

O fenômeno conhecido como ilha de calor urbana explica grande parte desse aquecimento acelerado. Materiais como concreto, vidro e asfalto absorvem grande quantidade de energia solar durante o dia e liberam esse calor lentamente à noite. Com menos vegetação e circulação de ar reduzida, as cidades acabam mantendo temperaturas elevadas por mais tempo, especialmente após o pôr do sol.

Esse cenário contribui para o aumento de noites abafadas, o que afeta o sono da população e eleva o consumo de energia elétrica com ventiladores e aparelhos de ar-condicionado. Além disso, períodos prolongados de calor extremo estão associados a problemas respiratórios, desidratação e agravamento de doenças cardiovasculares, pressionando os sistemas de saúde.


X/@metsul

Calor excessivo (Foto: reprodução/X/@metsul)


Cidades brasileiras sentem efeitos menores

No Brasil, o estudo aponta que algumas cidades apresentam um aquecimento urbano menos intenso do que o registrado em regiões altamente urbanizadas da Ásia e do Oriente Médio. A maior presença de vegetação e a umidade típica de parte do território brasileiro ajudam a reduzir a intensidade do calor. Ainda assim, os pesquisadores alertam que isso não significa ausência de risco.

O aumento contínuo da temperatura média pode ampliar a frequência de ondas de calor e eventos extremos, principalmente se houver expansão urbana sem planejamento. A pesquisa também ressalta que o crescimento das cidades, não considerado nas projeções, pode intensificar ainda mais o aquecimento local nas próximas décadas. Diante desse cenário, especialistas defendem políticas públicas voltadas à adaptação climática, como ampliação de áreas verdes, incentivo a construções mais sustentáveis e planejamento urbano integrado. Medidas desse tipo podem reduzir os impactos do calor e melhorar a qualidade de vida da população urbana em um planeta cada vez mais quente.

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