Seca reduz nível do Cantareira e ameaça abastecimento em SP
Forte estiagem em grande parte do estado de São Paulo fez o Sistema Cantareira atingir níveis críticos de água, elevando o risco de impacto no abastecimento da capital
O volume de água armazenado no Sistema Cantareira, responsável por parte do abastecimento de São Paulo e da região metropolitana, atingiu nesta semana valores preocupantemente baixos, consequência de uma seca histórica que atinge a maior metrópole do país. Autoridades estaduais e operadoras de água alertam que, se as chuvas não retornarem com intensidade nos próximos meses, a escassez pode comprometer o fornecimento de água para milhões de pessoas ao longo de 2026, forçando a adoção de medidas emergenciais de racionamento ou contingenciamento.
Níveis críticos no Sistema Cantareira
Segundo dados mais recentes da Sabesp e do Comitê de Monitoramento do Sistema Cantareira, o volume útil do reservatório caiu para patamares que não eram registrados há anos. A situação reflete um ciclo de chuvas abaixo da média em toda a bacia hidrográfica que alimenta o sistema, combinado com altas temperaturas e demanda crescente por água potável na maior região metropolitana do país.
Especialistas em recursos hídricos classificam o momento como crítico, não apenas pelo baixo nível de preservação, mas também pela sequência de meses secos que reduzem a capacidade de recuperação natural dos mananciais.
Visão panorâmica do Sistema Cantareira durante a seca (Foto: reprodução/Getty Images Embed/Nelson Almeida)
O Cantareira atende a uma significativa parcela da população da cidade de São Paulo e cidades vizinhas, e a queda no volume armazenado acende alertas sobre possíveis restrições de fornecimento se as condições climáticas adversas persistirem. A Sabesp já informou que estuda medidas de curto prazo, que podem incluir redução de pressão em redes, campanhas de uso racional de água e acionamento de sistemas complementares para reforçar o abastecimento.
Autoridades estimam que, em um cenário de continuidade da estiagem, bairros mais periféricos e regiões com reservatórios menores podem sentir os efeitos de forma mais rápida, com maiores riscos de desabastecimento intermitente.
Causas da seca e mudanças climáticas
A combinação de um padrão prolongado de baixa precipitação, associada a temperaturas acima da média histórica, intensificou o processo de evaporação nos reservatórios do Cantareira, agravando o quadro de escassez. Técnicos que monitoram os níveis hídricos destacam que eventos como o atual se tornam mais frequentes em um contexto de mudanças climáticas, que alteram os padrões de chuva e aumentam a variabilidade climática na região Sudeste.
Meteorologistas também alertam que a previsão de chuvas para os próximos meses ainda é incerta e depende da atuação de fenômenos climáticos como o El Niño, cuja intensidade e duração podem influenciar diretamente o retorno de precipitações significativas.
Podcast da BBC News Brasil sobre fenômeno El Niño (Vídeo: reprodução/YouTube/BBC News)
Possíveis cenários para 2026
Especialistas afirmam que o avanço do período seco, sem uma recuperação significativa dos níveis de chuva, pode empurrar o Cantareira a patamares ainda menores, forçando adoção de planos emergenciais mais rígidos no abastecimento urbano. Em um cenário mais extremo, a capital paulista e municípios vizinhos teriam de revezar a oferta de água em horários específicos ou ativar sistemas suplementares que normalmente são utilizados apenas em momentos de crise.
Por outro lado, um retorno antecipado das chuvas acima da média poderia aliviar a pressão sobre os reservatórios e aumentar a chance de recuperação gradual do sistema ao longo do primeiro semestre de 2026.
