Brasileira transforma tecnologia de guerra para tratar crianças com câncer

Tecnologia criada para a segurança de soldados agora é estudada para tornar exames de crianças com câncer mais eficientes, seguros e precisos

16 set, 2026
Tratamento contra o câncer | Reprodução/Uno TV
Tratamento contra o câncer | Reprodução/Uno TV

Será que é possível uma tecnologia criada para soldados em guerra se tornar um experimento de desenvolvimento de sensores para auxiliar em exames de crianças com câncer? Para a pesquisadora brasileira Ana Cláudia Arias, é possível.

Nascida em Londrina, no Paraná, em 1973, Ana começou sua formação no Brasil em 1995, com o bacharelado em Física pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), e depois concluiu um mestrado na mesma instituição em 1997. Após sua conquista acadêmica, decidiu ir para o Reino Unido realizar um doutorado na Universidade de Cambridge, concluindo o PhD em Física em 2001.

Sensores usados em soldados em guerra

O ponto de partida da carreira de Ana foi quando passou a trabalhar com eletrônica e novos materiais. Em 2003, a brasileira se mudou para os Estados Unidos e começou a trabalhar no Palo Alto Research Center (PARC), empresa ligada à Xerox. Após sua contratação, Ana se tornou responsável pela área de eletrônica impressa, onde começou a desenvolver dispositivos eletrônicos, incluindo sensores que posteriormente seriam usados em combate.

Os sensores eram dispositivos capazes de captar qualquer informação do ambiente ou de uma pessoa, como o movimento, a luz e até a temperatura. O projeto foi rapidamente ligado aos soldados em guerra, pois existia uma preocupação em compreender o que acontecia com o corpo humano e o ambiente após uma explosão. Portanto, os sensores eram instalados nos capacetes de cada soldado e poderiam registrar informações e relatar dados que auxiliassem a identificar uma possível exposição a explosões.

No entanto, Ana notou que essa tecnologia não precisava ficar restrita apenas ao setor militar. Logo, a pesquisadora decidiu criar sua própria empresa de tecnologia voltada para a agricultura e deu um novo sentido aos sensores: monitorar as condições do campo.

Experimental no tratamento de câncer infantil

No entanto, foi apenas em 2011, em Berkeley, que Ana se envolveu com a medicina e passou a direcionar suas experiências e conhecimentos para a área da saúde.

Em alguns casos médicos, é necessário o uso da ressonância magnética, e para a realização de tal ato é preciso bastante precisão, pois o paciente deve permanecer praticamente imóvel durante a captação das imagens. Quando estamos falando de adultos, o assunto se torna menos complexo; afinal, um adulto possui mais sobriedade e coordenação sobre o seu corpo.


Tratamento contra o câncer infantil (Foto: reprodução/Getty Imagens Embed/Christophe Archambault)


No entanto, em se tratando de crianças pequenas, isso pode ser difícil, especialmente quando elas estão passando por um tratamento contra o câncer e precisam repetir o exame algumas vezes. Nesse cenário, quando uma criança se movimenta, as imagens ficam danificadas, dificultando a conclusão do exame. Portanto, em alguns casos, os médicos recorrem à anestesia geral ou à sedação para que o paciente fique imóvel durante o processo.

A partir dessa premissa, a pesquisa de Ana busca utilizar sensores para acompanhar os movimentos da criança durante a ressonância. A ideia é que os sensores identifiquem quando e quanto o paciente está se movimentando e, a partir desses dados, ajustar para que o exame seja realizado de maneira menos complexa e mais eficiente.

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