André Mendonça homologa delação premiada sobre o filme Dark Horse

André Mendonça homologa delação premiada que detalha repasses milionários do Banco Master para fundo estrangeiro responsável por financiar “Dark Horse”

09 set, 2026
André Mendonça, Ministro do STF | Reprodução/Instagram/@oficial.andremendonca
André Mendonça, Ministro do STF | Reprodução/Instagram/@oficial.andremendonca

Nesta quarta-feira (9), o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, homologou a delação premiada de Antônio Carlos Freixo Júnior, empresário conhecido como Mineiro e apontado como operador de Daniel Vorcaro. Antônio Carlos revelou detalhes cruciais sobre esquemas de transferência de recursos financeiros por meio da Entre Investimentos para o fundo Havengate, criado para financiar a produção associada ao filme “Dark Horse”, com o objetivo de esclarecer o uso de verbas suspeitas ligadas à liquidação extrajudicial do Banco Master e dimensionar o impacto político da obra audiovisual.

Engrenagem financeira e o fundo

O empresário Antônio Carlos Freixo Júnior consolidou sua posição central nas apurações conduzidas pela Polícia Federal ao firmar o acordo de colaboração com a Procuradoria-Geral da República. Conhecido no meio corporativo como Mineiro, ele administra a Entre Investimentos e Participações, apontada pelos investigadores como um canal estratégico utilizado por Daniel Vorcaro, ex-dono do extinto Banco Master, para movimentar somas expressivas de capital. De acordo com os registros reunidos na investigação, a empresa investigada recebeu dezenas de milhões de reais oriundos de fundos sob escrutínio policial, operando de forma a dar aparência de legalidade a repasses que posteriormente alimentariam projetos externos e despesas de alto perfil.


Ministro André Mendonça homologa delação de Antonio Carlos Freixo Jr., empresário ligado a repasses do Banco Master (Vídeo:reprodução/YouTube/@CNNbrasil)


A delação validada pelo Supremo Tribunal Federal destrincha os mecanismos utilizados para injetar recursos em produções culturais e fundos localizados no exterior. O fundo Havengate, sediado fora do país, recebeu aportes milionários destinados a viabilizar a cinebiografia ligada ao filme “Dark Horse”, obra focada na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro. Os investigadores detalham que a engenharia financeira montada pelo grupo envolvia parcelas sucessivas e contratos simulados de mútuo, servindo para ocultar os verdadeiros mandantes das transferências e burlar os controles fiscais tradicionais vigentes no sistema financeiro nacional.

Impacto político e desdobramentos judiciais

A validação da delação traz repercussões diretas para o cenário político nacional, uma vez que o projeto associado ao filme “Dark Horse” aborda figuras centrais da direita brasileira e envolve nomes de proeminentes lideranças políticas nas tratativas de recursos. Relatórios e mensagens interceptadas preliminarmente já apontavam tratativas diretas para a obtenção de verbas destinadas à produção cinematográfica. Com a homologação conduzida pelo ministro André Mendonça, o conteúdo fornecido por Mineiro ganha robustez jurídica probatória, permitindo que os órgãos de persecução penal avancem sobre eventuais beneficiários finais dos valores remetidos ao exterior.

Paralelamente, o ambiente no Supremo Tribunal Federal e nas agências de segurança pública permanece sob forte tensão institucional devido aos desdobramentos cruzados do inquérito do Banco Master. A delação de Freixo representa o segundo acordo substancial fechado no âmbito das apurações sobre a instituição financeira, mas destaca-se por focar especificamente na conexão entre o capital corporativo sob suspeita e a indústria do entretenimento político. À medida que novos documentos, recibos de aquisição de malas para transporte de valores e registros telemáticos são analisados pelos investigadores, o cerco se fecha em torno dos operadores financeiros que tentaram blindar a origem dos recursos aplicados na superprodução.

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