Crise política abala Rio e Cláudio Castro desiste do Senado
Alvo de consecutivas operações da Polícia Federal, o ex-governador fluminense renuncia à disputa eleitoral para focar em investigações criminais
Por meio de um comunicado oficial em suas redes sociais nesta quinta-feira (28), o ex-chefe do Executivo fluminense, Cláudio Castro (PL), confirmou a desistência de sua pré-candidatura ao Senado. Alvo de pressão por parte da cúpula do partido e enfrentando denúncias de irregularidades, o político optou por priorizar sua defesa nos tribunais e o convívio familiar, especialmente após o impacto de duas ações recentes da Polícia Federal em um intervalo inferior a duas semanas.
Anúncio oficial de Cláudio Castro na data de hoje
O cenário político fluminense sofreu um forte impacto nesta quinta-feira (28). Por meio de uma declaração em suas mídias digitais, o ex-governador Cláudio Castro oficializou sua saída da corrida eleitoral, uma decisão que redesenha completamente as projeções para a disputa ao Senado. Visivelmente abatido, Castro classificou o recuo como a decisão mais difícil de sua vida pública. O anúncio também foi comunicado ao presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto.
No pronunciamento, o ex-governador destacou o impacto dos recentes acontecimentos sobre sua família, mencionando dias de dor, exposição e o que chamou de “narrativas e meias-verdades”. Ele afirmou que sua prioridade absoluta será cuidar de sua defesa e de seus familiares. Apesar de defender a lisura de seus atos, Castro admitiu que precisará de tempo para restabelecer a verdade na Justiça.
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Pronunciamento do ex-governador (Vídeo: reprodução/Instagram/@claudiocastrorj)
Nos bastidores, o PL já considerava sua permanência insustentável devido ao desgaste jurídico. O partido agora avalia outros nomes para a chapa ao Senado, como o líder na Câmara, Sóstenes Cavalcante, e o deputado Carlos Jordy.
Operação da Polícia Federal e o cerco jurídico
O estopim para a desistência foi a intensificação de ações da Polícia Federal. Na última terça-feira (26), uma operação autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), mirou endereços ligados a Castro.
A investigação apura um suposto esquema no Rioprevidência, o fundo de pensão dos servidores estaduais. A PF aponta indícios de fraude em um aporte de quase R$ 1 bilhão em ativos ligados ao Banco Master. Os investigadores identificaram uma proximidade suspeita e jantares pagos pelo banqueiro Daniel Vorcaro a Castro, em aparente sincronia com as movimentações financeiras do fundo. A defesa do ex-governador nega categoricamente qualquer relação indevida.
Cláudio Castro é alvo de operação contra corrupção no Rio (Vídeo: reprodução/YouTube /@claudiocastrorj)
Além disso, no dia 15 de maio, Castro já havia sido alvo de buscas em um inquérito que apura favorecimentos à Refit (antiga Refinaria de Manguinhos), considerada uma das maiores devedoras de impostos do país.
Trajetória de Cláudio Castro na política fluminense
A caminhada de Cláudio Castro na vida pública teve início nos bastidores, atuando como assessor parlamentar, além de ter ganhado projeção por sua forte ligação com o movimento católico, base que o ajudou a se eleger vereador na cidade do Rio de Janeiro em 2016. Apenas dois anos depois, surfando na onda de renovação política que marcou o pleito de 2018, ele alcançou o posto de vice-governador na chapa de Wilson Witzel. Com o impeachment de Witzel em meio à crise sanitária, Castro assumiu o comando do Estado do Rio de Janeiro: primeiro de forma interina em 2020 e, no ano seguinte, em caráter definitivo.
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Castro renunciou ao cargo de governador do Estado do RJ em março (Vídeo: reprodução/Instagram/@claudiocastrorj)
Mostrando habilidade na articulação política, ele construiu uma base sólida na Alerj e liquidou a fatura da reeleição ainda no primeiro turno de 2022. Contudo, seu mandato passou a ser bombardeado por denúncias de aparelhamento da máquina estatal e abuso de poder econômico.
Às vésperas de enfrentar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em março, o político optou por deixar o cargo de governador. Mesmo com o recuo, a Corte Eleitoral decretou sua inelegibilidade por oito anos. Embora pretendesse acionar recursos judiciais para resgatar seus planos rumo ao Senado, as novas operações da Polícia Federal implodiram de vez suas pretensões eleitorais.
