Mendonça afirma presença de alto escalão dos Poderes no caso do Banco Master
STF mira em pessoas com foro privilegiado após decisão do relator permitindo investigações da Polícia Federal que mira alto escalão da República
Após o ministro André Mendonça assumir a relatoria da operação Compliance Zero no STF, a investigação avançou e agora mira, segundo o próprio relator, pessoas do alto escalão da República.
Sem tornar públicos os nomes de servidores do alto escalão da República, o ministro André Mendonça afirma em decisão que estes atuam de forma coordenada com captação ilícita e buscam influenciar a opinião pública contra agentes do Estado que investigam o caso.
Mendonça aceita solicitações da PF
As decisões do Ministro André Mendonça têm sido positivas para a Polícia Federal, que atendeu um dos principais pedidos da corporação de transferir Daniel Vorcaro de uma carceragem da PF para o sistema prisional estadual.
A decisão se baseia nas condições das carceragens estaduais serem mais duras no quesito disciplinar do que nas carceragens da Polícia Federal.
Após operação, investigação ganha novos desdobramentos (Vídeo: Reprodução/YouTube/UOL News)
Para a Polícia Federal, as decisões favoráveis de Mendonça se tornaram um alívio e uma possibilidade de avançar nas investigações após uma verdadeira queda de braço com o ministro Dias Toffoli, antigo relator do caso, que deixou o caso alegando suspeição após ser divulgada a presença do ministro no quadro societário de uma empresa com ligações com o Banco Master.
Delação premiada de Vorcaro é preparada
Agora, a Polícia Federal prepara o terreno para conduzir uma possível delação premiada de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, preso pela segunda vez em nova operação da PF.
Mesmo as discussões nesse primeiro momento sendo consideradas precoces, o fato de que na leitura da defesa de Vorcaro a saída desse caso depende exclusivamente do réu, a delação parece ser uma via possível para reduzir sua pena pelo crime, ainda não vislumbra pela defesa que busca outras maneiras do réu colaborar com as investigações.
A atuação da Procuradoria Geral da República no caso tem sido determinante para, neste primeiro momento, a delação estar em segundo plano para a defesa. Algumas decisões tomadas no decorrer da investigação foram consideradas sinais importantes dentro do contexto e fazem a defesa ganhar tempo a princípio.
A decisão de não ter apontado urgência para as medidas pedidas pela PF foi criticada pelo ministro André Mendonça, que tem tomado decisões favoráveis à investigação e, segundo alguns juristas, faz com que a colaboração dependa mais de acordos negociados pelo próprio Vorcaro com a justiça do que com articulação política, o que é visto como uma vantagem para a investigação.
