EUA diz que Espanha concordou com cooperação militar, governo espanhol nega
Casa Branca afirma que ameaça de Trump a Espanha teve seu efeito. Já o Governo de Pedro Sánchez nega e reafirma sua posição contra a guerra
A Casa Branca afirmou nesta quarta-feira (4) que, após ameaças de Donald Trump em cortar relações comerciais com a Espanha, o país aceitou ajudar o exército do país norte-americano. Informação essa negada “de forma categórica” minutos depois pelo ministro das Relações Exteriores espanhol, José Manuel Albares.
Opiniões opostas
A informação sobre o país europeu foi dada pela porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, em uma entrevista coletiva na tarde desta quarta-feira, afirmando que a ameaça que o presidente norte-americano fez fez com que o governo espanhol mudasse a sua posição no conflito. “Sobre a Espanha, acho que eles ouviram a mensagem de Trump ontem de forma alta e clara. E entendo que, nas últimas horas, eles concordaram em cooperar com os militares dos EUA. Sei que as Forças Armadas dos EUA estão coordenando com seus correspondentes na Espanha”, afirmou Karoline.
Já a resposta do governo espanhol veio alguns minutos depois através de José Manuel Albares, ministro das Relações Exteriores da Espanha, que em entrevista à rádio Cadena SER, desmentiu a Casa Branca e afirmou que “não tinha a mínima ideia” do que o governo norte-americano estava dizendo. Albares aproveitou para reafirmar a posição espanhola sobre a guerra no Oriente Médio: “Nossa posição de ‘não à guerra’ continua sendo clara e contundente”, afirmou.
Ele também aproveitou para deixar claro que o governo espanhol é soberano e existe um acordo bilateral com a ONU e que não tomará nenhuma posição que vá contra esse acordo. “Há um acordo bilateral, e fora do marco desse acordo não haverá nenhum uso das bases sob soberania espanhola. Qualquer operação precisa estar dentro do marco da ONU”, esclareceu.

Ministro das Relações Exteriores da Espanha nega que país tenha entrado em acordo com EUA (Foto: reprodução/Instagram/@jmalbares)
Pedro Sánchez x Donald Trump
Não é de hoje que a relação entre Trump e o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, vive altos e baixos e a tensão só aumentou quando o presidente norte-americano ameaçou cortar as relações comerciais com a Espanha. A ameaça veio na última terça-feira (3), após a proibição do uso das bases norte-americanas na Espanha contra o Irã.
Trump ameaçou cortar as relações comerciais entre os dois países. “Eu disse ao Scott (Bessnet, secretário do Tesouro) para cortar todas as relações com a Espanha”, disse Trump. Ele também afirmou que, mesmo com a proibição, eles usariam as bases militares se achassem necessário e classificou o país como “terrível”. “A Espanha chegou a dizer que não podemos usar as bases deles. E tudo bem. Podemos usar a base deles se quisermos. Podemos simplesmente entrar voando e usá-la. Ninguém vai nos dizer que não podemos usá-la”, ameaçou o presidente norte-americano.
Após a declaração de Trump, o governo espanhol afirmou que os Estados Unidos devem seguir as regras do direito internacional e os acordos bilaterais de comércio com a União Europeia. E o primeiro-ministro espanhol afirmou que os ataques dos EUA e Israel contra o Irã são “imprudentes e ilegais”, além de proibir o uso de aeronaves americanas na base dos EUA na Espanha para ações contra o território iraniano. As duas bases militares em questão são a Base Naval de Rota, localizada em Cádiz, e a Base Aérea de Morón de la Frontera, em Sevilha.
Pedro Sánchez, em seu pronunciamento nacional na televisão espanhola para falar sobre as ameaças norte-americanas, afirmou que ele não seria um cúmplice dos Estados Unidos em acabar com a vida de milhões de pessoas apenas por estar com receio de retaliações. Ele ainda aproveitou e mandou uma mensagem para Trump: “É assim que começam as grandes catástrofes da humanidade. Você não pode jogar roleta russa com o destino de milhões”, afirmou.
Ele completou que as diferenças e problemas do mundo não podem ser resolvidos com bombas e guerras, reafirmando o lado espanhol no conflito. “A posição do governo espanhol pode ser resumida em três palavras: ‘Não à guerra’. Não vamos ser cúmplices de algo que é ruim para o mundo nem contrário aos nossos valores e interesses simplesmente para evitar represálias de alguém”, finalizou.
A Comissão Europeia também deu sua opinião e apoio à Espanha, afirmando que estão preparados para defender os interesses da União Europeia.
