Dispositivos eletrônicos como celulares podem dobrar de valor com corrida por IA

Embora a indústria de semicondutores esteja acostumada a lidar com mudanças a demanda por IAs cria um impacto novo no mercado de dispositivos móveis

08 dez, 2025
Fotografia de um modelo Apple | Reprodução/Unsplash/Adrien
Fotografia de um modelo Apple | Reprodução/Unsplash/Adrien

Tablets, smartwatches e principalmente os celulares podem ter um aumento de até 50% nos preços já no próximo ano. Com data centers de IA sendo cada vez mais prioridade entre os fabricantes de componentes eletrônicos, a International Data Corporation acredita que o mercado de smartphones deve diminuir 0,9% em 2026.

A empresa global de pesquisa de mercado também relatou que com a queda pela escassez de memória, ainda neste final de ano os valores podem aumentar até 30% para os dispositivos móveis e mais 20% no início do próximo ano, baseando-se nos dados da Counterpoint Research no mês passado.

Data centers

Expandindo agressivamente seus data centers e infraestruturas este ano, empresas de tecnologia como Meta, Microsoft e Google tentam acompanhar a demanda por IA fazendo com que outras companhias como a Micron e a Samsung mudem seu foco de produção.

Data centers utilizam um tipo diferente de memória comparado aos computadores e celulares, causando uma queda em recursos para os produtos de consumo da população. “A situação está praticamente brutal e crítica em todos os aspectos”, contou Yang Wang, analista sênior da Counterpoint Research.

Na última quarta-feira (3) a Micron divulgou sua saída no mercado de memória para consumidores, citando um “aumento de demanda” vindo com o crescimento impulsionada pela IA e seus data centers.


Um dos principais impactos dos data centers é o consumo d’água (Vídeo: reprodução/YouTube/@BBCNewsBrasil)


O vice-presidente executivo de memória da Samsung, Jaejune Kim, em outubro contou que a empresa analisou o forte requerimento por memória para inteligência artificial, afirmando que a falta de memória para celulares e PCs deve se intensificar ainda mais.

Impacto em Androids

Para Nabila Popal, diretora sênior de pesquisa na International Data Corporation, alguns smartphones podem ficar mais caros já no início do próximo ano e os celulares Android serão os mais impactados devido à margem de lucro menor em produtos mais baratos. “Será praticamente impossível para eles não aumentarem os preços” contou Popal.

Junto a isso, as empresas de dispositivos móveis podem acabar focando também em modelos premium, adiando lançamentos de celulares em versões lite (com maior custo benefício) procurando o caminho mais lucrativo.  Comparando com o valor médio de venda dos smartphones em 457 dólares este ano, em 2026 a média deve subir para 465 dólares, chegando ao recorde de US$ 578,9 bilhões para o mercado de celulares.

Ainda assim, para Popal e Wong, a cadeia de suprimentos começará a se ajustar na direção oposta até o final do próximo ano, reduzindo potencialmente os preços ou, pelo menos, limitando os aumentos.

Embora a indústria de semicondutores esteja acostumada a lidar com mudanças a cada nova tecnologia, a expansão acelerada da IA requer uma preparação inesperada para as empresas que sempre terão um descompasso entre oferta e demanda.

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