Em meio ao avanço da IA, o fator humano volta a ser diferencial competitivo em 2026

Especialista em comunicação aponta que imperfeições, autenticidade e presença real ganham valor estratégico na produção de conteúdo e no posicionamento das marcas

17 dez, 2025
Georgia Aliperti | Reprodução/Divulgação
Georgia Aliperti | Reprodução/Divulgação

Parece paradoxal, uma vez que todos os reports de tendências para 2026 destacam IA em primeira instância. De fato, a conversa sobre inteligência artificial não se reduzirá, muito menos deve deixar de conquistar espaço nos negócios, mas quando pensamos em geração e consumo de conteúdo criativo, a previsão é de se iniciar uma onda de supervalorização do capital humano.

A história, em sua essência, raramente inventa cenários totalmente novos. Ela tende a repetir seus padrões em ciclos recorrentes, apenas trocando os atores e as tecnologias. No século XIX, vimos a principal e mais direta reação à produção industrial em massa com o surgimento do movimento global Arts and Crafts, como uma ânsia e enaltecimento direto pelo que é natural, manual e manifesta a imperfeição humana.

“Hoje, atravessamos alguns momentos importantes: o deslumbre do início das conversas sobre IA, o desejo de agregá-la a qualquer custo para se mostrar inteirado ao novo, o consequente medo dos espaços que ela “roubaria” e, agora, o tópico em alta: seu uso responsável”, explica Georgia Aliperti, sócia da Rosh.

Assim como o Arts and Crafts não barrou a expansão industrial, mas encontrou um lugar de reconhecimento para o que é autêntico, na construção de estratégias de comunicação acontecerá algo semelhante.

Em termos claros, a inteligência artificial cresce ao permitir contornar burocracias de uso de imagem, ter independência de bancos audiovisuais, ampliar a pesquisa e condensar informações com velocidade, ampliar insights de conteúdo, entre tantos outros benefícios para a operação. Mas se todo mundo tem uma persona de IA, um atendimento de IA, uma produção com IA, um texto de IA, destaca-se quem tem sentimento real, quem tem uma pessoa de verdade para apresentar em suas redes sociais e campanhas.

Portanto, segundo a especialista, os olhares passam a estar sobre três estratégias já em ascensão, que devem ser aceleradas:

User Generated Content: conteúdo espontâneo, com rostos, opiniões e emoções únicas. Cerca de 79% dos consumidores afirmam que
UGC afeta diretamente suas escolhas de compra, sendo um fator determinante (Fonte: Go Up Digital, 2024).

Influenciadores: o mercado global de marketing de influência saltou de US$ 9,7 bilhões em 2020 para US$ 24,7 bilhões em 2024 (Fonte: Influencer Marketing Hub/Statista), e a projeção de 2025 gira em torno de US$ 32,55 bilhões (Fonte: IMH Report, 2025), dados que mostram sua potência.

Thought Leader e Employee Influencer: as pessoas de dentro da empresa, seja na liderança ou na linha de frente, são a forma mais poderosa de diferenciação intelectual. O Employee Influencer gera 8 vezes mais engajamento do que o conteúdo corporativo (Fonte: Cisco/Edelman) e é a forma mais eficaz de mostrar a cultura da empresa na prática. Já o Thought Leader, como um CEO , atua como um validador de risco, já que 55% dos tomadores de decisão B2B usam o conteúdo desse líder para avaliar a inteligência e a credibilidade da empresa antes de fechar negócios (Fonte: Edelman/LinkedIn, 2023).

“A virada de ano não traz para nós uma grande tendência revolucionária, mas reforça que ao passo que a inteligência artificial se amplia no mercado, a necessidade de evitar o excesso por meio de recursos vivos também será cada vez mais importante para trazer equilíbrio e explorar diferenciais competitivos”, explica Georgia.

Mais notícias