Trump e Xi Jinping fecham acordos sobre tarifas, terras raras e inteligência artificial

Reunião ocorreu após encontro na ONU e cria mecanismos para comércio e investimentos e ampliando o diálogo sobre minerais estratégicos, inteligência artificial e segurança internacional

27 set, 2026
Trump e Xi Jinping em encontro nos Estados Unidos | Reprodução: Instagram/@indiatodaygloba
Trump e Xi Jinping em encontro nos Estados Unidos | Reprodução: Instagram/@indiatodaygloba

Um dia após o encontro entre Donald Trump e Xi Jinping, que aconteceu na sexta-feira (25), a Casa Branca divulgou os principais resultados das negociações entre Estados Unidos e China. A reunião produziu acordos em áreas estratégicas para a relação entre as duas maiores economias do mundo, incluindo tarifas, investimentos, terras raras e inteligência artificial.

Entre as medidas anunciadas está um tratamento tarifário mais favorável para cerca de US$ 30 bilhões em produtos não estratégicos de cada país, além da criação de um conselho bilateral destinado a discutir investimentos e obstáculos para empresas americanas e chinesas.

O encontro ocorre em meio a uma disputa econômica que envolve comércio, tecnologia e acesso a matérias-primas essenciais para setores como eletrônicos, veículos elétricos, defesa e inteligência artificial. Nesse contexto, a reunião entre os presidentes busca estabelecer canais permanentes de negociação para reduzir pontos de atrito entre Washington e Pequim.

Conselho terá foco em investimentos

Estados Unidos e China concordaram em criar um Conselho de Investimentos, mecanismo destinado a organizar discussões sobre oportunidades de negócios e dificuldades enfrentadas por investidores dos dois países.

A estrutura deverá funcionar como um canal específico para tratar de questões relacionadas aos investimentos considerados relevantes para ambas as economias. A medida representa uma tentativa de ampliar o diálogo econômico para além das negociações tarifárias, que dominaram boa parte da relação bilateral nos últimos anos.

O comércio entre os dois países envolve cadeias produtivas altamente integradas. Empresas americanas dependem de fornecedores chineses em diferentes segmentos, enquanto companhias chinesas utilizam o mercado dos Estados Unidos para vender produtos e acessar capital e tecnologia.


Os líderes tiveram reuniões nos dias 24 e 25 de setembro em Washignton (Foto:reprodução/Chil Somodevilla/Getty Images Embed)


A criação do conselho, portanto, estabelece uma estrutura permanente para discutir essas relações e eventuais barreiras aos investimentos.

Terras raras continuam no centro da disputa

Os minerais críticos e as terras raras também tiveram papel importante nas negociações. A China ocupa posição dominante nessa cadeia global, com cerca de 70% da extração e 90% do processamento de terras raras, segundo os dados apresentados no material da Casa Branca.

Esses elementos são utilizados na fabricação de componentes eletrônicos, ímãs de alta potência, equipamentos militares, veículos elétricos e outras tecnologias avançadas. Por isso, o controle chinês sobre a cadeia de produção se transformou em um dos principais pontos de tensão econômica entre Washington e Pequim.

Em momentos anteriores da disputa comercial, Pequim utilizou restrições relacionadas às exportações de minerais estratégicos como instrumento de pressão sobre os Estados Unidos. Agora, segundo a Casa Branca, os dois governos continuarão negociando para solucionar as preocupações americanas relacionadas à disponibilidade de terras raras e outros minerais críticos. A intenção anunciada por Washington é que os embarques chineses retornem a níveis considerados adequados pelo governo americano.

O tema também está ligado à estratégia de longo prazo dos Estados Unidos para reduzir sua dependência de fornecedores estrangeiros em setores considerados estratégicos.

Inteligência artificial ganha canal próprio

A inteligência artificial foi outro dos principais assuntos discutidos por Trump e Xi. Em vez de estabelecer compromissos específicos sobre desenvolvimento ou limites para a tecnologia, os dois países concordaram em ampliar o diálogo sobre riscos e benefícios da IA.

Também deverá ser criado um canal destinado a tratar de eventuais incidentes envolvendo sistemas de inteligência artificial. A iniciativa busca estabelecer uma forma de comunicação entre os dois governos em uma área que combina competição tecnológica, segurança nacional e interesses econômicos.

Trump afirmou que os Estados Unidos não pretendem reduzir o ritmo de desenvolvimento da tecnologia. O presidente americano declarou que o país está à frente da China na corrida pela inteligência artificial e estimou essa vantagem entre um e dois anos, dependendo das avaliações consideradas.


Trump e XI Jinping discutem segurança, terras raras e inteligência artificial (Vídeo:reprodução/YouTube/@bandjornalismo)


A declaração reforça a dimensão estratégica da disputa tecnológica. Washington e Pequim competem pelo domínio de modelos de IA, semicondutores, infraestrutura computacional e outras tecnologias necessárias para ampliar a capacidade de processamento e desenvolvimento desses sistemas.

Ucrânia, Irã e comércio internacional entram na pauta

Além das questões econômicas e tecnológicas, Trump e Xi discutiram conflitos internacionais, incluindo as guerras na Ucrânia e no Irã. Segundo a Casa Branca, os dois presidentes concordaram que o Irã não deve possuir armas nucleares. Também discutiram a necessidade de garantir que nenhum país ou instituição imponha taxas sobre vias internacionais de navegação.

As discussões mostram que a relação entre Washington e Pequim ultrapassa as questões comerciais. As duas potências possuem interesses distintos em diferentes regiões do mundo e exercem influência sobre negociações relacionadas a segurança, energia e comércio internacional.

Os acordos anunciados não eliminam as divergências entre Estados Unidos e China, mas criam novos mecanismos de negociação em áreas consideradas estratégicas. Tarifas, investimentos, minerais críticos e inteligência artificial permanecem no centro da relação bilateral e devem continuar influenciando as decisões econômicas e geopolíticas das duas potências.

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