Trump é criticado por plano de importar diesel russo
Legisladores tanto republicanos quanto democratas criticaram acordo que foi anunciado semanas antes das eleições de meio de mandato nos EUA
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enfrenta críticas de parlamentares republicanos e democratas após anunciar um acordo com a Rússia para ampliar a oferta de diesel nos mercados americano e internacional. A iniciativa busca conter a alta dos combustíveis em meio à guerra envolvendo o Irã, mas também levanta questionamentos sobre as sanções impostas a Moscou pela invasão da Ucrânia.
O anúncio ocorre a poucas semanas das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, marcadas para 3 de novembro. O aumento dos preços da energia se tornou uma preocupação para o governo, enquanto integrantes do Congresso questionam se o acordo beneficia financeiramente o presidente russo, Vladimir Putin.
Acordo prevê milhões de toneladas de diesel
Na sexta-feira (9), Trump anunciou que Putin concordou em liberar imediatamente mais de 300 mil toneladas de diesel para os mercados americano e global. Segundo o presidente americano, outras 500 mil toneladas seriam disponibilizadas em novembro, seguidas por mais 1 milhão de toneladas.
Trump também mencionou uma remessa adicional de 3 milhões de toneladas em um curto período, condicionada à capacidade das refinarias russas, que têm sido alvos de ataques ucranianos durante a guerra.
“Preços mais baixos para os americanos, especialmente para nossos grandes agricultores, pecuaristas e caminhoneiros, são minha maior prioridade”, escreveu Trump na rede social Truth Social.
O vice-primeiro-ministro russo Alexander Novak confirmou os números à agência estatal Tass e afirmou que as exportações poderiam aumentar ainda mais. A possibilidade de ampliar a oferta, no entanto, enfrenta dúvidas sobre a capacidade de fornecimento da Rússia e o impacto efetivo nos preços americanos.
Alexander Novak, o vice-primeiro-ministro, no Kremlin (Foto: reprodução/Getty Images Embed/RAMIL SITDIKOV)
Senadores questionam suspensão de sanções
A iniciativa provocou críticas porque o governo Trump havia endurecido recentemente as medidas contra o setor energético russo. Em setembro, o presidente assinou uma legislação que prevê novas sanções e tarifas contra países que compram petróleo e gás da Rússia.
Após o anúncio do acordo, o Departamento do Tesouro americano suspendeu temporariamente as restrições à comercialização de diesel russo, permitindo determinadas operações até abril de 2027. A medida gerou questionamentos sobre a compatibilidade da decisão com a política de sanções adotada por Washington.
No domingo (11), um grupo de seis senadores de ambos os partidos pediu que o governo revertesse a decisão. Os parlamentares argumentaram que a iniciativa pode enfraquecer os esforços para limitar os recursos que financiam a guerra russa contra a Ucrânia.
“Os EUA não devem oferecer um porto seguro financeiro a Putin enquanto a Rússia continua a matar civis ucranianos”, afirmaram os legisladores.
O grupo também lembrou que o Congresso proibiu importações de energia russa em 2022, após a invasão da Ucrânia. Os senadores Susan Collins, Lisa Murkowski, Thom Tillis e John Curtis, do Partido Republicano, assinaram a manifestação ao lado dos democratas Jeanne Shaheen e Richard Blumenthal.
Por outro lado, o republicano Thomas Massie defendeu a suspensão das sanções sobre produtos derivados de petróleo. Já o secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou à Fox News que o acordo pode funcionar dentro dos mecanismos legais existentes para ajudar a reduzir os preços.
Preços dos combustíveis pressionam governo
A alta dos combustíveis ganhou força com as perturbações no fornecimento de energia provocadas pelo conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, iniciado no fim de fevereiro. Como o diesel é essencial para o transporte de cargas e as atividades agrícolas, o encarecimento do produto afeta diferentes setores da economia americana.
O impacto é particularmente relevante nos estados agrícolas, onde produtores dependem do combustível para operar máquinas e transportar mercadorias. Segundo os dados citados no relato original, o preço médio do diesel nos Estados Unidos chegou a US$ 6,28 por galão, abaixo do recorde de US$ 6,53 registrado no fim de setembro.
A pressão sobre os preços ocorre antes das eleições de meio de mandato, que definirão a composição do Congresso e poderão alterar o equilíbrio de forças políticas em Washington. Pesquisas mencionadas no relato apontam insatisfação de parte dos americanos com a condução da economia e do conflito no Irã, aumentando o peso eleitoral do custo de vida.
Trump, portanto, tenta ampliar a oferta de combustível para aliviar os gastos de consumidores e empresas. Ainda assim, analistas questionam se as remessas russas serão suficientes para produzir uma redução significativa e duradoura nos preços.
Presidente da Ucrânia, Volodimir Zelensky, ao lado de Trump em reunião no Salão Oval (Foto: reprodução/Getty Images Embed/Andrew Harnik)
Zelensky e aliados europeus criticam iniciativa
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, criticou o acordo e afirmou que a iniciativa representa um benefício para Putin, em vez de aumentar a pressão para encerrar a guerra. Outros líderes internacionais também defenderam que Washington e seus aliados mantenham os esforços para limitar as receitas russas.
A dimensão do fornecimento anunciado também é motivo de dúvida. Os Estados Unidos consomem cerca de 3,6 milhões de barris de diesel por dia, segundo o texto original. Embora as toneladas anunciadas representem um volume expressivo, o efeito sobre os preços dependerá do ritmo das entregas, da distribuição do combustível e das condições do mercado internacional.
No domingo (11), Trump afirmou ainda que Rússia e Ucrânia haviam chegado a um “cessar-fogo energético”, mas não apresentou detalhes sobre os termos do suposto entendimento. Zelensky saudou a iniciativa, enquanto Moscou não havia confirmado o acordo até o momento descrito no relato.
A combinação entre a busca por combustíveis mais baratos e a flexibilização das restrições à Rússia mantém o governo americano sob pressão. O principal questionamento é se o aumento da oferta poderá aliviar os custos internos sem comprometer a estratégia de sanções contra Moscou.
