Trump é criticado por plano de importar diesel russo

Legisladores tanto republicanos quanto democratas criticaram acordo que foi anunciado semanas antes das eleições de meio de mandato nos EUA

13 out, 2026
Trump recorre a diesel russo antes das eleições de meio de mandato | Reprodução/Instagram/@brasildefato
Trump recorre a diesel russo antes das eleições de meio de mandato | Reprodução/Instagram/@brasildefato

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enfrenta críticas de parlamentares republicanos e democratas após anunciar um acordo com a Rússia para ampliar a oferta de diesel nos mercados americano e internacional. A iniciativa busca conter a alta dos combustíveis em meio à guerra envolvendo o Irã, mas também levanta questionamentos sobre as sanções impostas a Moscou pela invasão da Ucrânia.

O anúncio ocorre a poucas semanas das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, marcadas para 3 de novembro. O aumento dos preços da energia se tornou uma preocupação para o governo, enquanto integrantes do Congresso questionam se o acordo beneficia financeiramente o presidente russo, Vladimir Putin.

Acordo prevê milhões de toneladas de diesel

Na sexta-feira (9), Trump anunciou que Putin concordou em liberar imediatamente mais de 300 mil toneladas de diesel para os mercados americano e global. Segundo o presidente americano, outras 500 mil toneladas seriam disponibilizadas em novembro, seguidas por mais 1 milhão de toneladas.

Trump também mencionou uma remessa adicional de 3 milhões de toneladas em um curto período, condicionada à capacidade das refinarias russas, que têm sido alvos de ataques ucranianos durante a guerra.

“Preços mais baixos para os americanos, especialmente para nossos grandes agricultores, pecuaristas e caminhoneiros, são minha maior prioridade”, escreveu Trump na rede social Truth Social.

O vice-primeiro-ministro russo Alexander Novak confirmou os números à agência estatal Tass e afirmou que as exportações poderiam aumentar ainda mais. A possibilidade de ampliar a oferta, no entanto, enfrenta dúvidas sobre a capacidade de fornecimento da Rússia e o impacto efetivo nos preços americanos.


 Alexander Novak, o vice-primeiro-ministro, no Kremlin (Foto: reprodução/Getty Images Embed/RAMIL SITDIKOV)


Senadores questionam suspensão de sanções

A iniciativa provocou críticas porque o governo Trump havia endurecido recentemente as medidas contra o setor energético russo. Em setembro, o presidente assinou uma legislação que prevê novas sanções e tarifas contra países que compram petróleo e gás da Rússia.

Após o anúncio do acordo, o Departamento do Tesouro americano suspendeu temporariamente as restrições à comercialização de diesel russo, permitindo determinadas operações até abril de 2027. A medida gerou questionamentos sobre a compatibilidade da decisão com a política de sanções adotada por Washington.

No domingo (11), um grupo de seis senadores de ambos os partidos pediu que o governo revertesse a decisão. Os parlamentares argumentaram que a iniciativa pode enfraquecer os esforços para limitar os recursos que financiam a guerra russa contra a Ucrânia.

“Os EUA não devem oferecer um porto seguro financeiro a Putin enquanto a Rússia continua a matar civis ucranianos”, afirmaram os legisladores.

O grupo também lembrou que o Congresso proibiu importações de energia russa em 2022, após a invasão da Ucrânia. Os senadores Susan Collins, Lisa Murkowski, Thom Tillis e John Curtis, do Partido Republicano, assinaram a manifestação ao lado dos democratas Jeanne Shaheen e Richard Blumenthal.

Por outro lado, o republicano Thomas Massie defendeu a suspensão das sanções sobre produtos derivados de petróleo. Já o secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou à Fox News que o acordo pode funcionar dentro dos mecanismos legais existentes para ajudar a reduzir os preços.

Preços dos combustíveis pressionam governo

A alta dos combustíveis ganhou força com as perturbações no fornecimento de energia provocadas pelo conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, iniciado no fim de fevereiro. Como o diesel é essencial para o transporte de cargas e as atividades agrícolas, o encarecimento do produto afeta diferentes setores da economia americana.

O impacto é particularmente relevante nos estados agrícolas, onde produtores dependem do combustível para operar máquinas e transportar mercadorias. Segundo os dados citados no relato original, o preço médio do diesel nos Estados Unidos chegou a US$ 6,28 por galão, abaixo do recorde de US$ 6,53 registrado no fim de setembro.

A pressão sobre os preços ocorre antes das eleições de meio de mandato, que definirão a composição do Congresso e poderão alterar o equilíbrio de forças políticas em Washington. Pesquisas mencionadas no relato apontam insatisfação de parte dos americanos com a condução da economia e do conflito no Irã, aumentando o peso eleitoral do custo de vida.

Trump, portanto, tenta ampliar a oferta de combustível para aliviar os gastos de consumidores e empresas. Ainda assim, analistas questionam se as remessas russas serão suficientes para produzir uma redução significativa e duradoura nos preços.


Presidente da Ucrânia, Volodimir Zelensky, ao lado de Trump em reunião no Salão Oval (Foto: reprodução/Getty Images Embed/Andrew Harnik)


Zelensky e aliados europeus criticam iniciativa

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, criticou o acordo e afirmou que a iniciativa representa um benefício para Putin, em vez de aumentar a pressão para encerrar a guerra. Outros líderes internacionais também defenderam que Washington e seus aliados mantenham os esforços para limitar as receitas russas.

A dimensão do fornecimento anunciado também é motivo de dúvida. Os Estados Unidos consomem cerca de 3,6 milhões de barris de diesel por dia, segundo o texto original. Embora as toneladas anunciadas representem um volume expressivo, o efeito sobre os preços dependerá do ritmo das entregas, da distribuição do combustível e das condições do mercado internacional.

No domingo (11), Trump afirmou ainda que Rússia e Ucrânia haviam chegado a um “cessar-fogo energético”, mas não apresentou detalhes sobre os termos do suposto entendimento. Zelensky saudou a iniciativa, enquanto Moscou não havia confirmado o acordo até o momento descrito no relato.

A combinação entre a busca por combustíveis mais baratos e a flexibilização das restrições à Rússia mantém o governo americano sob pressão. O principal questionamento é se o aumento da oferta poderá aliviar os custos internos sem comprometer a estratégia de sanções contra Moscou.

Mais notícias