Trump retalia e EUA bombardeiam Irã após queda de aeronave militar
Presidente norte-americano autorizou ofensiva após helicóptero Apache ser abatido no Estreito de Ormuz; Teerã promete resposta contundente
Após a derrubada de um helicóptero Apache na região do Estreito de Ormuz, os Estados Unidos conduziram uma série de bombardeios em território iraniano nesta terça-feira (9). Como contra-ataque imediato, o governo do Irã realizou ofensivas contra a Quinta Frota Naval norte-americana baseada no Bahrein. A Guarda Revolucionária, utilizando a mídia estatal, classificou a reação como contundente, enquanto o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, assegurou que nenhuma agressão será tolerada. O chanceler alertou ainda que as tropas de Washington devem abandonar a região caso queiram garantir a própria segurança.
Autorização da resposta norte-americana
Sob ordens diretas do presidente Donald Trump, o Comando Central dos EUA (Centcom) iniciou, às 18h (horário de Brasília) desta terça-feira, uma série de ataques de autodefesa direcionados ao território iraniano. A operação militar foi classificada pelas forças norte-americanas, em comunicado oficial, como uma reação proporcional e justificada à derrubada de um de seus helicópteros no dia anterior. De acordo com pronunciamentos nas redes sociais, as incursões aéreas priorizaram a neutralização de infraestruturas estratégicas na região do Estreito de Ormuz. As investidas atingiram com precisão instalações de defesa antiaérea, radares de monitoramento e centros de controle daquele país.
Tais ações militares ocorreram poucas horas após o presidente culpar o país do Oriente Médio pela queda da aeronave e prometer uma retaliação severa. Em entrevista logo após o início das incursões, o líder da Casa Branca enfatizou a necessidade de uma reação contundente e poderosa diante do ocorrido.
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Ataques dos EUA ao Irã nesta terça-feira (Vídeo: reprodução/Instagram/@globonews)
Teorias sobre a queda
A derrubada do helicóptero que realizava operações estratégicas na região do Estreito de Ormuz, conforme informações oficiais do Comando Central do Exército dos EUA, ocorreu no início da noite de segunda-feira, às 18h30, mas a causa de sua queda segue sob apuração, com fontes ligadas à agência AP (Associated Press) indicando que a aeronave teria sido atingida por um drone iraniano Shahed. Segundo o porta-voz militar Tim Hawkins, o resgate dos tripulantes foi efetuado na água por meio de um drone marítimo não tripulado com aproximadamente sete metros de extensão.
Considerado uma das armas de ataque mais sofisticadas do mundo e em serviço desde 1984, o Apache AH-64 possui uma alta capacidade bélica que permite o carregamento de dezenas de mísseis de precisão e foguetes em canhões, podendo atingir a velocidade de 365 km/h. O episódio marca a primeira perda desse tipo de helicóptero no atual conflito no Oriente Médio, iniciado em fevereiro.
Resposta iraniana
Veículos da imprensa estatal do Irã, incluindo Isna, Mehr e Irib, reportaram que as investidas militares atingiram a ilha de Qeshm e múltiplas áreas da região sul, como Minab, Bandar Abbas, Sirik, entre outras. Apesar dos registros, os canais de comunicação oficiais locais trataram o bombardeio, inicialmente, como de autoria ainda não identificada. Pouco tempo depois das incursões aéreas dos EUA, a Guarda Revolucionária iraniana pronunciou-se, reiterando os alertas prévios de que haveria uma grande reação contra a investida estrangeira. Reforçando o posicionamento das forças armadas, o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, declarou que o país está determinado a não tolerar nenhuma agressão ou intimidação contra o seu território.
Enfraquecimento do cessar-fogo
O impacto da retaliação norte-americana sobre a frágil trégua iniciada em abril e o futuro das negociações de paz permanecem incertos. Embora uma fonte governamental tenha dito que a ação pode prejudicar as tratativas, a gestão de Donald Trump mantém o interesse em um acordo, que estaria em estágio avançado. Paralelamente, a trégua na região já vinha sofrendo desgaste após recentes trocas de agressões entre Israel e Irã, episódios que foram atos desaprovados publicamente por Washington.
