Trump volta a alegar interferência chinesa nas eleições de 2020

Declarações feitas pelo presidente norte-americano voltam a gerar debate; avaliações oficiais continuam rejeitando indícios de fraude no pleito

17 jul, 2026
Presidente Donald Trump | Reprodução/Instagram/@realdonaldtrump
Presidente Donald Trump | Reprodução/Instagram/@realdonaldtrump

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que houve interferência da China nas eleições presidenciais de 2020, vencidas por Joe Biden. Em um pronunciamento realizado na quinta-feira (16), o republicano anunciou a liberação de cinco grupos de documentos que, de acordo com ele, comprovariam um descumprimento de dados eleitorais envolvendo registros de milhões de eleitores americanos.

Trump também informou que vai pedir para o diretor do FBI, Kash Patel, abra uma investigação sobre o caso e voltou a pedir alterações no sistema eleitoral do país.

Acusações ganham destaque

Trump declarou no pronunciamento que a Casa Branca divulgou documentos que indicariam que a China conseguiu de forma ilegal, registros de aproximadamente 220 milhões de eleitores dos Estados Unidos durante o ciclo eleitoral de 2020. O presidente também acusou membros da comunidade de inteligência americana de esconderem informações relacionadas às supostas irregularidades.

O presidente também questionou mais uma vez o voto por correspondência, modalidade permitida em alguns estados norte-americanos, dizendo que esse sistema permitiria fraudes eleitorais. Trump também afirmou que pessoas falecidas e cidadãos sem direito ao voto estariam cadastrados como eleitores ativos.


Trump durante pronunciamento sobre as eleições de 2020 (Vídeo: reprodução/Instagram/@metropoles)


Para mudar as diretrizes eleitorais, o presidente voltou a defender o projeto de lei denominado SAVE America Act. A proposta prevê que os eleitores tenham a obrigação de apresentar o documento oficial com foto no momento da votação, além de exigir comprovação de cidadania para o registro eleitoral e estabelecer o compartilhamento de informações dos cadastros estaduais de eleitores com o governo federal.

Durante o discurso, Trump aproveitou para criticar as emissoras ABC e NBC por não transmitirem seu pronunciamento ao vivo e disse que elas poderiam perder suas licenças de funcionamento.

Alegações seguem contestadas

As falas do presidente norte-americano não condizem com as avaliações oficiais realizadas após as eleições de 2020. Uma análise divulgada pela comunidade de inteligência dos Estados Unidos em 2021 concluiu que não havia sinais de interferência de outros países capaz de alterar aspectos técnicos da votação, como registros de eleitores, cédulas, apuração ou resultados.

Na época, tribunais, auditorias eleitorais e o Departamento de Justiça também rejeitaram as alegações de fraude por falta de provas. A agência federal que cuida da segurança cibernética qualificou aquele processo eleitoral como o mais seguro da história do país.

Democratas e especialistas em direito eleitoral afirmam que situações de fraude não são comuns e avaliam que as propostas defendidas por Trump podem restringir o acesso de eleitores ao voto. Segundo especialistas ouvidos pela Reuters, a volta desse discurso aconteceu às vésperas das eleições legislativas de novembro e pode influenciar o debate político sobre a legitimidade dos futuros resultados eleitorais.

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