Tornado causa prejuízos em mais de 30 mil propriedades rurais no RS
Temporais e tornado afetaram produção agrícola, pecuária, infraestrutura e abastecimento de água; mais de mil famílias estão sem água potável no RS
De acordo com levantamento da Emater/RS, as chuvas e o tornado que atingiram o Rio Grande do Sul entre 20 e 29 de julho prejudicaram a produção agrícola, a pecuária, a infraestrutura rural e o abastecimento de água em 101 municípios.
Os dados revelam que os eventos climáticos causaram prejuízos em pouco mais de 30 mil propriedades rurais, afetando, ao todo, 1.606 localidades do estado. Os primeiros temporais ocorreram entre 20 e 23 de julho e atingiram principalmente a região Norte. Entre os dias 27 e 29, as regiões da Serra, dos Vales e da Campanha foram atingidas por novas chuvas intensas, acompanhadas de ventos fortes e granizo. No mesmo período, um tornado atingiu os municípios de Sete de Setembro, Giruá e Senador Salgado Filho, causando danos em propriedades rurais.
Infraestrutura rural é uma das mais afetadas
Segundo o relatório, a infraestrutura rural foi uma das áreas mais prejudicadas pelos temporais, com danos ao escoamento da produção em 485 comunidades e problemas em mais de 18 mil quilômetros de estradas vicinais.
A quantidade de produtores afetados pelos eventos chega a 2.343. Os temporais danificaram 1.730 casas, 204 silos, 1.396 galpões, 223 estufas de horticultura e 183 açudes utilizados para a irrigação de plantações e a criação de peixes.
Prática de piscicultura para criação de peixes (Foto: reprodução/Anadolu/Getty Images Embed)
As regiões também enfrentam problemas no abastecimento de água, com 173 fontes contaminadas e mais de 1.200 famílias sem acesso à água própria para consumo. A situação preocupa estudiosos, que apontam a necessidade de ações emergenciais para garantir o fornecimento à população atingida.
Tabaco e lavouras de inverno registram perdas
Entre as culturas prejudicadas pelos eventos e avaliadas no levantamento, o tabaco registrou o maior volume de perdas. Foram 40 mil toneladas perdidas em uma área de 2,8 mil hectares, com um total de 788 produtores afetados. Além dos danos às plantações, o relatório aponta avarias em 16 estufas de cura.
O tornado e os temporais também causaram danos às plantações de inverno no Rio Grande do Sul. Somente nas regiões com lavouras de grãos, mais de 79 mil hectares foram atingidos, resultando na perda de mais de 34 mil toneladas de trigo e canola.
O trigo foi o cultivo mais impactado pelos eventos climáticos, com 40 mil hectares atingidos, 19,5 mil toneladas perdidas e prejuízos para 1.969 produtores. Na sequência, a canola aparece com 18,5 mil hectares atingidos e perdas de 7,7 mil toneladas de grãos.
Cultivo de trigo foi um dos mais prejudicados (Foto: reprodução/Bloomberg/Getty Images Embed)
No cultivo de hortaliças, chamado de olericultura, os prejuízos somaram mais de 61,5 mil toneladas. A batata foi uma das culturas mais prejudicadas, com 37,8 mil toneladas perdidas, enquanto a cebola registrou perdas de 3.805 toneladas.
Na fruticultura, as perdas chegaram a 6,9 mil toneladas. As plantações de frutas cítricas foram as mais prejudicadas, com destaque para a laranja e a bergamota. Ao todo, 493 produtores foram atingidos, número próximo da totalidade dos produtores de frutas contabilizados no levantamento.
Pecuária sofre com danos nas estradas e pastagens
A pecuária também sofreu os impactos dos temporais. Foram contabilizadas as mortes de 51 suínos, 43 bovinos de corte e 25 bovinos de leite, além da perda de 17,4 toneladas de peixes e de 30 caixas de apicultura utilizadas na produção de mel.
Prática de apicultura também foi afetada (Foto: reprodução/Omar Ashtawy/Getty Images Embed)
Por causa das estradas danificadas, as propriedades rurais enfrentam dificuldades de acesso e de distribuição de produtos para outras regiões. Com isso, mais de 192 mil litros de leite deixaram de ser coletados por dia, totalizando mais de 2,3 milhões de litros que não puderam ser comercializados.
Além disso, o relatório aponta que mais de 100 mil hectares de pastagens foram atingidos, com redução de até 27% na produtividade. O impacto prejudica a alimentação dos rebanhos e contribui para o aumento dos custos de produção.
