STF tem repercussão mundial de sessão contra Moraes

Jornais pelo mundo noticiam julgamento do ministro do STF a poucas semanas das eleições presidenciais no Brasil; Moraes tinha mensagens trocadas com Vorcaro

15 set, 2026
Imprensa mundial repercute sessão no STF sobre Moraes | Reprodução/Instagram/@estadao
Imprensa mundial repercute sessão no STF sobre Moraes | Reprodução/Instagram/@estadao

A imprensa internacional repercutiu nesta terça-feira (15) a sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) que analisará se há elementos para abrir uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes no caso do Banco Master.

Veículos estrangeiros trataram o episódio como uma crise de forte impacto institucional e político no Brasil. As publicações destacaram o embate entre integrantes do Supremo e relacionaram as divergências ao cenário político do país e à proximidade das eleições de outubro.

STF analisa relatório da Polícia Federal

A sessão desta terça-feira analisa um relatório da Polícia Federal sobre o caso Master. O documento inclui mensagens trocadas entre Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro e será usado para avaliar se existem elementos que justifiquem a abertura de uma investigação contra o ministro.

Antes da sessão, Moraes afirmou que o procedimento determinado pelo ministro André Mendonça é “ilegal e inconstitucional”.

A repercussão internacional foi ampla. A Reuters informou que o STF decidirá sobre a abertura de uma investigação “sem precedentes” contra um ministro em exercício. Já a ABC News descreveu o momento como uma “crise sem precedentes” no Supremo.

O Washington Post afirmou que muitos brasileiros acompanharam a sessão pela televisão e apresentou Moraes e Mendonça como representantes de posições distintas no cenário político brasileiro. A Economist, por sua vez, afirmou que Moraes está sob suspeita e no centro da crise enfrentada pelo STF.

Veja o que os principais veículos internacionais destacaram sobre a sessão desta terça-feira (15).


Ministro Alexandre de Moraes é investigado por envolvimento com Vorcaro (Foto: reprodução/Getty Images Embed/Evaristo Sa)


O que a imprensa internacional destacou

A Reuters classificou o episódio como a mais grave crise interna enfrentada pelo STF desde a redemocratização do Brasil. A agência chamou atenção para o confronto entre André Mendonça, Flávio Dino e Alexandre de Moraes.

A publicação também ressaltou que a disputa ocorre em um momento de elevada tensão política no país, a poucas semanas das eleições de outubro.

A Bloomberg, dos Estados Unidos, destacou o papel do presidente do STF, Edson Fachin, diante do agravamento das divergências internas. Segundo a agência, as medidas recentes adotadas pelo ministro estão entre as mais contundentes de sua gestão.

A Bloomberg avaliou que Fachin tenta restabelecer o controle sobre uma Corte que atravessa uma de suas crises mais profundas em décadas. A agência também apontou possíveis reflexos eleitorais do episódio, com a atuação do Supremo podendo se tornar um dos temas da disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL).

A Associated Press (AP) também deu destaque aos acontecimentos no tribunal. A agência informou que o STF havia cancelado uma segunda sessão consecutiva naquela semana antes de Fachin remarcar os trabalhos para esta terça-feira.

Segundo a AP, os ministros deverão decidir entre abrir uma investigação ou arquivar o procedimento relacionado à relação entre Moraes e Vorcaro. A agência avaliou ainda que o conflito interno gera desgaste à imagem institucional do Supremo e ganhou importância no cenário político às vésperas da eleição.

A Al Jazeera, do Catar, afirmou que as acusações e divergências entre integrantes do STF podem colocar a Corte no centro de disputas políticas ainda mais amplas. O veículo também relacionou o episódio ao processo eleitoral brasileiro e aos questionamentos sobre a atuação de ministros do tribunal.

O britânico The Independent, por sua vez, acompanhou outro capítulo da crise. O jornal noticiou a decisão de Flávio Dino de restabelecer nos cargos Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, e Leandro Almada, superintendente da corporação em São Paulo, após Mendonça determinar o afastamento dos dois.

O Washington Post também havia associado a decisão de Mendonça ao agravamento das tensões entre o Judiciário e o governo Lula. O jornal destacou ainda os possíveis efeitos do episódio sobre as eleições de outubro.

Por fim, a Economist afirmou nesta terça-feira que o STF está em crise e que Moraes está no centro do conflito. A reportagem descreveu o embate entre Moraes e Mendonça após a repercussão do caso Master.

A publicação também avaliou possíveis mudanças no cenário jurídico brasileiro após as eleições presidenciais. Nesse contexto, citou a promessa de Flávio Bolsonaro de conceder um perdão ao pai, Jair Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe de Estado, e de “fazer uma limpa” no STF caso seja eleito.

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