Sem Maduro há um mês, Venezuela passa por reorganização política e econômica

Após a operação militar que retirou Maduro do poder, a Venezuela vive transição com avanços econômicos e permanência das estruturas do chavismo

04 fev, 2026
Apoiadores de Maduro protestam a libertação do ex-presidente | Reprodução/X/@ACritica
Apoiadores de Maduro protestam a libertação do ex-presidente | Reprodução/X/@ACritica

Nesta terça-feira (03), faz um mês que o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, foi retirado  do poder e capturado pelo governo americano. A Venezuela vive um período de transição marcado por mudanças graduais, incertezas políticas e forte influência externa, especificamente pelos Estados Unidos. A operação militar conduzida pelos norte-americanos na madrugada de 3 de janeiro encerrou abruptamente um ciclo de mais de uma década de governo chavista sob a liderança de Maduro, que foi levado a força junto com sua esposa, Cilia Flores, pela força Delta aos Estados Unidos, onde responde a processos judiciais.

Com a mudança no poder, Delcy Rodríguez, que exercia a vice-presidência, passou a liderar o governo de forma provisória. A transição manteve elementos centrais do modelo anterior, a base do governo de Hugo Chaves continuou comandando as instituições centrais do Estado, embora sob um novo arranjo político e com supervisão direta de Washington. Especialistas avaliam que o atual modelo combina continuidade interna com condicionantes externas, sobretudo no campo econômico e diplomático.

Um mês após a queda de Maduro

A principal mudança observada neste primeiro mês ocorreu na política energética. A aprovação de uma nova lei para o setor petrolífero alterou profundamente a base estatal desde a nacionalização da indústria, flexibilizando regras e ampliando o espaço para empresas privadas nacionais e estrangeiras.  A medida foi interpretada por muitos, como uma tentativa de reativar um setor estratégico que enfrenta anos de queda na produção, agravada por sanções internacionais, corrupção e falta de investimentos.


Manifestantes se reúnem para pedir a libertação de Nicolás Maduro um mês após sua retirada do poder (Video: reprodução/Youtube/@uol)


O governo de Donald Trump passou a desempenhar papel central na comercialização do petróleo venezuelano. Parte das receitas geradas com as exportações está sendo administrada pelo governo norte-americano, que afirma utilizar os recursos para evitar qualquer colapso institucional e garantir o funcionamento básico do Estado venezuelano. Autoridades americanas classificam o arranjo como temporário e voltado à estabilização do país.

Uma transição incompleta e condicionada

Na reorganização do plano político interno, Rodríguez promoveu mudanças na composição do governo e das Forças Armadas, mas manteve figuras históricas do chavismo em postos estratégicos. No mesmo momento, anunciou uma proposta de anistia geral e o fechamento de centros de detenção denunciados por violações de direitos humanos. Organizações independentes acompanham o processo com  bastante cautela, ressaltando que centenas de presos políticos ainda permanecem presos.


Um mês da captura de Nicolas Maduro (Vídeo: Reprodução/Youtube/)


O cenário nas ruas é de cautela. Embora o clima de repressão extrema observado nos últimos anos tenha diminuído, o medo não desapareceu completamente. Setores alinhados ao antigo governo seguem mobilizados, com manifestações e campanhas simbólicas em defesa de Maduro. Após um mês sem o presidente Maduro no poder, o país vive um processo de transição ainda incompleto, marcado por avanços econômicos mais rápidos do que reformas políticas de maior alcance. O futuro do país permanece condicionado ao equilíbrio entre pressões externas, permanências internas e a capacidade do governo interino de produzir estabilidade duradoura.

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