Pesquisa Quaest divulga percepção de brasileiros em relação à economia

Economistas afirmam que a percepção positiva ou negativa da população sobre a economia brasileira é muito influenciada pelo aumento da taxa de juros

12 fev, 2026
Pesquisa divulga dados sobre sentimento da população sobre a economia do país | Reprodução /X/@AQUELECARA
Pesquisa divulga dados sobre sentimento da população sobre a economia do país | Reprodução /X/@AQUELECARA

Na última quarta-feira (11), foi divulgada a pesquisa Quaest que afirmou que metade dos brasileiros acha que a economia brasileira piorou no último ano. 24% dos entrevistados afirmaram que a economia melhorou durante esse período, já 30% dizem que não sentiram nenhuma mudança. A inflação controlada e a menor taxa de desemprego desde que o IBGE fez o estudo, não ajudaram na percepção de melhoria da situação econômica do país.

A pesquisa foi encomendada pela Genial Investimentos, seu nível de confiança é de 95%. Foram ouvidas 2.004 pessoas de 16 anos ou mais, entre os dias 5 e 9 de fevereiro. Com margem de erro de dois pontos para mais ou para menos.

Sobre a pesquisa Quaest

As respostas da pesquisa feita pela Quaest sobre a percepção dos brasileiros sobre a economia brasileira no último ano foram: 43% afirmaram que a economia piorou, 24% afirmaram que teve uma melhora na economia, 30% afirmam que a economia se manteve, não houve melhora nem piora, e apenas 4% não souberam ou não quiseram responder. Também foi perguntado aos entrevistados qual é a expectativa que eles têm referente à economia do Brasil para os próximos 12 meses. 43% têm a expectativa de que ela melhore, 29% acreditam que a economia irá piorar, 24% não possuem nenhuma expectativa e acreditam que a economia se manterá igual, e 4% não quiseram ou souberam responder.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta terça-feira (11) que os preços aumentaram em 0,33% em janeiro segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), sendo considerado também a inflação oficial do país. Entre as perguntas, a Quaest também quis saber a opinião das pessoas entrevistadas sobre o preço dos alimentos de acordo com o local em que as pessoas fazem suas compras. 56% dos entrevistados afirmaram que teve aumento no preço dos alimentos, 18% disseram que o preço diminuiu, já 24% deixaram claro que não sentiram diferença nos preços. Apenas 2% não souberam responder.

Também foi avaliado o sentimento da população sobre o poder de compra, comparado a um ano atrás. 15% responderam que estão comprando mais do que há um ano atrás. 61% afirmam que estão comprando menos e 23% relataram que continuam comprando na mesma quantidade. Ainda foram perguntados aos entrevistados sobre a dificuldade na busca por um emprego no último ano. 49% afirmaram que está difícil encontrar um trabalho. 39% contaram que está mais fácil e a parcela de 5% afirma que não sentiu diferença na dificuldade para conseguir uma vaga de emprego. 2025 ficou conhecido por ter a menor taxa histórica anual de desemprego no Brasil, ela ficou em 5,6%, menos um ponto se compararmos com a taxa no ano anterior.


X/@DineroSimpleAR

Mais da metade da população afirma que poder de compra diminuiu no último ano (Foto: reprodução/X/@DineroSimpleAR)


Opinião dos economistas

Economistas afirmam que um dos principais pontos que foram definitivos para diminuir os efeitos positivos da economia foi o aumento da taxa de juros causado pelo alto número de inadimplências e pela desaceleração da economia. “Isso quer dizer o seguinte: o sujeito até está ganhando mais, o salário está indo bem, só que, dado o nível de endividamento das famílias, o dinheiro não rende”, explicou o economista André Perfeito.

Já a economista Zeina Latif afirma que a economia ainda é afetada pelos juros altos ligados à perda do ritmo de consumo das famílias. “Não tem alívios. A classe média sente condições que não são ruins, mas também não há coisas positivas em curso. Mesmo no mercado de trabalho, é nítida a mudança de tendência na geração de vagas”, afirmou o economista.  Ela explica que, quando falamos na inflação de alimentos, o efeito na economia é desigual. “Quando vai bem, a confiança não melhora tanto. Em compensação, quando a inflação sobe, a confiança ou a aprovação no governo cai mais”, detalhou.

André também explicou que, quando se trata de empresas, o esquema é o mesmo, que uma grande parte do lucro que ela recebe é destinada para o pagamento de juros, e isso gera um sentimento empresarial ruim.

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