Pedidos de impeachment contra Ibaneis são protocolados na Câmara do DF

Pedidos de impeachment contra Ibaneis Rocha surgem após investigações sobre a tentativa do BRB de comprar o Banco Master e suspeitas de irregularidades

01 fev, 2026
Governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha | Reprodução/Instagram/@ibaneisoficial
Governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha | Reprodução/Instagram/@ibaneisoficial

Dois pedidos de impeachment contra o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), foram protocolados na Câmara Legislativa do DF após o avanço das investigações envolvendo o Banco Master e a tentativa de aquisição da instituição pelo Banco de Brasília (BRB). As representações apontam possíveis crimes de responsabilidade relacionados à atuação do governador nas negociações que envolveram o banco público, controlado pelo Governo do Distrito Federal. Até o momento, os pedidos ainda não começaram a tramitar oficialmente na Câmara. Para que isso ocorra, é necessária a análise inicial do presidente da Casa, deputado Wellington Luiz (MDB). Em declaração recente, Wellington afirmou que só irá se manifestar após o fim do recesso legislativo, previsto para esta segunda-feira (2).

Quem assina os pedidos

Além das iniciativas no Legislativo local, o governador também é alvo de dois pedidos de investigação encaminhados ao Ministério Público Federal (MPF), o que amplia o cerco institucional em torno do caso.
O primeiro pedido de impeachment é assinado por quatro integrantes do PSB no Distrito Federal — Rodrigo Dias, Rodrigo Rollemberg, Ricardo Capelli e Leonardo Pinheiro — além do presidente do Cidadania-DF, Cristovam Buarque, e dos advogados Rodrigo Pedreira e Lynecker Juliano. O segundo documento foi protocolado por representantes do PSOL-DF: a presidente regional do partido, Giulia Tadini, e os deputados distritais Fábio Félix e Max Maciel.

Entenda o contexto

O Governo do Distrito Federal é o acionista controlador do BRB, com 71,92% de participação no capital da instituição. Ao longo de 2025, o banco público tentou adquirir parte significativa do Banco Master, operação que contou com apoio público do governador Ibaneis Rocha. No entanto, o negócio foi barrado pelo Banco Central. Posteriormente, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master após identificar suspeitas de fraude na venda de carteiras de crédito ao BRB, avaliadas em R$ 12,2 bilhões. Entre 2024 e 2025, o banco público teria transferido cerca de R$ 16,7 bilhões à instituição privada. Essas movimentações passaram a ser analisadas pelo Ministério Público, que vê indícios de gestão fraudulenta. Em entrevistas recentes, Ibaneis confirmou que se reuniu ao menos quatro vezes com Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, entre 2024 e 2025. O governador, no entanto, nega que os encontros tenham tratado da compra do banco pelo BRB.


Fachada do banco master

Banco Master (Foto: reprodução/Instagram/@infomoney)


Acusações apontadas

No pedido apresentado por membros do PSB, do Cidadania e por advogados, são listados sete supostos crimes de responsabilidade. Entre as acusações está a alegação de omissão deliberada do governador em responsabilizar dirigentes do BRB que teriam adotado atos contrários à Constituição Federal e à Lei Orgânica do Distrito Federal.

Os autores sustentam que Ibaneis não determinou a abertura imediata de procedimentos administrativos internos nem promoveu uma apuração eficaz no âmbito do Poder Executivo. Além disso, apontam que o governador manteve apoio político à operação e às decisões da cúpula do banco público, mesmo diante de alertas e questionamentos institucionais. Agora, a continuidade dos pedidos depende da decisão da presidência da Câmara Legislativa, que poderá autorizar ou não a abertura formal do processo de impeachment.

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